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Caarapó

Cabo da PM vai a júri por atirar em estuprador em Dourados

| DOURADOSAGORA


O ex-policial militar Renato Gomes Batista, conhecido como Cabo Renato, será julgado no dia 8 de abril pelo crime de tentativa de homicídio contra o estuprador e assaltante Robson Catarino Barreto, que cumpre pena na Penitenciária Harry Amorim Costa (Phac), em Dourados. "Serei julgado por tentativa de homicídio, quando, na verdade, reagi ao ato de um ex-presidiário que eu havia prendido e que chegou a me ameaçar durante as obras de reconstrução da Máxima", revela Renato.

De acordo com ele, até o desfecho do caso é preciso lembrar os fatos que o levaram a reagir diante do estuprador e assaltante. "Em 2004, em virtude do enorme número de assaltos e furtos em Dourados, o comando do 3º Batalhão da Polícia Militar decidiu criar um pelotão de motocicletas para agilizar não apenas o atendimento às vítimas mas, também, para tentar chegar mais rápido aos criminosos e fui escolhido para compor esse grupo", conta.
O policial passou então a monitorar os presos que cumpriam pena no presídio semiaberto de Dourados e, com isso, esclarecia a maioria dos crimes que ocorria na cidade, mas revela que uma sequencia, em especial, tirava o sono dos policiais. "Trata-se de um elemento que usava uma motocicleta verde e se apresentava como fiscal para entrar nas residências e praticar furtos e roubos", lembra o Cabo Renato. "Por mais que a polícia fosse rápida, nunca conseguia prender o acusado e foi então que passei a investigar esse crime com mais atenção até chegar ao suspeito Robson Catarino Barreto, que foi preso em flagrante após furtar equipamentos do mestre de obra João Marinho Machado", explica Renato.

No dia da prisão, o policial militar também descobriu que o acusado tomava emprestada uma motocicleta do vizinho para fazer os furtos e assaltos, razão pela qual dificultava sua localização. "Todo produto do furto, bem como a motocicleta foram encaminhados à Polícia Civil e no dia seguinte, quando os jornais estamparam a fotografia do acusado, veio a surpresa maior", conta Cabo Renato. "Três mulheres procuraram a polícia para denunciar que foram estupradas por Robson Catarino Barreto e ele foi então condenado", conclui.

Pouco tempo depois, explica Cabo Renato, ocorreu aquela rebelião no Dia das Mães e parte da Máxima ficou destruída. "Fomos deslocados para fazer a segurança do presídio enquanto os operários trabalhavam na obra e por algumas vezes o condenado que eu havia detido fazia ameaças com gestos, simulando com as mãos que iria me degolar", conta. "Como o cara havia sido condenado por três estupros, por furto e por roubo, imaginei que ele ficaria muito tempo na cadeia e não dei atenção para as ameaças", conclui.


AMEAÇAS

Em 2008, portanto, menos de quatro anos após ter sido preso e condenado por crimes graves, Robson Catarino Barreto já estava em liberdade, cumprindo pena no Presídio Semi-Aberto de Dourados. "Eu não sabia que ele já estava nas ruas e nunca me preocupei em saber quando os acusados que eu prendia seriam soltos, mas no começo de junho de 2008 uma vizinha procurou minha mãe para avisar que telefonaram para o orelhão que fica defronte a casa dela dizendo que o Cabo Renato iria morrer e a partir desse dia comecei a tomar alguns cuidados", relata.

Ele conta que no dia 20 de junho, um sábado, quando chegou a Casa de Carnes Plo-Al, na Marcelino Pires, como fazia há quase 20 anos para comprar a carne que consumiria no final de semana, percebeu que havia um motociclista parado e com metade do capacete na cabeça. "Quando eu me preparei para entrar no açougue, ele colocou todo capacete e veio na minha direção", conta Cabo Renato. "Neste momento, eu saquei a arma, me identifiquei como policial e mandei ele tirar o capacete, mas, ao mesmo tempo em que mostrava o rosto ele levava a mão à cintura", continua. "Foi então que reconheci o ex-presidiário e pensando que ele estivesse armado fiz os disparos que o atingiram de raspão na cabeça e nas nádegas", conclui.

Renato Gomes Batista revela que deixou o local e se apresentou espontaneamente na segunda-feira, auxiliado por um advogado. "No sábado à tarde, depois do ocorrido, fui levantar nos meus arquivos as informações sobre a prisão do Robson, recolhi alguns impressos com fotografias e fui tirar cópias num xerox que fica na esquina da minha casa e, para minha surpresa, a menina que atende no local reconheceu o Robson pelas fotos e disse que há alguns dias ele estava de campana na esquina, ou seja, estava me seguindo", conta.


ANTECEDENTES

Além dos crimes de furto, roubo e estupro, Robson Catarino Barreto tem uma enorme ficha policial na Comarca de Barra do Bugres, em Mato Grosso, onde também é acusado por crimes que vão desde roubo e furto, até estupros. "Quando viu que não tinha mais espaço para ele em Barra do Bugres, ele mudou-se para Dourados onde passou a violentar a mulheres, furtar e roubar e tenho certeza que tão logo ganhe a liberdade ele voltará a praticar os mesmos crimes, como, aliás, fez em 2009", afirma Cabo Renato. "Seis meses após sair da Máxima, ele já havia violentado outra mulher e cometido outros delitos, motivo pelo qual está preso atualmente", conclui.

Renato Gomes Batista afirma que confia na Justiça e que tem certeza que os jurados vão entender que ele agiu em legítima defesa. "Sou o mocinho dessa história. O bandido está preso e conseguiu apenas manchar uma história de mais de 20 anos na Polícia Militar, com uma grande folha de serviços prestados à nossa sociedade", finaliza.
 


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