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Trump ameaça cortar de vez fundos da OMS e deixar a instituição

Este é mais um episódio na escalada de ataques da Casa Branca à organização, que é alvo de críticas norte-americanas

| R7.COM


Trump enviou carta ao diretor-geral da OMS com ameaça de sair da instituição. Foto: Doug Mills / Pool via EFE-EPA - 18.5.2020

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou cortar permanentemente os repasses para a OMS (Organização Mundial de Saúde) — agora suspensos — e com a possível saída de seu país da lista de membros da instituição multilateral. Este é mais um episódio na escalada de ataques da Casa Branca à organização, que é alvo de críticas norte-americanas por conta da gestão da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

"Se a OMS não se comprometer com melhorias significativas significativas nos próximos 30 dias, tornarei minha suspensão temporária de fundos à OMS permanente e reconsiderarei nossa participação na agência", alertou Trump em uma carta ao diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgada na segunda-feira (18).

Na carta de quatro páginas, Trump anunciou que seu governo e Tedros "já começaram negociações sobre como reformar a organização", mas acrescentou que "não há tempo a perder" e que "é necessário agir rapidamente".

Trump diz que OMS tem de se afastar da China
O presidente dos EUA condenou o que, na sua opinião, é "uma alarmante falta de independência da OMS da China" e explicou que as reformas que Washington está pedindo passam pela desassociação entre a organização e Pequim.

"O único caminho a seguir para a OMS é ela ser realmente capaz de demonstrar independência da China", disse Trump na carta, que compila uma lista de queixas dirigidas a Pequim e Tedros pelo gerenciamento da pandemia de coronavírus.

Trump ordenou em 14 de abril que congelasse os fundos que os Estados Unidos, como principal doador, repassam para a OMS, enquanto analisava o papel da agência no que ele definiu como "má administração e encobrimento graves da expansão do coronavírus".

Na carta endereçada a Tedros na segunda-feira, Trump diz que esta "revisão" foi concluída e que os Estados Unidos "confirmaram muitos dos sérios problemas" que haviam levantado.

Cruzada contra a OMS e ataques ao multilateralismo
Dessa maneira, Trump redobrou sua cruzada contra a OMS no dia em que os Estados Unidos excederam 90.000 mortes por coronavírus e mais de 1,5 milhão de casos confirmados, tornando-se o país mais afetado de longe pela pandemia.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que quando Trump lançou sua ofensiva contra a OMS há um mês, não seria o momento de questionar a agência ou cortar seus recursos.

"Depois de virar a página sobre essa epidemia, deve haver um momento para olhar para trás e entender como essa doença surgiu e como sua devastação se espalhou tão rapidamente por todo o mundo, e como todos os envolvidos reagiram à crise. Mas agora não é esse momento ", disse Guterres na ocasião.

Quando do anúncio da suspensão dos repasses à OMS, os demais principais doadores da organização — União Europeia, Rússia e a própria China — criticaram a decisão dos EUA.

Ao longo de mais de três anos na Casa Branca, Trump coleciona uma série de ataques a organismos multilaterais. Ele não hesitou em romper o consenso internacional ao retirar os Estados Unidos da Unesco, do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, do Acordo de Paris sobre a Crise Climática ou encerrar unilateralmente o pacto nuclear com o Irã.


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