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Direito

Isaac de Barros


PARAÍSO DOS CURSOS

Publicado em : 24/01/2012



                                             Desconheço qualquer país deste continente, com maior numero de cursos que o Brasil. Por aqui, existem pessoas que desejando articular, como não entendem bulhufas do pretendido, fazem cursos rápidos de comunicações, embromando em outros. Entre nós, determinados aspirantes a oradores, revelando-se inaptos para falar em publico, por sinal um dom pessoal intrasferível, arranjam cursos de oratória. Entretanto, observando essas propostas educacionais chamadas de cursos, neles já vi muitos “mestres” cambalearem na gramática, enquanto desses cursos de oratória, nunca ouvi seus professores, supostos artesões de palavras, se destacarem falando improvisadamente. Assim, concluí que vivemos mesmo, é no paraíso dos cursos. Outrora, no ensino brasileiro haviam os cursos primário, ginasial, científico e superiores. Aí, o ministério da educação querendo arrumar mercados de trabalho, oportunizou os cursos colegial, técnico em contabilidade e normal, num pacote juntamente com outros. Posteriormente, faltando profissionais liberais capazes, autorizou funcionamentos de cursos para capacitação, dando-lhes nomes diversos.


                                               Desse modo ocorrendo, as antigas Faculdades de Comunicações Sociais, no regime militar, passaram a denominar-se faculdades de jornalismo. E como a capacidade de redigir textos, não se ensina nesses bancos escolares, seus frequentadores formando-se em jornalismo, querendo ganhar espaços empregatícios nas comunicações, inventaram à obrigatoriedade do diploma refugado, dispensado nas maiores e mais desenvolvidas nações do planeta. Para conseguir, bateram em portas dos tribunais pátrios, até o supremo de todos eles, negar provimento ao recurso. Concordo, embora tenha diploma, pois jornalismo é arte, e arte é um dom. Afinal, os jornalistas Machado de Assis, Barbosa Sobrinho (três vezes presidente da Associação Brasileira de Imprensa), Herbert Moses e Carlos Lacerda, comunicadores que acompanharam de maneira grandiosa e brilhante a evolução da sociedade brasileira, não tivessem diploma de jornalistas. Então, agasalhado na constitucional liberdade de opinião, reputo esse curso, como algo inútil. Aliás, o jornalismo fotográfico feito na II guerra mundial, focado pelas mãos de Joel Silveira e as reportagens dos correspondentes brasileiros no front, se dependessem de jornalistas diplomados, jamais teriam existido. Felizmente, nessa época ainda não haviam inventado no Brasil, cursos rápidos para ser repórter corajoso nas frentes de batalhas.


                                               Possivelmente, poucos filhos desta terra de Brás Cubas, saberiam que o nordestino é antes de tudo um forte, se o jornalista não diplomado Euclides da Cunha, nunca tivesse escrito “os sertões”, obra condensada, das notícias reportadas que enviou de Canudos. Comunicadores diplomados em jornalismo, esquecem que o Visconde de Tunay, romancista memorialista, embora sendo engenheiro militar, deu conta de relatar quinzenalmente para os jornais da corte carioca, as batalhas da guerra do Paraguai, o fazendo naturalmente, mesmo sem ter um diploma de comunicador para enviar aquelas notícias. Lembro aos críticos despojados de argumentos, que o curso de direito acabou com os antigos rábulas, por ser uma ciência. Bem diferente do jornalismo, um filho da arte. Aliás, qualquer bacharel em direito, é obrigado a fazer exames na OAB, para poder advogar.



                                               Enfim, temos na atualidade cursos disso e daquilo, enquanto o nível de ensino vai mal. Inclusive, esses comentários críticos, ganharam lugar fixo nos meios educacionais. Confesso, amealhei preciosos conhecimentos na minha juventude, quando na paulicéia agitada, estagiei no jornal última hora, opositor da classe dirigente e a favor de um governo, embora o velho Samuel Wainer, estivesse dando seu ultimo grito. No rádio, recebi ordens e na televisão fui editor, depois dirigindo funcionários. A propósito, meus chefes Sinfronio da Veiga e o Paulo Cabral, nem passaram perto de uma faculdade de jornalismo. Porém, escreviam como poucos homens nas comunicações. Ali, o hoje publicitário Rubens Moreira Junior, então menino morador nas redondezas, vendia pastéis no pátio da TV Uberaba...



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