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Decisão de Trump de suspender financiamento à OMS é duramente criticada

Há vários dias, Washington critica com veemência a atitude da agência da ONU e considera que a OMS se mostrou muito benevolente com Pequim

| VEJA


Foto: Jonathan Ernst/Reuters

A decisão do presidente Donald Trump de suspender a contribuição financeira americana à Organização Mundial da Saúde (OMS) é duramente criticada pela China, por países europeus e por lideranças da área médica e científica em todo o mundo. O chefe da Organização das Nações Unidas (ONU) também lamentou a ação.

Há vários dias, Washington critica com veemência a atitude da agência da ONU com sede em Genebra e considera que a OMS se mostrou muito benevolente com Pequim. Nesta terça-feira 14, Trump anunciou a suspensão do financiamento americano à OMS devido a sua “má gestão” da pandemia do novo coronavírus.

A China afirmou que está “profundamente preocupada” com o anúncio do  presidente americano. “Esta decisão vai reduzir a capacidade da OMS e minar a cooperação internacional contra a epidemia”, lamentou Zhao Lijian, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores

Zhao pediu ao governo dos Estados Unidos que “assuma suas responsabilidades e obrigações com seriedade e apoie as ações internacionais lideradas pela OMS para aliviar esta pandemia”.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, criticou a decisão dos Estados Unidos. “Lamento profundamente a decisão dos Estados Unidos de suspender o financiamento da OMS. Não há nenhuma razão que justifique este movimento em um momento no qual os esforços são mais necessários do que nunca”, afirmou o espanhol.

A Alemanha também criticou a decisão do governo americano. “Devemos trabalhar juntos contra a COVID-19. Um dos melhores investimentos é reforçar as Nações Unidas, sobretudo a OMS, que tem pouco orçamento, por exemplo, para desenvolver e distribuir testes e vacinas”, afirmou no Twitter o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas.

No atual contexto de saúde, “culpar não ajuda”, completou o chefe da diplomacia alemã, antes de destacar que “o vírus não conhece fronteiras”.

Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que este “não é o momento” para cortar o financiamento. “Depois que finalmente virarmos a página dessa epidemia, é preciso tempo para olharmos para trás, para entendermos como essa doença surgiu e se espalhou tão rapidamente em todo o mundo, e como todos os envolvidos reagiram à crise”, disse.

Especialistas da comunidade médica e científica também lamentaram a decisão americana. Richard Horton, editor-chefe da revista médica Lancet, escreveu que a medida tomada por Trump é “um crime contra a humanidade”. “Todo cientista, todo profissional de saúde, todo cidadão deve resistir e se rebelar contra essa terrível traição à solidariedade global”, afirmou.

“Se a OMS tivesse feito o seu trabalho de levar especialistas médicos à China para avaliar objetivamente a situação no terreno e denunciar a falta de transparência da China, o surto poderia ter sido contido em sua fonte com poucas mortes”, declarou Trump na terça-feira. O presidente americano afirmou que os Estados Unidos pagam entre “400 e 500 milhões de dólares por ano” à organização, contra 40 milhões de dólares “ou inclusive menos” pagos pela China.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, afirmou que Washington deseja “mudar radicalmente” o funcionamento da organização. “No passado, a OMS fez seu trabalho. Mas desta vez, infelizmente, não está fazendo um bom trabalho e temos que pressionar para mudar radicalmente isto”, disse.


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