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04/08/2011 10h45

George Takimoto

Folha de Dourados


Em entrevista contundente ao jornal Folha de Dourados, o deputado estadual George Takimoto (PSL), criticou o trabalho do Ministério Público Estadual. 'Quem resolve tudo hoje é a promotoria, falta remédio, as pessoas procuram um promotor, vai cortar uma árvore, as pessoas vão ao MPE'. Ele também descartou sua candidatura a prefeito em 2012, alegando a idade (tem 70 anos) e defendeu a reforma política e a administração de Murilo Zauith (PSB).

Takimoto é natural de Lavínia (SP). Formou-se em Ciência da Medicina na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo (1968). Atuou como médico em Dourados, no Hospital Evangélico e no Hospital Santa Rita, entre outros, e construiu o Hospital São Luiz em parceria com colegas médicos. Foi vice-prefeito de Dourados, vice-governador e deputado federal por Mato Grosso do Sul. Nesta entrevista ele fala sobre sua atuação na Assembléia, política estadual e local e ainda conta seus projetos futuros;

Fala de seu trabalho na Assembleia Legislativa e se posiciona contra a mudança de nome de Mato Grosso do Sul: 'Tem que mudar a concepção do brasileiro' através da educação. A seguir, a entrevista exclusiva.

 

Qual projeto deste primeiro semestre o senhor destaca como principal?

George Takimoto: A Constituição federal já é bastante ampla. A Constituição Estadual também é muito ampla, ela serve o Estado praticamente em tudo. Então nós deputados trabalhamos no sentido de legislar, fazer algumas indicações, e alguns projetos de leis, mas, muito restritos, pontuais, praticamente, e alguns requerimentos. Então, um deputado estadual, praticamente a função dele é como um vereador de uma cidade grande e dentro desse aspecto, o meu trabalho, como médico, é atender ao ser humano, especificamente lutar pelo bem estar deles. Nosso objetivo na campanha era tentar um atendimento médico para o idoso carente e essa possibilidade eu estou vendo como real, porque em Dourados já existe um embrião dessa modalidade que é exercida pelo querido Dr. Irineu Rosa. No Hospital do Coração ele tem um embrião de atendimento cardiológico ao idoso carente. Então tenho conversado com ele e nós pretendemos com a ajuda do deputado federal Vander Loubet e com minhas emendas trabalhar em cima disso e estender para todas as especialidades médicas.

Fora isso, entramos com uma indicação no Congresso Nacional, na Câmara dos Deputados, no sentido de entrar com uma emenda na Reforma Política que seria a não eleição dos secretários municipais, secretários estaduais e ministros como os presidentes de autarquias, de empresa mista do governo para que eles não possam enfrentar antes de se incompatibilizar no período de no mínimo dois anos, porque isso faz com que o secretário, por exemplo, exerça o cargo até três, quatro meses antes do pleito. Ele deixa atrás dele aquela estrutura que continua durante a campanha.

O Senhor acredita que seria um oportunismo então isso?

Com certeza absoluta. Se você olhar no hemisfério político, você vai ver que muitos políticos, e eu não quero falar mal de ninguém, isso aí é da legislatura, mas, tem deputados que saíram disso. O Vander Loubet, por exemplo, ele foi secretário da Casa Civil no Governo do Zeca [do PT] e se elegeu. Edson Girotto foi secretário de Obras, [Carlos] Marun, secretário de Habitação, Paulo Duarte, secretário de Fazenda do Zeca... Então, é humanamente impossível você enfrentar uma eleição e concorrer com essas pessoas. Se você analisar sua vontade política, o seu estudo, a sua capacidade, a sua visão, você não é diferente de mim, diferente de ninguém. Nós somos iguais praticamente.

Em que pé está isso, essa indicação?

Já protocolei, já foi para Comissão e o Vander Loubet é que está vendo para a gente para ver o que é que pode ser feito. Acho que isso é importantíssimo. Quando fui deputado federal já apresentei esse projeto e não passou. Porque a maioria desse pessoal que está lá já tem interesse. O [Luiz Henrique] Mandetta foi secretário de saúde do [Nélson] Trad. Estão essas coisas é uma competição desigual. Não adianta falar que tem uma democracia, porque democracia é quando todo mundo é igual realmente, não adianta mascarar as coisas.

E em relação à mudança de nome do Estado? Qual a opinião do senhor?

A minha posição é a seguinte: tem que mudar a concepção do brasileiro, não mudar o nome do Mato Grosso do Sul. Tem que ensinar nas escolas, desde o primário. Ginásio, colegial que o Estado do Mato Grosso do Sul é um e o do Mato Grosso é outro.

Aí, esses imbecis que chegam ao nosso Estado vêm e falam assim que é o Estado do Mato Grosso. Nós somos Mato Grosso do Sul, com muito orgulho para mim. Sou contra a mudança, radicalmente contra, porque uma pessoa que estuda, sabe que existe Mato Grosso do Sul e que a capital é Campo Grande.

O senhor é novo, está chegando agora na Assembléia, mas, a abertura das contas da Casa deu o que falar nesse primeiro semestre. O que o senhor pode dizer sobre o assunto?

Esse problema trouxe um desgaste para a Assembléia muito grande pelas denúncias do deputado Ary Rigo. O que eu acho é que eu não sou juiz nem promotor, eu fui lá para a Casa para executar o meu trabalho e espero que a população pelo menos não vá ter queixa de mim. Agora o que tem que ser resolvido na verdade é a Justiça que tem que tomar essas providências que são cabíveis nesse caso e tocar o processo para frente ou simplesmente encerrar esse processo. O que nós não podemos é uma ter Assembléia e temerosa, receosa, sem projeto e palavra arrojada do nosso presidente, do nosso secretário.

Então, se a Justiça achar por bem que tem que tocar para frente, cabe a ela. O governador também é favorável, a Justiça que resolve. Então estamos aguardando. De concreto ainda não tem nada, mas, que está andando o processo, está.

Quando o senhor chegou lá já estava essa polêmica. Como estava o clima do local? Porque tinha deputados da legislatura passada, né?

Isso, mas, eles praticamente não comentam nada. Nós, praticamente principiantes, somos um estranho no ninho. Eles não comentam absolutamente nada conosco e a gente também não tem argumentos, nem posse de dados, porque esses são dados da Mesa e eles não passam.

Falando em política local agora. O partido do senhor se coligou com o DEM para a eleição do prefeito Murilo, como anda o espaço do PSL na prefeitura?

Nós apoiamos o Murilo e fomos os primeiros políticos e companheiros que abraçaram a causa para a eleição dele. O partido fez a coligação com o Murilo, mas nunca sentamos com ele para reivindicar absolutamente nada antes da eleição, porque achávamos que viria em primeiro lugar a obrigação ante a nossa comunidade. Mas precisamos ser políticos, após a eleição, tentamos acomodar algumas pessoas, mas não no sentido de 'acomodação', ter que dar emprego, eu sou totalmente contra isso. Mas reivindicamos algumas posições dentro da prefeitura e fomos atendidos ao nosso entender, muito pouco. E estamos aguardando para ver o que o prefeito vai resolver se vai nos atender só com essas posições neste pleito que foi concretizado há pouco tempo, ou se ele vai estender a mão para aqueles companheiros que o prefeito tem o compromisso político. Porque todos eles abraçaram a causa do Murilo Zauith.

O senhor acha que a mudança de partido do prefeito melhora a relação para atender essas acomodações políticas?

Na realidade, o que eu penso não tem nada haver. Eu acho que ele mudou de partido no sentido de ocupar um espaço maior dentro do contexto municipal, estadual e federal, já que este partido faz parte da base de governo da Dilma Rousseff (PT). Acredito que o prefeito Murilo foi buscar exatamente isso, porque a prefeitura de Dourados não tem projetos. Passamos por dois prefeitos que não deixaram praticamente nada de projetos. Os recursos são difíceis de chegar, então o Murilo mudou de partido, provavelmente, por esse motivo. Porque eu não acho que filosoficamente, ele seja socialista, e sim de extrema direita e capitalista. Ele pode fazer um socialismo com os funcionários dele, com os amigos. Mas a cabeça dele não é socialista.

Acha que a aliança continua para as próximas eleições ou o partido lança candidatura própria, com o nome do senhor, nas próximas eleições?

Não, meu nome é muito difícil. Eu tenho 70 anos e a prefeitura de Dourados exige demais, em tempo integral. É levantar muito cedo e dormir muito tarde sem tempo de deixar as coisas para amanhã, pois é uma cidade com 200 mil habitantes e uma infinidade de assuntos para resolver. Hoje, se uma pessoa pegar a Secretaria de Saúde e falar que vai trabalhar dia e noite para melhorar a saúde, ele não vai ter tempo para mais nada.

Por que o senhor acha isso?

Eu acho que o Murilo, como dono de uma universidade deveria implantar um curso de Administração Pública, porque, se pegar um individuo da sociedade, um contabilista, por exemplo, ele vai para dentro da prefeitura e terá dificuldades, já que as tramitações de papéis são totalmente diferentes das que ele está acostumado no escritório. Um médico. Eu sou médico, eu operacionalizo, mas a estrutura de uma secretaria de saúde é enorme, gigantesca e a classe política não está preparada para todos esses problemas, então, a responsabilidade de ser prefeito é muito grande, o ex-prefeito Laerte Tetila (PT), vem sofrendo demais com as contas dele no tribunal. E eu converso muito com ele, e nós achamos que o próximo prefeito de Dourados deveriam ser os Promotores Públicos.

Por quê?

Porque quem resolve tudo hoje é a promotoria, falta remédio, as pessoas procuram um promotor, vai cortar uma árvore, as pessoas vão à promotoria. Eu tenho dó dos promotores, mas, eles também judiam da classe política. Não que eles tenham má fé, nem que o político tenha má fé, mas é o choque de interesses, interpretações.

Mas, o senhor é contra ou a favor à aliança com o prefeito?

Olha, ainda tem um ano para a eleição, eu não tenho nada contra essa administração e acho que a prefeitura estava estraçalhada, não somente por culpa dos políticos locais, mas por culpa também, dos políticos de Campo Grande e de outras cidades, alheios aos nossos interesses. Eu acho que Dourados deve ter a grande responsabilidade de tentar ser administrada por pessoas que amam a nossa cidade e não por pessoas de fora, que vem interferir na política do nosso município, então, eu estou aguardando a posição administrativa do prefeito. Se ele continuar bem e a intenção dele for se reeleger, não tem porque não continuar, mas se ele for mal, podemos optar por outro candidato.

E qual é a sua avaliação desse período de administração do prefeito Murilo Zauith?

Já faz um bom tempo, e acredito que nos próximos três meses ele vá deslanchar na administração municipal, porque ele está organizando a casa.

 





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