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Indústria cresce 8,9% em junho, mas não reverte perdas com pandemia

Segundo o IBGE, o avanço no mês de junho foi generalizado em todas as grandes categorias econômicas, e em 24 dos 26 setores pesquisados

| CNN BRASIL


Foto: Washington Alves/Reuters

A economia brasileira tem demonstrado sinais de melhora com a retomada das atividades, após o isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus. Prova disso é que a produção industrial brasileira cresceu 8,9% em junho, quando comparado a maio. É o que mostra a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (04) pelo IBGE. Essa foi a segunda alta consecutiva do setor industrial, mas ainda insuficiente para reverter a perda de 26,6% acumulada entre março e abril. 

Segundo o IBGE, o avanço no mês de junho foi generalizado em todas as grandes categorias econômicas, e em 24 dos 26 setores pesquisados. Entre as atividades que influenciaram a alta, o destaque está para o de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 70% em junho – puxada por carros e caminhões.

O resultado mensal foi o mais elevado desde junho de 2018 (+12,9%), quando o setor retomou a produção logo após a greve dos caminhoneiros, de acordo com o IBGE. Mesmo com o desempenho positivo nos últimos dois meses, a indústria ainda está 27,7% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Em maio e junho, o ganho acumulado foi de 17,9% e o resultado mostra que o setor reverteu o caminho na direção de uma recuperação depois das fortes perdas anteriores em razão das paralisações para contenção do coronavírus. Entretanto, ainda foi insuficiente para reverter a queda acumulada de 26,6% de março e abril.

"A produção industrial ainda está longe de eliminar a perda concentrada nos meses de março e de abril. O saldo negativo desses quatro meses é bastante relevante (-13,5%)”, diz o gerente da pesquisa, André Macedo.

Ainda assim, o segundo trimestre encerrou com recuo de 17,5% em relação aos três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre a queda havia sido de 2,7% sobre os três meses anteriores. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a produção teve queda de 9,0%, no oitavo resultado negativo seguido nessa base de comparação.

Destaques

Em junho, o avanço foi generalizado, com destaque entre as grandes categorias econômicas para a alta de 82,2% na produção de Bens de Consumo Duráveis. Os Bens de Consumo Semi e não Duráveis subiram 6,4%.

Entre as atividades, o destaque partiu de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 70,0%, impulsionada pelo retorno à produção de unidades paralisadas por causa da pandemia.

Também estão entre os destaques de expansão em junho a fabricação de bebidas (19,3%), de indústrias extrativas (5,5%), de produtos de borracha e de material plástico (17,3%) e de outros equipamentos de transporte (141,9%).

Por outro lado, dois ramos produtivos tiveram resultados negativos: produtos alimentícios e de coque e produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, ambos com queda de 1,8%.

A melhora nos dados fez com que economistas e analistas consultados pela pesquisa Focus do Banco Central revisassem, novamente, a previsão para o PIB em 2020. Agora, o mercado espera uma queda de 5,66%. Na pesquisa anterior, a expectativa de retração era de 5,77%. Essa é a quinta semana consecutiva que o mercado melhora a previsão da economia para o ano. 

(Com Reuters) 


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