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discurso

Queiroga diz ser 'plausível' vacinar todo o país até o fim do ano

Ele defendeu uma reforma no SUS (Sistema Único de Saúde) adotando um modelo com melhor eficiência da alocação dos recursos

| R7.COM


ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL - 02.05.2021

Com um discurso onde tentou não atribuir culpa a nenhum dos principais fornecedores de vacina do país ao atraso na entrega dos imunizantes contra a covid-19, que retarda o prosseguimento do PNI (Plano Nacional de Imunização), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, falou durante webinar promovido pela Fiesp nesta segunda-feira (3) que está "muito entusiasmado" com a possibilidade de vacinar toda a nossa população brasileira até o final do ano, que, segundo ele, é uma meta "absolutamente plausível".

Durante sua fala o ministro voltou a comentar sobre o recebimento de mais de 4 milhões de doses da vacina contra covid-19 entregues pelo consórcio internacional Covax Facility, reafirmando que o lote dos imunizante deveria ter chegado ao país em janeiro "um volume, salvo melhor juízo, de cerca de 10 milhões de doses, não nos forneceu" disse.

Mas ressaltou logo em seguida que o atraso aconteceu "em face de dificuldades" do consórcio, "aqui não estou imputando nenhuma responsabilidade a (Organização Mundial da Saúde) OMS, com quem nós temos um excelente e longo relacionamento", afirmou.

O mesmo cuidado foi tomado pelo ministro ao falar do Instituto Butantan e da China, principal fornecedor IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) necessário para produção do vacinas. Ao comentar sobre a "relativização" da distribuição de mais de 17 milhões de doses da vacina entre a última sexta-feira e esta segunda, o ministro declarou: "uma pena essa ação muito forte de trazer 17 milhões de doses de vacina seja relativizada em função de um eventual atraso de uma segunda dose de um agente imunizante produzido aqui no Brasil", disse, fazendo questão de isentar a responsabilidade tanto do instituto brasileiro quanto do governo chinês na atraso da entrega.

Queiroga apontou falhas também no sistema de saúde brasileiro, que, segundo ele, tem culpa no alto número de óbitos por covid. 

"Não podemos aceitar que de cada 10 pacientes que estão intubados, oito morram. É por isso que nós temos tantos óbitos, porque a assistência de saúde não dá a resposta que nós esperamos dela", disse.

Ele defendeu uma reforma no SUS (Sistema Único de Saúde) adotando um modelo com melhor eficiência da alocação dos recursos.

Queiroga também comentou sobre saúde suplementar. Ao mesmo tempo que disse que não tem interesse em controlar preços, criticou a concentração no setor e a regra que permite à Agência Nacional de Saúde Suplementar regular os reajustes de planos de saúde, mas não os de planos individuais.

"Não é função do Ministério da Saúde intervir em política de preço, deixo bem claro aqui para não dizerem que estou querendo controlar preço da saúde suplementar, não quero e não é minha função, mas também não podemos achar que é normal determinadas seguradoras num contexto pandêmico querendo reajustrar plano de saúde em 30%", criticou.

Críticas à imprensa
No mesmo evento, o ministro reclamou de uma foto tirada enquanto ele ajeitava a máscara quando foi receber vacinas contra Covid-19 vindas do mecanismo Covax Facility no fim de semana e disse que, em breve, aqueles que não contribuem com o país, na visão dele, serão desmascarados.

"Vai chegar o momento em que nós vamos desmascarar essas pessoas que não contribuem com o Brasil. Até parte importante da imprensa, eu não sei por que motivação querem fazer isso para fomentar a discórdia", disse o ministro, antes de se dirigir diretamente à plateia de empresários presentes.

"Era bom até que os senhores que são da iniciativa privada e fazem publicidade nesse tipo de veículo de comunicação repensassem essas estratégias", aconselhou.


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