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investigação

Banco dos EUA levanta suspeita sobre lavagem de R$ 1,4 bi na Eucatex de Maluf

As condenações do ex-prefeito agora resvalam na galinha dos ovos de ouro dos Malufs: a Eucatex

| PODER 360


Paulo Maluf enquanto deputado federal; teve mandato cassado por decisão do STF

Paulo Maluf nasceu em berço de ouro e foi criado como um príncipe árabe. Aos 18 anos, ganhou 1 Porsche vermelho conversível de presente dos pais quando entrou no curso de engenharia da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). Era 1950.

Quando queria mostrar que era multimilionário, ia para a escola com o carro da mãe: 1 Rolls-Royce que havia sido comprado junto com o carro presidencial que Getúlio Vargas importou em 1953. Maria Maluf tinha 1 dos 4 Rolls-Royce que existiam no Brasil.

Enquanto a fortuna materna era composta de mais de 5.000 imóveis, a paterna tivera origem num novo negócio: uma serraria moderna, que já nos anos 1960 se tornaria a maior da América Latina, a Eucatex.

Maluf foi condenado por lavagem de dinheiro. Vive em prisão domiciliar e está com a saúde debilitada.

As condenações do ex-prefeito agora resvalam na galinha dos ovos de ouro dos Malufs: a Eucatex. A empresa foi apontada por 1 banco norte-americano como suspeita de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro.

Documentos sigilosos do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos mostram que o Standard Chartered Bank, de Nova York, considerou suspeitas operações que somam US$ 264,4 milhões, o equivalente a R$ 1,4 bilhão em valores correntes. As 946 movimentações suspeitas ocorreram de agosto de 2009 a agosto de 2016, de acordo com documento produzido por 1 braço do Tesouro chamado Rede de Combate aos Crimes Financeiros.

“Informações de domínio público indicam que a Eucatex lavou recursos obtidos por Paulo Maluf por meio de desvios e corrupção quando era prefeito e governador de São Paulo”, diz o texto em seu primeiro parágrafo. Os norte-americanos têm interesse em apurar a legalidade das operações da empresa porque ela tem uma filial nos Estados Unidos e usa bancos daquele país.

A documentação à qual o Poder360 teve acesso foi obtida pelo BuzzFeed News nos Estados Unidos e compartilhada pelo ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists, ou Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), por meio do projeto chamado FinCen Files (Arquivos FinCen), a sigla em inglês de Financial Crimes Enforcement Network, seção dentro do Departamento do Tesouro dos EUA (o Tesouro norte-americano é equivalente ao Ministério da Economia no Brasil).

Criada em 1990, a FinCen é uma espécie de Pentágono que atua contra lavagem de dinheiro, terrorismo e outros tipos de crimes financeiros. No Brasil, o organismo equivalente seria o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), só que a FinCen tem muito mais poder.

O ICIJ é uma instituição jornalística sem fins lucrativos baseada em Washington D.C. que revelou grandes escândalos internacionais como o Panama Papers e o SwissLeaks. O projeto FinCen Files envolve mais de 400 jornalistas de 88 países e 110 meios de comunicação. Analisou operações como valor total pouco acima de US$ 2 trilhões. No Brasil, a investigação ficou sob responsabilidade de 3 veículos de comunicação: este jornal digital Poder360, a revista Piauí e a revista Época (do grupo Globo).

O Poder360 é parceiro do ICIJ por meio do diretor de Redação, Fernando Rodrigues, que é integrante do consórcio há 20 anos.


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