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na pandemia

Cinco passos para recuperar a sua vida sexual

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Na era da Covid-19, a libido sexual despencou Foto: Getty Images

Quando a Covid-19 apareceu pela primeira vez, parei de receber tantas solicitações de consultas de novos pacientes para terapia sexual. "Finalmente", pensei, "as pessoas estão fazendo sexo!"

Nada de velhas desculpas - como trabalhar até tarde, obrigações para o jantar, trajeto difícil - para atrapalhar. E sem mais nada para fazer em uma noite de encontro de sexta-feira, por que não sexo?

Eu estava errado. Nossas libidos são como o mercado de ações. Em um nível alto, sobem ou descem, mas quando você olha de perto, há vários fatores - físicos e psicológicos - que afetam essas flutuações. E na era da Covid-19 estamos nos exercitando menos, comendo mais, bebendo e fumando para escapar da ansiedade - tudo isso afeta nossa saúde sexual e autoestima.

Podemos não tirar o pijama ou tomar banho tão regularmente, o que afeta a atração. Estamos em grande parteisolados do mundo exterior e de seus estímulos externos. E isso está levando à raiva, ao ressentimento e a uma sensação de claustrofobia relacional.

Há evidências científicas para embasar o que todos nós temos sentido: uma meta-análise de sete estudos dos Estados Unidos, da China, da Turquia, da Itália e do Reino Unido examinou os efeitos da Covid-19 na vida sexual das pessoas e encontrou uma diminuição na atividade sexual entre parceiros durante a pandemia.

Outra pesquisa descobriu que os efeitos da coabitação prolongada forçada durante o confinamento levaram os parceiros a recorrer mais à masturbação e ao uso de pornografia e menos ao sexo um com o outro.

Mas o otimismo está no ar, e é hora de uma recarga sexual. Em meu trabalho, ajudo as pessoas a consertarem suas vidas sexuais, prestando atenção no que funciona e no que não funciona no que chamo de "script sexual". Desde as preliminares até os momentos finais, quando alguém se vira e pega o celular, todo acontecimento sexual conta uma história que tem começo, meio e fim.

Meu objetivo é ajudar os casais a reescreverem seus roteiros de sexo, geralmente longe da dor e em direção ao prazer. Impelidos por minhas perguntas, os pacientes descreverão um evento sexual recente, em detalhes, passo a passo. Por exemplo, "Então, como você começou? Quem iniciou? De todas as coisas que você poderia ter feito naquele momento, como acabou sendo o sexo?".

Você pode reescrever seu próprio roteiro de sexo e gerar desejo também - mesmo durante uma  pandemia, com as dicas a seguir:

1- Encare como uma oportunidade
Embora você possa estar ansioso para recuperar sua vida sexual pré-pandêmica, a mudança não acontece da noite para o dia. "Em vez de ser crítico consigo mesmo, veja isso como uma oportunidade de se conectar com o parceiro, assim como você fez quando se envolveu pela primeira vez", sugeriu a sexóloga Yvonne K. Fulbright.

“Todos somos pessoas ligeiramente diferentes depois dos últimos 15 meses”, disse ela. "Não se pressionem a voltar às suas velhas rotinas, mas considerem cuidadosamente como este próximo capítulo de seu relacionamento pode ser ainda melhor".

2- Seja intencional
"Muitos pensam no sexo como uma função passiva - ou pior, automática - do corpo", disse a terapeuta sexual Emily Jamea. Mas nada poderia estar mais longe da verdade. Em vez disso, muitas pessoas, especialmente aquelas em relacionamentos de longo prazo, precisam ser mais intencionais quanto à criação de desejo. "Jogue fora aquelas velhas calças de moletom e camisetas surradas. Substitua-as por algo sexy", disse a educadora sexual Jane Fleishman.

Outra estratégia? Agende um encontro sexual semanal. "Isso dá a você tempo para antecipar e se preparar para o encontro e ajuda a gerenciar as expectativas em relação ao sexo", explicou a terapeuta sexual Juliane Maxwald. "Você pode pensar que isso não é sexy, mas é um mito que o desejo é sempre espontâneo".

Deixe seus telefones de lado e dediquem um tempo para ficarem focados um no outro - nenhuma conversa sobre filhos, trabalho ou finanças é permitida. E coloque a diversão em primeiro lugar, disse Fulbright: "Atividades em que você está se divertindo e rindo podem ajudá-lo a desestressar e a se sentir um pouco mais excitado".

3- Tire um "tempo só seu"
Você não pode se sentir sexy com outra pessoa, se não se sentir sensual e relaxado sozinho. Fulbright recomenda reservar um "tempo só seu", quer isso signifique 20 minutos de ioga durante o intervalo para o almoço, começar o dia com uma meditação de 10 minutos para clarear a cabeça ou fazer uma caminhada sozinho, com distanciamento social.

"Se você é uma das muitas pessoas que acham o desejo difícil de alcançar, tente se perguntar: 'O que poderia me colocar no clima?'", recomendou a terapeuta sexual Deborah Fox. "É relaxar em um banho quente, caminhar ao ar livre à noite ou ler um pouco de erotismo? Há uma ponte entre onde sua cabeça está no momento e onde ela poderia estar - você apenas tem que construi-la".

4- Converse sobre isso
Se você acha que você e seu parceiro estão em páginas diferentes quando se trata de sexo, você não está sozinho. Na verdade, as discrepâncias de desejo - também conhecidas como libido incompatível - são a principal razão pela qual os casais vêm me ver. É necessária uma boa comunicação para abordar essa questão, mas "tendemos a falar menos sobre sexo com a pessoa com quem estamos realmente fazendo sexo", disse a sexóloga Tammy Nelson.

Compartilhe as coisas boas primeiro, disse Tammy. "Sempre recebemos mais daquilo que curtimos, então comece contando ao seu parceiro o que você gosta em sua vida sexual, ou o que apreciou no passado", disse. "Diga a eles como você quer mais aquela coisa ou aquela sensação. Por exemplo, 'eu realmente gosto de como costumávamos tomar banho juntos. Eu adoraria fazer mais disso'".

5- Tente algo novo
A pandemia nos desafiou a fazer as coisas de maneira diferente em muitos aspectos da vida, do trabalho à escola e à socialização. "Sua vida sexual não é diferente em sua necessidade de novidades - com ou sem uma pandemia", disse Fulbright.

Embora as pessoas tenham feito menos sexo durante a pandemia, um estudo recente revelou que um em cada cinco participantes relatou expandir seu repertório sexual ao incorporar novas atividades sexuais, como tentar novas posições, sexting e compartilhar fantasias. Sem surpresas, esses participantes eram três vezes mais propensos a relatar melhorias em suas vidas sexuais.

Não sabe por onde começar? “Experimente ter intimidade fora do quarto ou use um novo brinquedo ou lubrificante”, sugeriu a terapeuta sexual Kristen Lilla. "Mudar sua rotina também pode significar tirar a relação sexual das opções. Se você não pode fazer sexo, o que faria para se conectar fisicamente?".

À medida que emergimos lentamente da Covid-19 e abraçamos novamente a vida e a conexão e tentamos continuar de onde paramos, não vamos deixar nosso "eu sexual" para trás. Sempre peço aos meus pacientes de terapia sexual que me contem sobre a última vez em que tiveram relações íntimas, mas o que realmente me interessa é a próxima vez - e depois disso.

*Ian Kerner é terapeuta especializado em casais e famílias e colaborador da CNN 


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