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Novo diretor

Vim para a Band criar coisas, diz diz Zeca Camargo em entrevista

| VEJA SãO PAULO


Foto: Mariana Godoy/Divulgação

Novo diretor executivo de produção da Band, o jornalista chega à emissora paulistana para cuidar da área de entretenimento depois de 24 anos na Rede Globo.

Como foi o fim do casamento profissional com a Globo depois de 24 anos na emissora?

Foi bastante inesperado. Ouvia falar em reestruturação, mas não podia imaginar que ia chegar a mim. Não acredito que o problema fosse o programa (o É de Casa, levado ao ar aos sábados pela manhã), que vai bem. Foi por uma questão financeira. Era um salário grande. Aliás, só descobri que meu salário era tão grande porque houve o corte. Essa foi a explicação dada e acatei. Não teve espaço para negociação. Ouvi nessa conversa que outros contratos não se- riam renovados. Hoje, acompanhando a Rede Globo pelas redes sociais, isso se cumpriu.

Especularam que o seu salário era de 300 000 reais e que na Band seria de 200 000 reais. É isso mesmo?

Desafio qualquer pessoa que falou do meu salário a provar quanto eu ganho. Está bem abaixo desse valor. São chutes bastante grosseiros. Desde que fui para o entretenimento, passei a receber merchandising. Nem assim. Entre as pessoas com quem trabalhei, não conheço alguém com um salário tão grande.

Como será seu trabalho na Band como diretor executivo de produção?

Uma surpresa enorme esse convite. Depois de trabalhar tantos anos da Globo, a gente pensa “onde vou me encaixar?”. E foram várias propostas, do cabo ao streaming, passando pela internet. Mas acreditava que não ia mais trabalhar em TV aberta (a emissora anunciou que Zeca será responsável pela unificação das plataformas de rádios, tele- visões e digital do grupo). Estou aqui no meu primeiro dia (o contrato foi assinado em 3 de julho e esta entrevista foi dada no dia 6, a última segunda). Vim para a Band para desenvolver ideias, criar coisas, acho que esse é o meu maior talento. Há uma demanda grande de criar um programa de música e novos realities. Tive um bom briefing na semana passada, mas qualquer projeto pensado tem uma variante nova, que é a Covid-19. Para mim, é muito claro que estou na área de entretenimento e qualquer ação no jornalismo será uma colaboração.

Por onde vai começar?

Neste momento, minha primeiríssima missão é resolver o horário da manhã. Ainda não sei se continua o Aqui na Band ou se será um novo programa. Nesse horário, tem de ter a fala do espectador. Acho nobre haver debates, mas é importante incluir o público, chamar a interatividade. Um caminho para a TV aberta é incluir cada vez mais o telespectador. As pessoas gostam de participar, dar palpite no programa.

Você tem uma carreira extensa e vitoriosa tanto no jornalismo quanto no entretenimento. O que ficou na memória do período inicial?

Que saudade tenho dos bloquinhos da Folha (de S.Paulo, onde foi repórter e editor da Ilustrada). Guardei o caderninho do Cazuza, quando ele contou que era soropositivo. Eu era correspondente em Nova York, em 1989, e ele ia sempre para Boston para se tratar. Ele falou pela primeira vez o que todo mundo tinha perguntado, e, anteriormente, sempre negou. Foi a chamada de capa do jornal. Outro dia, achei o bloquinho em que anotei a entrevista com a Annie Lennox, do Eurythmics. Estava tão nervoso que nem entendo minha letra. São só rabiscos. Era pauteiro da Ilustrada e cobri a chegada da MTV. Como escrevia sobre música, me convidaram para fazer um teste para VJ, e foi minha estreia na TV. Foi muito prazeroso entrar pela MTV, que não tinha regras. Tenho de agradecer ao Ivaldo Bertazzo (coreógrafo de cuja companhia de dança Zeca fez parte). Tenho 1,89 metro. Foi ele quem disse que não poderia ignorar o meu tamanho, me colocou num palco. Depois, passei a encarar a câmera como minha plateia.

Como foi a chegada à Globo?

Eu estava na CAPRICHO (da Editora Abril) e fui convidado pelo Luiz Nascimento, então diretor do Fantástico, para ser editor-chefe em São Paulo e fazer algumas reportagens. Nunca imaginei que seria convidado para ter uma posição tão importante no programa, que naquela época tinha uma concorrência forte com a MTV por causa dos lançamentos de clipes. Foram dezessete anos, dos quais fiquei sete full-time na apresentação. Também ajudou ter apresentado o reality No Limite, a partir de julho de 2000. Não dava para imaginar que seria aquele sucesso enorme. A gente não saía do espaço da gravação em Beberibe, no Ceará, e, ao final, quando voltei para São Paulo, fui aplaudido no avião. Virou um assunto nacional e deu pico de 56 pontos de audiência no Ibope. Para evitar que vazasse o resultado, o Carlos Henrique Schroeder (então diretor de jornalismo) me tirou do Brasil e me mandou para a Irlanda. De tão importante, o reality foi capa da VEJA.

Outras recordações desse período?

No Fantástico, entrevistei Madonna, Mick Jagger, Paul McCartney… Nunca tive a sensação de estar fazendo a mesma coisa. E dei voltas ao mundo. O primeiro Diário de Viagem foi em 2004 e era um dos primeiros quadros de interatividade. O público tinha uma participação no conteúdo do programa escolhendo meu próximo destino. E tinha uma dificuldade tecnológica grande. Eu e o cinegrafista mandávamos horas de gravação de cibercafés. Não tem coisa mais importante do que a notícia. Pode parecer lugarcomum, mas os 24 anos na Globo foram muito enriquecedores e divertidos.


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