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catástrofe

Incêndios avançam na Austrália e número de mortos sobe para 23

No sábado (4), sob ventos fortes e máximas chegando a quase 50 graus em alguns pontos, as equipes tiveram que elevar o alerta para o nível de emergência em mais de 20 focos


Árvores queimadas por incêndio em Nova Gales do Sul, na Austrália EFE/EPA/DEAN LEWINS AUSTRALIA AND NEW ZEALAND OUT

Cerca de 200 incêndios ainda avançam neste domingo (5) pelo sudeste da Austrália, onde as autoridades avaliam os danos da véspera, dia considerado catastrófico e que elevou o número de mortos no país para 23. Enquanto isso, crescem as críticas à gestão de crise do primeiro-ministro Scott Morrison.

A queda de quase 20 graus na temperatura deu uma trégua aos bombeiros. No sábado (4), sob ventos fortes e máximas chegando a quase 50 graus em alguns pontos, as equipes tiveram que elevar o alerta para o nível de emergência em mais de 20 focos.

No entanto, a situação continua complicada em lugares como Eden, uma cidade no sul de Nova Gales do Sul, onde os residentes foram convocados a procurar abrigo em estruturas sólidas devido à proximidade das chamas, que deixaram o céu com cor vermelho escuro.

Eden fica a menos de 60 quilômetros de Mallacoota, uma cidade costeira no Estado de Victoria, de onde 4 mil pessoas cercadas pelo fogo na praia foram retiradas por barcos da Marinha.

Um morto e casas queimadas

Enquanto contatam os afetados e estabelecem a extensão dos danos, as autoridades confirmaram a morte da 23ª vítima desde setembro — a maioria delas contabilizada na última semana de 2019.

A morte mais recente aconteceu neste sábado (5), quando uma pessoa sofreu um ataque cardíaco enquanto ajudava um amigo a conter o incêndio perto da cidade de Batlow, a cerca de 460 quilômetros a sudoeste de Sydney, como confirmou a chefe do governo do Estado de Nova Gales do Sul, Gladys Berijiklian.

"Nosso foco imediato hoje não é apenas conter e controlar (os incêndios) e proteger vidas, mas também se concentrará na recuperação. Sabemos que há muitos deslocados e desabrigados", declarou Berijiklian.

Em Nova Gales do Sul, os bombeiros temem que centenas de casas tenham sido queimadas, somando-se às mais de 1,5 residências destruídas desde setembro, quase 500 delas na última semana.

"Confirmamos que 60 casas foram perdidas, mas sabemos que esse número é maior", declarou o comissário-adjunto dos bombeiros do Estado, Rob Rogers.

Rogers disse, ainda, que o incêndio causou danos significativos à infraestrutura da Central Eléctrica de Snowy, levando as autoridades de Nova Gales do Sul a apelar à população para reduzir o consumo de eletricidade.

As seguradoras acreditam que os danos acumulados dos incêndios em mais de 430 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 1,2 bilhão). O fogo criou uma espessa nuvem de fumaça que obrigou a Qantas Airlines a suspender os voos no Aeroporto de Camberra.

A Nova Zelândia também foi afetada. Nesse país, a fumaça deixou o céu vermelho e causou problemas respiratórios para várias pessoas em Auckland, localizada a mais de 2 mil quilômetros da Austrália.

Críticas ao primeiro-ministro

Enquanto os bombeiros trabalhavam para conter as chamas que ardem há meses e queimaram uma área equivalente ao Estado da Paraíba, o primeiro-ministro teve que trabalhar duro neste domingo (5) para amenizar as críticas à sua gestão nesta crise.

A última fonte de controvérsia foi o anúncio neste sábado (5) da mobilização de 3 mil reservistas e da liberação de orçamento extra para o aluguel de quatro hidroaviões e a sua utilização em um anúncio publicitário.

O comissário dos Bombeiros Rurais de Nova Gales do Sul, Shane Fitzsimmons, expressou publicamente desapontamento e frustração por saber pela imprensa da decisão, segundo ele tomada em meio aos piores dias vividos pela região.

Morrison reagiu com uma aparição pública com Fitzsimmons, a quem elogiou e pediu desculpas pelo que chamou de "falha de comunicação". Um erro que ele prometeu resolver. Sobre a peça publicitária, o premiê alegou que a intenção foi comunicar o que o governo tem feito com os recursos públicos.

"Muita culpa foi atribuída, mas agora é hora de pôr em foco a resposta que está sendo dada. A culpa não ajuda ninguém, e analisar estas coisas em excesso não é produtivo", considerou.

As críticas dos últimos dias se juntam às recebidas por Morrison por ter saído de férias e viajado para o Havaí em meio à crise antes do Natal. Além disso, na visita do premiê às áreas afetadas, algumas pessoas se recusaram a cumprimentá-lo, e os mais exaltados o insultaram.


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