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Pesquisador de 16 anos representa MS na maior Feira de Ciências do Mundo

| G1 MS


Fabrício Pupo Antunes, de 16 anos, leva projeto sobre gênero e sexualidade nas escolas para maior feira de ciências do mundo — Foto: Fabrício Antunes/Arquivo Pessoal

O pesquisador sul-mato-grossense Fabrício Pupo Antunes, de 16 anos, participa, a partir desta segunda-feira (18), da Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), considerada a maior feira de ciências do mundo, com 1.800 pesquisadores de diversos países. O trabalho do jovem foi um dos apenas 9 projetos brasileiros que estarão na feira.

Fabrício, que é membro do "Impróprias" - Grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferenças da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - e bolsista de iniciação cientifica júnior da Universidade de São Paulo (USP), apresentará na ISEF uma pesquisa sobre a percepção e desafios de professores e professoras diante da produção das identidades de jovens LGBT.

"Recolhi relatos de professores por meio do blog Transidentidades e sob orientação do Prof. Dr. Tiago Duque realizei análise dos relatos, tomando como referência textos de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Judith Butler", conta o jovem pesquisador.

Fabrício é considerado um prodígio nas ciências sociais de Mato Grosso do Sul e já teve trabalhos sobre gênero e sexualidade reconhecidos nacional e internacionalmente. Para participar da ISEF, ele conquistou o credenciamento por meio de uma das maiores feiras científicas do Brasil: a Mostratec, onde o projeto ganhou o primeiro lugar em Ciências Humanas.

"Foi uma grande realização o credenciamento da pesquisa. Para além da importância da feira, pois é a maior do mundo, levar um projeto de Ciências Humanas e sobre um tema considerado ainda polêmico por muitos, é sempre gratificante", afirma.

O pesquisador começou a trabalhar com os temas de gênero e sexualidade fazendo uma análise literária da obra "A Garota Dinamarquesa", do autor David Ebershoff. Após uma troca de e-mails, Fabrício, inclusive, foi o principal responsável por trazer Ebershoff à capital sul-mato-grossense, no ano passado.

"Ter acesso a história de Lili Elbe (da obra "A Garota Dinamarquesa") me motivou a buscar relatos de jovens aqui de Mato Grosso do Sul e suas experiências em relação a gênero e sexualidade nas escolas, que foi minha segunda pesquisa. Depois dela, também senti a necessidade de ouvir os professores - no caso esta terceira pesquisa", diz o pesquisador.

Fabrício conta que, desde então, tem participado de feiras científicas no Brasil e no Mundo. No ano passado, ele foi até a Dinamarca a convite da Universidade de Aarhus e das organizações LGBT Danmark e Copenhagen Pride para apresentar suas pesquisas de gênero.

A ISEF seria realizada em Anaheim, na Califórnia. A feira presencial foi cancelada devido a pandemia do novo coronavírus, mas isso não desanimou o jovem pesquisador. "Foi triste, mas perfeitamente compreensível. A organização da ISEF planejou diversas atividades para colocar os finalistas em contato com cientistas e prêmios Nobel, além de estarmos trocando emails e contando experiências com outros finalistas enquanto jovens pesquisadores. Está sendo incrível, mesmo a distância", reitera.

A feira, que se inicia nesta segunda-feira, dura até a próxima sexta-feira (22). É possível participar de painéis e visitar salas com projetos de diferentes áreas online, por meio deste link. A ampliação do público também agrada Fabrício. "Por ser virtual, acredito que o acesso pode ser maior. Com isso, mais jovens podem ter contato com o evento e se interessar em desenvolver projetos e participar de pesquisas acadêmicas", afirma.

Com mais uma grande feira de ciências internacional no currículo e ainda cursando o Ensino Médio, Fabrício se permite sonhar alto. "Pretendo fazer Ciências Sociais e continuar pesquisando na área de gênero e sexualidade. Quero aprofundar minhas pesquisas na área da educação e trabalhar para que a pesquisa seja de melhor acesso para todos.

Ainda temos muito que avançar para que mulheres, jovens negros, LGBT e indígenas possam ter melhores oportunidades de estudo e pesquisa. A educação precisa ser mais democrática", finaliza.


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