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Exemplo

Fechado e parado, Paraguai teve oito mortes; isolamento social fez sucesso em seis países

Entre eles, Alemanha, Índia, Dinamarca, Paraguai, Rússia e Uruguai seguiram a recomendação da OMS de impor o distanciamento físico

| O JACARé/SANDRA LUZ


Paraguai impôs controle rigoroso e adotou medidas antes da OMS considerar a Covid-19 uma pandemia (Foto: Divulgação)

O mundo atingiu a marca de 2 milhões de infecções por SARS-Cov-2, o coronavírus causador da covid-19 – doença que matou 137 mil pessoas no espaço de quatro meses – e ainda há dúvidas e questionamentos sobre a eficácia do distanciamento físico. A medida foi recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como estratégia de manejo das infecções até a distribuição generalizada de imunização contra o vírus.

Testes para a vacina, contudo, ainda não começaram em humanos e não há consenso sobre medicamentos eficazes para o tratamento da doença. Ainda assim, há países que conseguiram reduzir as transmissões e planejam, de maneira controlada, permitir a retomada das atividades econômicas.

O Jacaré analisou a resposta sanitária de seis países e os pontos em comum para reduzir o contágio e a quantidade de mortes, situações consideradas inevitáveis pela OMS quando, em 11 de março, classificou como pandemia o surto da infecção por coronavírus que se espalhou a partir da China. Desde então, o vírus foi registrado em 213 países.

Entre eles, Alemanha, Índia, Dinamarca, Paraguai, Rússia e Uruguai seguiram a recomendação da OMS de impor o distanciamento físico, a partir da experiência vivida na China. Em comum, todos os gestores consideraram a pandemia uma ameaça real às populações e criaram protocolos de controle baseados no modelo da OMS.

Os protocolos são divididos em três fases de manejo epidemiológico: preparação, contenção e mitigação (alívio). Na fase de preparação foram estimados insumos físicos e materiais, mapeada a rede de atendimento, conhecido o orçamento e, depois, elaborada a lista de necessidades para enfrentar a doença. A contenção inclui o enfrentamento direto da doença, a imposição do distanciamento físico, o fechamento das atividades não essenciais e o acompanhamento do trabalho nos centros sociais e de saúde. Por fim, a mitigação, corresponde ao controle dos casos. Hoje, somente a China está na fase de mitigação e países que ainda não a atingiram planejam a retomada das atividades de maneira controlada, mesmo sob o alerta da OMS.

A experiência chinesa é considerada fundamental para o trabalho dos demais países. Na China, os primeiros casos oficiais estão registrados desde dezembro de 2019, e foram necessários dois meses de contenção para chegar à fase de mitigação. Hoje, o sistema de saúde chinês controla 4,4 mil pacientes que testaram positivo, mas estão assintomáticos, monitora os casos chamados importados (de quem chega ao país e está contaminado) e reforça o trabalho de auxílio aos países atingidos. Até chegar a esse ponto, foram registradas 84.489 pessoas infectadas e 3.342 mortes.

Como o vírus continua ativo na China, quem tem o teste positivo é mantido em quarentena compulsória em hospitais. E o termo “quarentena' é utilizado nessa condição. Para a população obrigada a ficar em casa, é utilizada a expressão isolamento físico ou social. A medida implicou o bloqueio total das atividades na China, sob pena de multa para descumprimentos, nos casos extremos, prisão.

Apenas os serviços essenciais foram mantidos, e neles não estão incluídos igrejas, parques públicos ou restaurantes. Os trabalhadores receberam auxílio para trabalharem desde casa e, agora, na fase de mitigação, as empresas recebem orientações para manter o fluxo de caixa.

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As autoridades sanitárias paraguaias estão entre as primeiras na América Latina a implantar um cronograma de gestão da crise causada pela pandemia de covid-19. O primeiro decreto de manejo sanitário da doença foi assinado pelo ministro da saúde Julio Daniel Mezzoleni Insfran em 28 de fevereiro. Além do estabelecimento de um “Centro de Operações de Emergência para Resposta à Eventual Pandemia de Coronavírus (Covid-19)', o documento divulgava um calendário onde eram detalhadas as ações nas fases de preparação, contenção e mitigação da doença.

Quando houve o reconhecimento por parte da OMS de uma pandemia, o Paraguai já estava à frente dos vizinhos. Fechou de maneira radical as fronteiras, mandou cavar valetas para evitar o trânsito e surpreendeu pela eficiência. No país há 161 casos e oito mortes. Por enquanto, não há registro de reabertura das fronteiras ou liberação do trânsito.

Entre as medidas dentro do território paraguaio, estão a imposição do distanciamento físico, a recomendação do uso de máscaras faciais em público e o deslocamento justificado da população – só podem sair às ruas pessoas ao trabalho ou para a realização de atividades breves, como compras de alimento e medicamento. O governo paraguaio instituiu uma rede de 20 laboratórios para a realização de testes e manteve o cronograma de vacinação contra a influenza a partir de agendamento dos pacientes. Com essa medida, filas e aglomerações foram evitadas.

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A partir da experiência chinesa, o governo da Rússia iniciou em janeiro a implantação de um sistema de manejo sanitário em resposta à pandemia e em fevereiro impôs o bloqueio à população. O isolamento físico foi imposto com medidas que passavam por multa e prisão. O Ministério da Saúde da Rússia determinou, ainda, que pessoas sintomáticas deveriam cumprir quarentena em ambiente hospitalar, sob pena de responder por danos ao estado e à população por tentativa de assassinato. Ainda no mês de fevereiro, a fronteira com a China foi fechada e houve bloqueio total da entrada para estrangeiros na primeira quinzena de março.

A Rússia também implantou o sistema de monitoramento da rede de contatos dos pacientes, fossem eles sintomáticos ou não. Quando uma pessoa tinha o teste positivo para o SARS-Cov-2, todas as pessoas com quem teve algum tipo de contato foram monitoradas em tempo real. O monitoramento é mantido também aos doentes, que têm o quadro avaliado em tempo real por uma rede dinâmica e aberta aos profissionais de saúde. Até a primeira semana de março, os casos registrados na Rússia eram considerados importados. Hoje, são 24.490 infecções e 198 mortes.

Devido aos registros, o presidente Vladimir Putin, manteve as medidas restritivas de circulação e instituiu renda universal básica para todos os trabalhadores no decorrer de nove meses. Foram interrompidas as cobranças de juros nos empréstimos bancários, bem como as faturas de serviços essenciais. Ainda não há prazo para a reabertura da Rússia e o fim da imposição de isolamento físico para a população.

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O governo da Índia mantém uma das maiores populações do mundo em quarentena até 3 de maio. No país foram registradas 11.933 infecções e 399 mortes oficiais, números que o governo não desconsiderou para o universo de 1,3 bilhão de habitantes. Em pronunciamento na televisão, o primeiro ministro Narendra Modi revelou a abertura de pontos de acesso entre os estados a partir de 20 de abril. A medida, porém, vai contar com a supervisão do governo, que manteve as atividades essenciais, como a agricultura, a indústria médica e a rede hoteleira em serviço dos profissionais de saúde atuantes no atendimento de pacientes com covid-19. Também permaneceram ativos os serviços de instituição financeiros.

Para a circulação da população, o governo indiano impôs o uso de máscaras faciais e, ainda, exigiu documentos para justificar a locomoção. Por decreto do governo, a desobediência é punida com “medidas penais estritas'. A Índia ainda destacou o Departamento de Ciência e Tecnologia para criar uma plataforma geoespacial cuja função é munir os governadores de informações necessárias ao planejamento de ações estratégicas.

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A Alemanha é sempre citada com um caso curioso em que a quantidade de infecções é elevada na comparação às mortes por covid-19. São 134 mil infecções e 3,8 mil mortes, conforme o Ministério da Saúde Alemão. Entre as explicações para a diferença, não registrada na maioria dos países, está a elevada disponibilidade de testes, controle da população sintomática e oferta de leitos de alta complexidade em hospitais públicos.

Também na Alemanha foi decretada em meados de março o distanciamento físico, com a proibição de reuniões com mais de duas pessoas que não fossem da mesma família.

Nessa fase, o governo alemão mantém rigorosa rotina de testagem em áreas consideradas vulneráveis. Todos os lares (como são chamados os asilos para idosos) são visitados duas vezes por semana para a realização de testes em moradores e funcionários. Pessoas que tiverem o resultado positivo são levadas para acompanhamento em ambiente hospitalar, estratégia que bloqueia o contágio no ambiente dos asilos, locais que registram a maior quantidade de mortes por coronavírus na Itália, Espanha, Portugal e Estados Unidos.

Agora, a Alemanha planeja a retomada das aulas para 4 de maio e discute a possibilidade de impor o uso de máscaras em público, medida ainda vista com reservas pelas autoridades de saúde locais.

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A Dinamarca foi um dos primeiros países a impor restrições de contato à população como forma de reduzir as infecções por SARS-Cov-2. As medidas foram tomadas entre 14 e 18 de março e previam o banimento de reuniões com mais de dez pessoas, o fechamento de todos os espaços públicos e imposição de multas emitidas pela polícia. Agora, esse também é o primeiro país europeu a apresentar um calendário de retomada das atividades. As autoridades de saúde dinamarquesas registraram 11.933 infecções e 399 mortes por covid-19 e, diante da estatística, o governo considerou pertinente a retomada das atividades ainda em abril.

Entre os países europeus, a Dinamarca foi o primeiro a retomar as aulas, o que ocorreu logo após as férias de Páscoa. As autoridades de saúde locais anunciaram as datas para a reabertura gradual e cautelosa do país. As medidas são aplicadas em paralelo a ações profiláticas, como o reforço da higienização de espaços públicos e da realização de testes para controle do ritmo da infecção. Após as escolas, serão reativadas na totalidade as atividades do transporte coletivo. As fronteiras permanecem fechadas até 10 de maio e quem chegar ao país deverá permanecer em quarentena monitorada.

Espaços de lazer, instalações esportivas, bibliotecas, cinemas, cafés, restaurantes, shoppings centers e comunidades religiosas também permanecem fechadas até 10 de maio. Eventos de grande porte só poderão acontecer após 31 de agosto. Quanto às profissões que apontam o contato direto com o corpo do cliente, mas não são consideradas essenciais, nomeadamente a cosmetologia, o funcionamento só será permitido a partir de 10 de maio.

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Os trabalhos de avaliação de risco das contaminações por SARS-Cov-2 na população uruguaia começaram no início de março, antes do reconhecimento da pandemia de covid-19 pela OMS. Em 9 de março, o governo do Uruguai assinou o primeiro documento para prever a resposta sanitária a partir das recomendações da OMS. Também em março foi decretado o isolamento físico da população, fechamento de fronteiras e trânsito sob justificativa. Há um sítio no site do Ministério da Saúde onde os cidadãos devem informar os motivos de locomoções. Desobediências são multadas ou punidas.

No plano de ação, a saúde instituiu diretrizes coordenadas com as regiões, monitorou os casos positivos e conexões e, ainda, convocou médicos aposentados para atuar em ações educativas e de telemedicina. Para evitar deslocamentos às unidades de saúde, o governo agendou a aplicação de vacinas e manteve o calendário de imunização contra a influenza.

Agora, com o registro oficial de 553 casos e oito óbitos por covid-19, o governo uruguaio planeja a retomada controlada das atividades. As atividades voltarão, em princípio, nas escolas de áreas rurais não atingidas pela pandemia. Os setores essenciais da economia não pararam e os demais serão reativados após avaliação do governo.


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