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Política

PSDB resolve reagir a provoações do presidente Lula

| CORREIO


Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotar a figura do capoeirista e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, lançar a antiga estratégia do medo, o PSDB reagiu. Partiu para o ataque escolhendo como alvos o que eles veem como problemas acumulados em rodovias, aeroportos, ferrovias, portos e na inabilidade política da pré-candidata petista.


Os tucanos escolheram a dedo os adjetivos sobre a chefe da Casa Civil. Candidata pesada, sem discurso, inábil e um mistério fabricado pelo presidente Lula. "A Dilma virou candidata de repente tirada do bolso do Lula. Ela é uma candidata que ninguém conhece e eles querem fazer conhecida em seis meses, um ano", disse o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
 

O comentário deve-se à tentativa de Lula e Dilma de colar no PSDB o selo do medo, num repeteco da campanha de 2002, quando os tucanos usaram a estratégia contra Lula. Estimulados pela entrevista do presidente tucano, senador Sérgio Guerra (PE), à revista Veja, os petistas passaram a disseminar que, no poder, o governador de São Paulo, José Serra, acabará com algumas conquistas do atual governo. À publicação, o senador pernambucano disse que faria uma ampla mudança nas políticas econômica e monetária, além de alterar o câmbio. Não bastasse isso, defendeu o fim do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal bandeira de Dilma como candidata.
 

Os correligionários de Guerra reforçaram o ataque. "A crítica ao PAC não é exagerada. É uma sigla que serve ao marketing governista, sequer é uma revolução administrativa. É uma decepção do governo, basta ver os números irrisórios que apresenta. O PAC é um balão que inchou, explodiu e não subiu", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
 

A ministra Dilma, em visita ao Maranhão, lamentou a declaração de Guerra, dizendo ser "estarrecedor" propor o fim do principal programa de infraestrutura do governo por %u201Cquestões político-eleitorais. "Foi durante o governo do PSDB, do presidente Fernando Henrique Cardoso, que pouco se investiu em infraestrutura nesse país", disse a petista.
 

A ministra entrou no ritmo dos ataques durante evento para lançamento da pedra fundamental de uma refinaria da Petrobras em Bacabeira (MA), no primeiro evento fora de Brasília dela este ano com o presidente Lula e toda a trupe de políticos aliados maranhenses: a governadora Roseana Sarney (PMDB), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB).
 

O PSDB enxergou nos recentes movimentos retóricos do governo uma tentativa de encontrar um discurso de candidata para a ministra. "O governo está esquizofrênico. Uma hora faz um discurso ufanista, noutra do medo. Está perdido e nervoso porque a Dilma é uma candidata pesada. A ministra está testando discurso porque até agora nenhum empolgou", disse o secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro.
 

1 - Capoeirista

O presidente Lula disse estar preparado como um capoeirista caso seus adversários escolham uma tática agressiva. O governador de São Paulo, José Serra, disse que não fará uma campanha de ataque. Os papéis parecem estar invertidos com os da campanha de 2002, quando Lula adotou como mote %u201CPaz e Amor%u201D. Depois do tom agressivo, os petistas tentaram amenizar o discurso e dizer que Lula havia lamentado ter dito que, "na ausência do discurso programático, vale chutar do peito para cima".
 

Longe do desgaste

Ricardo Brito

O governador de São Paulo, José Serra, não vai se envolver diretamente nas articulações para obter palanques regionais para sua campanha presidencial. Serra só agirá como árbitro nos estados onde possa haver a possibilidade de a oposição ter mais de um candidato a governador. É o caso da Paraíba, estado em que o senador Cícero Lucena (PSDB) quer se viabilizar concorrente contra a opção pelo ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), defensor do apoio ao prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB). Tucanos da direção nacional apostam na composição com o socialista por acreditarem que agregam mais forças políticas no estado.
 

Nem a conversa do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), com Cícero e Cássio na última quinta-feira resolveu o impasse. Segundo interlocutores, Serra telefonará até o fim do mês para ambos a fim de debelar a briga %u2014 a tendência é que abençoe a solução de Cássio, que, apesar de cassado pelo TSE, tem apresentado boas intenções de voto para o Senado. É o único estado em que os coordenadores de campanha têm encontrado atritos intransponíveis.
 

A estratégia global é ter um palanque eleitoral por estado, seja com candidato próprio ao governo ou com concorrente que ceda parte da estrutura de campanha a Serra. Os tucanos querem evitar o custo de ter palanques duplos em outubro. Por isso, já fecharam acordos em estados em que tal situação poderia ocorrer, como Bahia e Sergipe, respectivamente com os ex-governadores Paulo Souto (DEM) e João Alves (DEM).
 

Nos estados, as alianças políticas estão sendo costuradas preferencialmente entre PSDB, DEM e PPS, mas há também acertos com PSB, PR, PDT e PTB. Mesmo o PV tendo a senadora Marina Silva como pré-candidata a presidente, os tucanos contabilizam ainda o palanque do partido no Rio de Janeiro, com a candidatura a governo do deputado Fernando Gabeira.

 


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