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Estudantes fazem protesto contra ato médico em Dourados

| ANDRé BENTO


Um protesto contra a Proposta de Projeto de Lei (PPL) chamado Ato Médico movimentou a área central de Dourados na tarde desta terça-feira (9). Acadêmicos dos cursos de saúde realizaram uma manifestação chamada “Diga Não ao Ato Médico”. Os trabalhos foram silenciosos, com exposição de cartazes e entrega de panfletos para conscientizar a população.



De acordo Aletéia Henklain Ferruzzi, professora do curso de psicologia da UNIGRAN, “o objetivo é não causar tumulto, mas sim conscientizar a população”. Segundo Aletéia Ferruzzi, a manifestação é de nível nacional e tem por objetivo informar a sociedade dos prejuízos que a Lei pode trazer caso seja aprovada. “Cada local escolheu sua maneira de mostrar para população que o Ato Médico vai afetar á todos”, informou.



A proposta tramita no Senado Federal e dispõe sobre o exercício da medicina. Para psicólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos dentre outros profissionais de saúde, a medida tira a autonomia de suas atividades e delega ao profissional de medicina o monopólio no atendimento médico.



A professora do curso de farmácia, Ana Cláudia Raminelli, uma das organizadoras da manifestação na cidade afirmou que “a medida é corporativista, é inconstitucional e vêm contra uma corrente imensa de responsabilidade social”. Para Ana Raminelli, com a aprovação da Lei “todos os profissionais ficariam á mercê do médico”.



Segundo as professoras, até mesmo alguns médicos são contra a PPL. “Tanta responsabilidade para os médicos, esse é um dos medos deles”, afirmou Aletéia Ferruzzi, para explicar que tal monopólio sobrecarregaria esses profissionais e aumentaria as filas em postos de saúde. Uma das principais considerações das manifestantes é quanto aos trabalhos multidisciplinares, o que, segundo as docentes é de extrema importância para os tratamentos. Neste caso, os profissionais trocam informações antes de qualquer prescrição médica.



Acadêmicos

Os universitários que participaram da manifestação dividiam a mesma opinião. Para Fausi Padilha e Camila Kussakari, alunos do 4° ano de farmácia na UNIGRAN, “o protesto serve para mostrar que isso vai acabar atingindo a população”, para eles, “cada profissional tem sua área específica” de atuação.



Camila afirma que “essa manifestação serve para alertar a população de que é a saúde que tem que melhorar”. Kussakari reitera que “cada pessoa tem que procurar diagnosticar-se com cada profissional específico”, em referência ás diversa áreas da saúde pública. Os acadêmicos alegam que para monopolizar os trabalhos de saúde, “o médico teria que estudar uns 50 anos”.



Multiplicadores

As docentes Ateléia Ferruzzi e Ana Raminelli explicaram que embora tenha havido uma votação aberta na internet, a maior porcentagem de votos foi favorável ao Ato Médico por falta de divulgação no meio acadêmico. Raminelli deixou claro que “não existe um profissional da saúde contra um Projeto de Lei para regulamentar o exercício da saúde, mas o problema é acabar com o autoritarismo”.



Um abaixo assinado esteve á disposição das pessoas interessadas em aderirem ao manifesto. Segundo as professoras, os alunos foram os multiplicadores das reivindicações, ao colherem assinaturas em várias regiões da cidade.

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