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COLUNA

POLÍTICA

Valfrido Silva


Puccinelli debocha do eleitorado e afronta o Judiciário

Publicado em : 25/08/2015

Há muito tempo que André Puccinelli perdeu o norte da política estadual e – para ficarmos no palavreado empolado que ele gosta de usar – não tem humildade para admiti-lo. Daí o grande festival de fanfarronices que vem protagonizando. A mais nova delas, a de que “o PMDB do Mato Grosso do Sul não está enlameado”, numa alusão a operação Lama Asfáltica, em que ele e alguns de seus principais auxiliares e aliados, além de empreiteiros amigos, foram escandalosamente flagrados em tratativas de corrupção durante os dois últimos anos de seu governo. Sem falar da desfaçatez, como a de que a Polícia Federal não teve autorização para fazer o que fez e que por isso não vê preocupação com as investigações. E, pior, como se andasse decorando a cartilha lulo-petista, negando qualquer envolvimento dele e de companheiros peemedebistas no esquema.
 

Não há como analisar a iminente derrocada política de Puccinelli sem uma retrospectiva de suas últimas trapalhadas, e tudo começando com a eleição, contra sua vontade e seu poderio, do fenomenal Ari Artuzi para a prefeitura de Dourados. E como na política a roda da história às vezes dá uma acelerada, ficando agora muito claro que toda aquela história de animal de pelo curto, por ele inventada para ridicularizar o Valdecir não era apenas uma questão de ego ferido por ter contrariada sua orientação política, mas, provavelmente, pela monta do prejuízo que poderia representar alguém não alinhado com as negociatas sentado na principal cadeira da segunda mais importante prefeitura do estado. Tanto que enquanto não destronaram o pobre do Valdecir não sossegaram, mandando-o para a cadeia, de onde só saiu depois de coagido a assinar o termo de renúncia. Ah, as gravações mostrando o então prefeito douradense contando uns caraminguás que ninguém provou ser de corrupção também não eram autorizadas. Com o agravante de que ele morreu sem ter tempo de provar sua inocência, como se precisasse, aliás, para quem não tinha dinheiro sequer para comprar a medicação para o câncer.
 

E dá-lhe ingressos do circo peemedebista, para o deleite de aliados".

Não contente com a piaba levada em Dourados o então todo-poderoso governador resolveu, quatro anos depois, enfiar Edson Giroto goela abaixo do eleitorado como prefeito de Campo Grande. Parêntesis, aqui, para concordar com Puccinelli quando diz que ninguém do PMDB está enlameado. Sim, o à época peemedebista, mas sempre preposto, e, pelo jeito o mais chafurdado na lama asfáltica é hoje figura de proa do PR, mais um jogo de cena com o arquirrival da política paroquial de Fátima do Sul, Londres Machado, para tentar atrair – e depois ludibriar – aliados. Ah, e o Bernal? Pois é. Aí veio o Bernal, e os campo-grandenses tiveram de se contentar em digerir o tal Gilmar Olarte. Tudo farinha do mesmo saco. Menos mal, neste festival de trapalhadas, que ao tentar acabar com os Trad, nas eleições passadas, André Puccinelli acabou derrotando o aliado preferencial, companheiro Delcídio do Amaral, fazendo ascender a liderança de Reinaldo Azambuja.
 

Ao dizer que o PMDB não está enlameado André Puccinelli debocha não apenas do eleitorado minimamente esclarecido, mas, no que parece ser uma desesperada tentativa de se manter no centro do palco, afronta o Judiciário. E, neste ponto, ficando mais parecido com Dilma Rousseff do que com o capo do mensalão e do petrolão, Lula da Silva. É que, tanto quanto sua fada madrinha, que aposta todas as fichas para se manter no poder nas indicações que fez para o Supremo Tribunal Federal de ministros alinhados, como o mais recente deles, militante petista Edson Fachin ou Teori Zavascki, Dias Toffoli e Roberto Barroso, também Puccinelli confia que enquanto o Tribunal de Justiça do MS for integrado por companheiros como Claudionor Abss Duarte, Sérgio Martins e o conterrâneo fátima-sulense Luiz Tadeu ele não tem razões para se preocupar com bobagens como essa da lama asfáltica. E dá-lhe ingressos do circo peemedebista, para o deleite de aliados como Maurício Picarelli, alimentando o sonho de uma cada vez mais distante boa alvorada.

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