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Caarapó

Caarapó: Revivi comemora recuperação de internos

Em menos de um ano, responsáveis pelo projeto confirmam resultados positivos

| CAARAPONEWS


Por Silmara Diniz

Há pouco mais de oito meses em Caarapó, a Associação Beneficente Recuperando Vidas do Vício, ou como é mais conhecido, o Projeto Revivi, tem colhido bons resultados no tratamento de dependentes de drogas, é o que afirma o responsável pela entidade, Pastor Martins (51).  
 

O Revivi atende hoje a 11 pessoas, todas do sexo masculino e trabalha com terapia ocupacional aliada à meditação. Os internos ajudam nas reformas e na manutenção do local e cuidam de uma horta. Conforme explicou o Pastor Martins, apesar de momentos de oração, o projeto não tem preferências religiosas: “Não temos placas de igrejas, acolhemos a todos, até porque a droga não escolhe religião nem classe social”.
  O pastor destaca que a maior importância do tratamento está no interno perceber por si só as causas de sua dependência. “O dependente não vem para cá exclusivamente para largar a droga, mas também para descobrir e refletir por que ele entrou por esse caminho, o que perdeu por causa das drogas. O usuário não é um mau caráter, é um doente, a droga é uma fuga dos problemas”, salientou.
  Martins e mais dois voluntários da obra, que residem no local, trabalham com os internos também com a ajuda de uma psicóloga e uma assistente social, além de contar com a assistência médica e odontológica de voluntários. “O povo de Caarapó dá a sua contribuição, cada um da maneira como pode”, observou.
  Ainda segundo contou ao CaarapoNews, não existe uma metodologia exata para o sucesso na recuperação de um dependente químico. “Existem maneiras e estamos aqui para fazer a nossa parte”, disse. Pastor Martins vivenciou por 25 anos o sofrimento com a dependência de drogas e trabalha há 14 anos com projetos de recuperação.
  O pastor, que trabalhou em outros centros de recuperação no Estado, comemora que o projeto venha alcançando seus objetivos em Caarapó. “Em oito meses, temos duas famílias restauradas, os recuperados estão trabalhando, um aqui dentro, como voluntário, outro trabalha fora, voltaram a estudar, tiraram carteira de motorista”, conta.
  De acordo com Martins, enquanto no Brasil há uma porcentagem de recuperação de 12%, esse número em Caarapó chega até a 40%. A maior dificuldade, no entanto, é levar ao conhecimento das pessoas a existência e importância do projeto e a necessidade de sua aplicação, sobretudo para atender os altos índices de usuários e dependentes de crack no município: “Vivemos em uma crackolândia no meio da cidade”, considera.
  No momento existem 20 vagas, mas só 11 internos. Nove deles são amparados pelas doações recebidas, apenas dois são particulares. Cada interno é custeado por cerca de um salário mínimo ao mês, por isso vale destacar a necessidade da colaboração da sociedade civil e Poder Público. O tempo básico de internação é de seis meses, mas varia de acordo com cada recuperando.
  Um projeto de lei do Poder Executivo, que se encontra em votação na Câmara de Vereadores, visa firmar convênio entre a Prefeitura e a entidade, para garantir que metade das vagas do projeto sejam destinadas e custeadas com o valor do repasse, caso o projeto seja aprovado.
  “Queremos que dez vagas sejam cedidas especialmente para Caarapó”, disse Martins. Até o fechamento dessa edição, o projeto havia passado por duas comissões da Câmara.
  A ideia de ampliar o projeto, inclusive para a recuperação de mulheres, já está no papel, com a finalidade de atender a 72 pessoas, tanto do sexo masculino quanto feminino, além de abastecimento próprio de água e construção de área de lazer.
  As doações podem ser feitas na Igreja Batista para as Nações, com o pastor Alberto Ribeiro, presidente do Revivi, com a Secretária de Assistencia Social e integrante da diretoria, Évinei Arce, com a também integrante da diretoria, a advogada Andréia Carla e através de depósito no Banco Bradesco, agência 1483, conta 10042-0.
  As visitas de familiares acontecem uma vez por mês, aos domingos e segundas-feiras, após os primeiros 30 dias de internação. A sociedade em geral que quiser fazer uma visita ao projeto, que fica na antiga chácara da Prefeitura, a pouco mais de 1 km da cidade, pode agendar um horário diretamente com o Pastor Martins, no telefone 9243-9340.    

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