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meio ambiente

Fazendas de 68 milhões é uma das áreas que queimam no Pantanal

| CAMPO GRANDE NEWS


Imagem área feita por brigada de incêndio no Pantanal de Mato Grosso do Sul. (Foto: Divulgação)

Uma corrida por registro de Boletins de Ocorrência, principalmente, após operação da PF (Polícia Federal) de Corumbá contra fazendeiros para investigar queimadas no Pantanal, mostra que o fogo faz arder propriedade do R$ 68 milhões, do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, delator do ex-governador André Puccinelli (MDB), na operação Lama Asfáltica.

Outra propriedade atingida é a Santa Mônica, que após intensa batalha nos tribunais teve desmatamento de 20,5 mil hectares autorizado. A extensão corresponde a 20 mil campos de futebol.

Em 28 de julho, funcionário da Fazenda São Bento, que ocupa 26.615 em Corumbá, procurou a Polícia Civil para registra Boletim de Ocorrência sobre o fogo que já durava sete dias. A área pertence a Ivanildo.

Na última terça-feira, houve outra menção a incêndio na fazenda.  Em Boletim de Ocorrência,  o contador de Ivanildo declarou que as chamas também consumiram aproximadamente 4 mil hectares de pastagens e vegetação nativa das fazendas Uval, Santa Amália, além da  São Bento.

Em ação na 1ª Vara Criminal de Campo Grande, a fazenda foi avaliada em R$ 68.158.067,00 pela defesa do delator, que ofereceu a propriedade para ser bloqueada em processo por lavagem de dinheiro. A intenção era deixar um único bem sequestrado.

Na tarde de quarta-feira, dois dias depois da operação da PF, Sônia Oliveira Rodrigues, de 55 anos, procurou a procurou a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro, em Campo Grande, e relatou que o fogo invadiu a fazenda Santa Mônica no último dia 11 e consumiu todo o pasto.

Ela é esposa do pecuarista Élvio Rodrigues, alvo da Operação Vostok, em que a PF investiga uso de notas frias para esquentar propinas da JBS.

No ano de 2017, Élvio Rodrigues recebeu autorização do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para supressão vegetal de 20.526 hectares da fazenda Santa Mônica.

A promotoria de Corumbá entrou na Justiça para reverter a autorização, alegando que o desmatamento no bioma Pantanal poderia comprometer o ecossistema, afugentar animais silvestres, alterar a qualidade do ar, contaminar o solo, incêndios e formação de processo erosivo.

Em outubro daquele ano, a Justiça de Corumbá suspendeu a autorização ambiental 232/2017,que autorizou a supressão vegetal. A questão foi levada ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) pelo Imasul e o dono da fazenda, mas a suspensão foi mantida.

Numa outra frente, o governo do Estado apontou prejuízo financeiro e o desmate foi autorizado pela Justiça.

Incontrolável – Na última terça-feira, a gerente da fazenda Poleiro Grande também foi à Depac Centro para registrar Boletim de Ocorrência por incêndio. Ela informou  que recebeu áudio do proprietário, Norberto Bráulio Olegário de Souza, relatando o incêndio e que avião não poderia pousar por falta de visibilidade.  Ele também disse que o fogo “pulou” da Santa Mônica para a Poleiro Grande.

“Relatou, também, que até o presente momento foram queimados 7.100 hectares, bem como o fogo atinge os pastos nativos de maneira incontrolável”.

Na operação Matáá, que apura responsabilidade criminal pelas queimadas no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a PF mirou fazendeiros e foi a cinco propriedades rurais em busca de celulares e documentos.

O dano ambiental apurado supera mais de 25 mil hectares do bioma pantaneiro, equivalente à aproximadamente 25 mil campos de futebol, atingindo áreas de preservação permanentes e os limites do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e da Serra do Amolar.

Por meio da análise de imagens de satélites e o sobrevoo das áreas, a Polícia Federal conseguiu identificar o início e a evolução diária dos focos de queimadas da região.

Nome da operação, Matáá significa fogo no idioma guató, numa referência aos índios que vivem nas proximidades das áreas atingidas.

O Campo Grande News tentou contato com os advogados das propriedades citadas, mas não obteve resposta até a pulbicação da reportagem. 


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