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Acidente no metrô do México deixa pelo menos 23 mortos

O incidente ocorreu na Linha 12 do metrô, entre as estações de Olivos e Tezonco, por volta de 10:25, no horário local (0h25 de terça, horário do Brasil)

| O GLOBO


Foto: Luis Cortes/Reuters - 3.5.2021

CIDADE DO MÉXICO — Pelo menos 23 pessoas morreram, incluindo crianças, e mais de 70 ficaram feridas após o desabamento de um viaduto do metrô da Cidade do México, na noite desta segunda-feira, enquanto um comboio de trem passava. Trata-se da maior tragédia na cidade desde o terremoto de 2017, que deixou 370 mortos, e do pior acidente de metrô no mundo em 46 anos.

O acidente ocorreu na movimentada avenida Tláhuac, no sudoeste da cidade, e deixou dois vagões pendurados, danificando carros que passavam pela área e ferindo pedestres. Devido à fragilidade da estrutura, as equipes de resgate precisaram paralisar as buscas até que um guindaste pôde estabilizar o trem. Ao menos 65 pessoas foram internadas.

A prefeita da capital mexicana, Claudia Sheinbaum, anunciou que uma das vigas de sustentação do viaduto teria cedido enquanto o trem passava, mas que as causas do incidente serão investigadas mais a fundo. Nos últimos anos, moradores da região vinham denunciado a deterioração de algumas estruturas do metrô na área após o terremoto de 2017.

O incidente ocorreu na Linha 12 do metrô, entre as estações de Olivos e Tezonco, por volta de 10:25, no horário local (0h25 de terça, horário do Brasil), como mostram as câmeras de segurança na região.

—  Eu estava passando pela região a pé, tinha saído da casa de uns amigos e ia para a casa da minha mãe quando caiu uma pedra bastante grande na minha perna —  disse ao El País Esmeralda Serrano, uma das feridas.

Outras imagens mostram a operações de resgate, com pessoas sendo retiradas em escadas de resgate. Serviços de emergência, a Defesa Civil e integrantes do Exército mexicano foram acionados para ajudar nas operações. Ao menos uma pessoa soterrada foi resgatada com vida. As autoridades acreditam que não há mais sobreviventes.

— Neste momento, nossa tarefa principal é cuidar das pessoas que estão nos hospitais e dos parentes das vítimas fatais. O Ministério Público já deu início às investigações para apurar o que causou este acidente — disse Sheinbaum.

A linha do metrô onde ocorreu o acidente foi construída quando o atual chanceler Marcelo Ebrard governava a cidade (2006-2012). Ele lamentou a tragédia: “Minha solidariedade com as vítimas e suas famílias. Reitero-me à plena disposição das autoridades para contribuir no que for necessário ", escreveu em sua conta no Twitter.

Durante a gestão de Ebrard, as obras da linha foram envoltas em um escândalo de corrupção que afetou mais de 30 funcionários. Ela foi inaugurada em 2012, ano derradeiro de seu mandato, mas teve suas atividades interrompidas pouco mais de um ano depois pelo então prefeito Miguel Ángel Mancera devido a uma série de irregularidades que punham em risco a vida dos passageiros.

O incidente é até hoje uma mancha na carreira de Erbrad, um dos políticos mais importantes do México e tido como possível sucessor do presidente Andrés Manuel López Obrador. Ele não foi condenado em nenhuma instância e afirma ter sido alvo de uma perseguição política.

A linha de metrô havia passado por obras novamente entre 2017 e 2018, ainda durante a gestão de Mancera, após o terremoto de setembro de 2017 danificar uma de suas colunas de sustentação. Pouco mais de seis meses depois do fim dos reparos, contudo, começaram a aparecer nas redes sociais relatos de moradores, acompanhados de imagens, indicando a estrutura estava se desnivelando.

A Cidade do México tem o oitavo maior sistema de metrô do mundo, carregando cerca de 5 milhões de pessoas por dia. Para compensar o fechamento da linha 12, que tem mais de 20 estações e 11 km elevados, a prefeitura deslocou 490 ônibus.


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