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Caarapó

Para Odilon, Brasil abriga terroristas

| DOURADOSAGORA


O juiz federal Odilon de Oliveira declarou que o Brasil está abrigando terrorista ao negar para o Governo Paraguaio a extradição dos terroristas Juan Francisco Arrom, Anuncio Marti Mendez e Victor Antonio Colman, seqüestradores naquele país.
 

Esses três paraguaios, são acusados de haver, juntamente com o Partido Pátria Livre (PPL) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), sob o comando das Forças Armadas revolucionárias da Colômbia (FARC), praticado dois grandes seqüestros no país vizinho. O primeiro foi o de Maria Edith, empresária, em 2001, sendo pago o resgate de um milhão de dólares.
 

Em setembro de 2004, os mesmos grupos seqüestraram Cecília Cubas, filha do expresidente paraguaio Raúl Cubas. Terminou sendo assassinada em cativeiro em fevereiro de 2005, embora tenha sido pago um resgate de 800 mil dólares dos cinco milhões exigidos. Cecília foi enterrada viva com esparadrapos vendando sua boca e assim morreu.
 

“O Brasil perdeu uma grande oportunidade para demonstrar um começo de boa vontade no combate ao terrorismo. É para esse tipo de almas cruéis que o nosso País concede refúgio. São terroristas da pior espécie”, ressaltou o magistrado.
 

Segundo fonte extraoficial um dos três terroristas paraguaios estaria residindo na cidade de Dourados, que está localizada a 120 quilômetros de Pedro Juan Caballero que faz fronteira seca com a cidade brasileira Ponta Porã.
 

De acordo com o juiz federal o objetivo das FARC, era financiar atos terroristas na Colômbia e montar bases no Paraguai, com o dinheiro dos resgates.
 

A finalidade foi semelhante à dos seqüestros dos brasileiros Abílio Diniz, em 1989, pelo MIR, e Washington Olivetto, em 2001, pelo grupo terrorista FMR, também do Chile. O dinheiro era para financiar atos terroristas no Chile e em El Salvador.
 

“Repetidamente, o Brasil, mediante tratados internacionais, obrigase a repudiar o terrorismo, a criminalizar atos terroristas, a não conceder asilo a essa gente e a cooperar internacionalmente neste sentido.
 

A própria Constituição Federal impõe que o Brasil, em suas relações internacionais, repudia o terrorismo.
 

Não faz nem uma coisa nem outra. Até hoje não editou lei definindo e punindo terrorismo. Pelo contrário, dá abrigo a terroristas, considerandoos apenas insurgentes políticos, a exemplo do que procede em relação às FARC”, desabafa Odilon Oliveira.
 

Segundo o magistrado, dentro dessa concepção, o Brasil teria dado amparo até aos terroristas do Oriente Médio que, em 1992, destruíram a Embaixada de Israel em Buenos Aires, matando 29 pessoas, e, em 1994, atacaram o Centro Comunitário de Israel (AMIA), também na Argentina, deixando 86 mortos.
 

“Foi essa compreensão que permitiu asilo ao sanguinário Olivério Medina, expadre, que trocou a bíblia pelo fuzil, deixando um rastro de sangue na Colômbia, onde pertencia às FARC.

 

Fugiu para o Brasil e aqui se tornou embaixador daquele grupo terrorista. Na mesma linha de entendimento, o Brasil teria dado asilo a Raúl Reyes, segundo homem das FARC, assassinado em março de 2008, no Equador, pelo Exército Colombiano.
 

Reyes respondia por 121 processos penais, sendo 26 por ataques terroristas, 04 por seqüestros e 57 por homicídios. Tinha 14 condenações na Colômbia e participou ativamente, como mentor intelectual, dos seqüestros da Maria Edith (2001) e de Cecília Cubas (2004), com a participação de brasileiros e daqueles três paraguaios refugiados no Brasil”, conta o juiz federal.
 

Odilon diz que Raúl Reyes foi quem representou as FARC, no Brasil, no Foro de São Paulo, idealizado pelo então sindicalista Lula e por Fidel Castro.
 

“Trata-se de um movimento criado em julho de 1990, em São Paulo, onde se reuniram vários partidos políticos e grupos terroristas da América Latina, dentre eles o MIR, que, no ano anterior, havia seqüestrado Abílio Diniz, a FMR, também do Chile, que, em 2001, veio a seqüestrar o publicitário Washington Olivetto, as FARC e o ELN, da Colômbia, o PPL, do Paraguai, participante dos seqüestros de Maria Edith e Cecília Cubas, os Tupamaros, chefiado pelo hoje Presidente eleito do Uruguai, a FSLN, da Nicarágua, chefiada por Daniel Ortega, o Sendero Luminoso, do Peru, e vários outros”, enfatiza o magistrado.
 

Odilon explica que a Constituição Federal e a Lei dos Refugiados (n. 9.474/97) proíbem que o Brasil conceda asilo ou refúgio a terroristas. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) também veda esse tipo de proteção a terroristas.
 

“Só se pode conceder refúgio por questões humanitárias, quando há graves violações a direitos humanos, por motivos de raça, nacionalidade, religião ou opinião política, logicamente, sem violência física ou psicológica. Terroristas das FARC e os seqüestradores de Maria Edith e de Cecília Cubas, refugiados no Brasil, não são autores de simples opiniões políticas. São cruéis sanguinários”, conclui o juiz federal.


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