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Há 10 anos, entidade alerta sobre 'promessas milagrosas' que levam à morte

| CAMPO GRANDE NEWS


Sheyza morreu aos 21 anos, depois de passar por procedimento de aplicação de hidrogel em clínica clandestina no Paraguai. (Foto: Reprodução/Facebook)

Há pelo menos uma década a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Mato Grosso do Sul vê como trágica a situação da fronteira, onde profissionais não habilitados oferecem promessa milagrosa a baixo custo e acabam levando pacientes a óbitos. O último caso, da estudante Sheyza Ayala, de 21 anos, reacende o alerta e a necessidade de buscar um cirurgião plástico para procedimentos.

Sheyza morreu no início desta semana, no Hospital Regional de Ponta Porã, depois de passar por aplicação de hidrogel pela massoterapeuta paraguaia Danilda Victoria Ruiz Díaz Suarez, de 43 anos, em uma clínica clandestina, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A jovem chegou a ser socorrida do lado de lá da fronteira, mas com a gravidade do caso foi transferida para Ponta Porã.

César Benevides é tesoureiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Mato Grosso do Sul.
Tesoureiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional MS, o médico cirurgião plástico, César Anibal Aguiar Benavides fala que o problema não é de agora. "Já estive como presidente da Sociedade duas vezes e devo dizer a você que este é um tipo de situação que enfrentamos há pelo menos 10 anos".

Para a Sociedade, a falta de esclarecimento por parte dos pacientes ou atração pelo baixo preço é o que leva brasileiros a cruzarem a fronteira. "Pacientes saem daqui para Bolívia ou no Paraguai para se submeterem a procedimentos estéticos, o que chama a atenção são as promessas de resultado, as armadilhas que vêm pela internet, prometendo muitas vezes algo que é uma imagem trabalhada", destaca o médico.

A maioria dos casos, segundo a Sociedade, envolvem profissionais não cirurgiões plásticos, sem treinamento que fazem procedimentos em locais sem a mínima segurança. Na situação específica de Sheyza, o procedimento foi aplicação de hidrogel. "É um nome que se elaborou para diminuir e atenuar os efeitos negativos que essa substância, o polimetilmetacrilato, também conhecido como PMMA, tem causado nos últimos anos", ressalta Benavides. "Profissionais inescrupulosos utilizam grandes quantidades deste produto sob a bandeira da cirurgia plástica sem corte", completa.

O hidrogel é usado para preenchimento e aumento de volume de glúteos e coxas, e pode provocar reações intensas. "Pode evoluir para uma necrose da pele e na pior das hipóteses, entrar na circulação e provocar óbito da paciente por embolia", explica o cirurgião.

Em muitos casos, também pode não acontecer nada de imediato, o que não significa que a paciente saiu ilesa do procedimento. "Pode ser que anos depois este produto comece a migrar e endurecer. Não é porque não fez mal logo após a aplicação que não vai causar nada no futuro. Essa substância é uma bomba-relógio", enfatiza Benavides.

Os cirurgiões plásticos mais experientes, de acordo com a Sociedade, não concordam nem com o uso permitido em pequenas doses.

Aos olhos dos especialistas, o perfil da vítima revela o quão atraente tem sido as propagandas, em especial nas redes sociais. "A maioria das pacientes são mais jovens como essa moça e um tempo atrás uma de 24 anos que foi fazer um lipo, teve uma embolia e morreu".

A orientação, segundo Benevides é de buscar um profissional credenciado à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. "E pesquisem, pesquisem as referências do profissional para o qual você vai entregar a vida, porque quando você se submete a procedimentos cirúrgicos,  está entregando a vida. Todo procedimento possui risco", alerta.

O médico também fala que os pacientes precisam saber dos riscos e não só receberem o "lado florido" da questão e nem se deixarem seduzir por uma imagem.

Sobre o procedimento acontecer do outro lado da froteira, César Benavides descreve como difícil por não ahver nenhuma forma de bloquear a ação destes profissionais. "Os pacientes precisam denunciar essas medidas, um médico de outro país não tem como denunciar. É preciso denunciar aos órgãos regulares do país vizinho".

A população pode pesquisar facilmente se o profissional é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica pelo próprio site da entidade. Basta digitar o nome do cirurgião (parcial ou completo e sem acento) ou o estado para efetuar a busca.

 


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