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09/11/2018 13h46

Vice-governador de MG recebeu R$ 15 milhões da JBS, diz Polícia Federal

R7


Atos de vice-governador mineiro foram praticados quando ele era ministro da Agricultura JAQUES DIOGO/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO - 28.03.2016

O vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade, preso nesta sexta-feira (9) pela Polícia Federal em mais um desdobramento da operação Lava Jato, é suspeito de receber R$ 15 milhões da JBS na época em que era ministro da Agricultura (2013-2014), com objetivo de atender aos interesses da empresa dentro do ministério.

 

A informação é da Polícia Federal, que deflagrou hoje a operação Capitu em cinco Estados. Foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e 19 de prisão temporária em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso. Entre os presos estão dois executivos da J&F, Joesley Batista (dono da empresa) e Demilton de Castro, além do ex-executivo Ricardo Saud.

 

O delegado Mario Veloso Aguiar, da PF de Minas Gerais, afirmou em entrevista coletiva que os R$ 15 milhões recebidos por Andrade foram distribuídos para parlamentares da bancada do MDB de Minas Gerais.

 

De acordo com as investigações, que correm em sigilo, os R$ 15 milhões eram parte de um total de R$ 30 milhões pagos inicialmente ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ), que está preso em Curitiba (PR). O valor inicial teria sido pago pela JBS a pedido de Cunha para financiar a campanha dele à Presidência da Câmara dos Deputados em 2015.

 

Quando Andrade deixou o ministério da Agricultura em março de 2014, para se candidatar a vice-governador de Minas Gerais, o novo ministro, Neri Geller (PP-MT), continuou recebendo recursos para favorecer a JBS. De acordo com as investigações da Polícia Federal, ele recebia um pagamento mensal de R$ 250 mil. A PF não informou o montante total de pagamentos.

 

As revelações foram feitas pelo doleiro e delator Lucio Bolonha Funaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar após se tornar um colaborador da operação Lava Jato.

 

Em troca pelos pagamentos, a Polícia Federal afirma que o grupo político de Andrade e Geller garantiram atos normativos dentro do ministério que favoreceram a JBS. Entre as decisões tomadas se destacam a regulamentação da exportação de despojos, que, segundo a PF, favoreceu a formação de um monopóio pela JBS em detrimento de pequenos produtores. A proibição do uso do medicamento ivermectina de longa duração (antiparasitário aplicado em bovinos) e a tentativa de federalização das inspeções de frigoríficos foram outras duas medidas tomadas supostamente para favorecimento da JBS.

 

A PF ainda identificou o pagamento de R$ 2 milhões para a regulamentação da exportação de despojos e R$ 5 milhões pela proibição do ivermectina.

 

Para fazer chegar o dinheiro aos políticos e seus operadores financeiros, a JBS utilizou duas redes de supermercados e seis escritórios de advocacia, com quem, segundo as investigações, eram firmados contratos fictícios.

 

Defesa

A JBS não emitiu nenhum posicionamento até a publicação desta reportagem. Em contato com o R7, o advogado André Callegari afirmou que "Joesley Batista é colaborador da Justiça e tem cumprido à risca essa função. Portanto, causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração. A prisão é temporária e ele vai prestar todos os esclarecimentos necessários".

 

Sobre os executivos da J&F, o advogado Pierpaolo Bottini afirmou que "a investigação só existe porque os executivos da J&F colaboraram com a justiça. O acordo segue vigente. Joesley, Saud e Demilton já depuseram, cada um deles, três vezes na Justiça, e nunca se recusaram a colaborar. Esperamos que a prisão seja revogada assim que esclarecidos os fatos".

 

A defesa de Antônio Andrade afirma que “haverá manifestação tão logo a defesa tome conhecimento do conteúdo do inquérito. Durante o depoimento, Antônio Andrade respondeu tudo o que lhe foi perguntado e colaborou com o trabalho da Polícia Federal”.

 

O MDB de Minas Gerais e o ex-ministro da Agricultura Neri Geller foram procurados, mas não se posicionaram até a publicação deste texto.





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