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leão de recife

Dívidas vira drama do Sport no ano de volta à Série A

| ESPN


Guilherme comemora seu gol pelo Sport sobre a Ponte Preta.Foto: Gazeta Press

O 2020 do Sport, ano em que o campeão brasileiro de 1987 voltará a jogar a primeira divisão, promete ser muito complicado financeiramente.

A volta do Leão à elite do futebol para 2020 era uma pedra de responsabilidade da gestão do presidente Milton Bivar, eleito no fim de 2018. A outra era equilibrar o caixa. Metade do plano foi cumprida.

Não bastasse a necessidade de sanar dívidas herdadas de gestões passadas, o clube de Recife teve receitas menores em 2019, como é normal quando se joga a segunda divisão.

E tem dívidas de R$ 145 milhões para sanar até o fim deste ano - decorrentes de motivos diferentes, como transações malfeitas, questões tributárias e dívidas com jogadores que deixaram o clube, entre outras.

Guilherme comemora seu gol pelo Sport sobre a Ponte Preta Gazeta Press
Com aumento de arrecadação com TV, bilheterias, patrocínio e sócio-torcedor projetado para 2020, a situação seguiria difícil, mas até certo ponto sustentável. Mas agora...

“Quando a gente estava se animando, veio a pandemia”, disse Bivar, em entrevista ao ESPN.com.br. “Foi uma ducha de água fria”.

A receita de 2019 do clube foi a menor de uma série histórica iniciada em 2011. Considerado o valor bruto, sem descontos, caiu dos R$ 105 milhões de 2018 para pouco mais de um terço disso, R$ 39 milhões.

O déficit de 2019 foi de 22,5 milhões, ante R$ 14,3 milhões em 2018. O passivo total caiu, mas ainda pouco, diante de seu valor: foi de R$ 193 milhões para R$ 189,5 milhões.

Salários em aberto
O clube, que quitou há cerca de uma semana os salários de fevereiro, deve março e abril completos. E até por isso, não negocia redução dos próximos vencimentos com os jogadores.

“Não dá para reduzir salários futuros quando ainda se tem salários em aberto”, disse ele, que jura contar com a compreensão dos jogadores. “Há uma relação de confiança mútua entre eles e a direção do clube”, afirma.

Hoje, o Sport vale menos do que deve. É o que mostra o balanço publicado no final de abril. O patrimônio líquido do clube hoje é negativo em R$ 5,9 milhões.

“Estamos vivendo com parte dos direitos de TV”, diz Bivar. A Rede Globo, que exibe o Estadual, suspendeu parte dos pagamentos. “Se a gente não joga, eles não mostram, e também não vão pagar”, diz ele.

Ação e demissões
O clube se movimenta para tentar reverter o quadro.

Ainda em fevereiro, antes da pandemia, fez campanha para atrair novos sócios-torcedores, com descontos de até 50% em alguns planos e de 70% para sócias. Mas, em vez de aumentar, o número de associados caiu de 36,7 mil para 35,1 mil - montante que já deve ser menor hoje.

Lançou também a ação de marketing “Estádio Lotado”, com a qual queria lotar uma “Ilha do Retiro” com um confronto virtual entre o time campeão nacional de 1987 e campeão da Copa do Brasil de 2008.

Teve boa adesão e, com isso, arrecadou cerca de R$ 113 mil, tendo doado cerca de R$ 7 mil para combate à COVID-19 no Estado, um dos mais atingidos.

No início de maio, o clube fez uma série de demissões e reduziu salários usando a Medida Provisória 936. Também decidiu paralisar todas as atividades esportivas, exceto parte das categorias de base e o futebol profissional - que se ao mesmo tempo é caro, também é o maior gerador de renda direta e indireta da agremiação.

O alívio de 40% na folha administrativa que era de R$ 500 mil ajuda, mas não resolve. Ainda mais levando-se em conta a projeção de que não deve haver receitas com bilheterias na temporada. Assim, o clube não descarta novas demissões num futuro próximo.

O dilema do Sport hoje é o mesmo da maior parte dos clubes médios e pequenos. Diminuir custos com o futebol pode levar a um elenco menos qualificados, que pode recolocar o time na Série B, onde terá receitas menores e terá que fazer dívidas para voltar à Série A, para gerar mais receitas - mas também gastos.

Algo terá de ser feito para que o clube interrompa esse círculo vicioso. O que vai ser, o presidente Milton Bivar e sua diretoria ainda trabalham para descobrir. Mas a resposta pode estar no campo.

Que ninguém sabe quando os jogadores voltarão a pisar.


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