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Política

Mantega diz que não é prudente Brasil crescer acima de 5,5%


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta segunda-feira (28) um patamar mais "prudente" de expansão da economia no ano que vem e disse que é melhor que o país não cresça mais que 5,5%. Na semana passada, os economistas estimaram uma alta do PIB (Produto Interno Bruto, soma de riquezas do país) de 7%.


- Depois de um ano forte, o seguinte tem de dar uma ajustada, mas acho que 5,5% é uma taxa possível [de se alcançar sem provocar inflação]. Em 2012, já dá para voltar para 6%, 6,5%. Eu prefiro crescer um pouco menos e manter o equilíbrio macroeconômico... Não é muito prudente crescer mais que isso.


Mantega concedeu a entrevista em Toronto com aparatos de chefe de Estado. Substituto oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G20 (grupo dos 20 países mais ricos), discursou no fim de semana ao lado de líderes como o presidente norte-americano, Barack Obama, e o francês, Nicolas Sarkozy.


No Canadá, o ministro defendeu a bandeira dos países emergentes e dos Estados Unidos de que, para o bem da economia global, é importante que o mundo cresça. A tese encontra resistência na Europa, em ensaio geral para um aperto de suas contas públicas, o que deve representar retirada dos estímulos à atividade.


Um dos primeiros países a se recuperar do declínio provocado pela crise global, o Brasil vive às voltas com sinais de superaquecimento e temores de aceleração da inflação. O Banco Central já elevou a taxa básica de juros brasileira duas vezes este ano, para 10,25% ao ano, e o mercado prevê novas altas até dezembro, que poderiam colocar a Selic em 12%, segundo o relatório Focus.


O fato é que as economias avançadas dependem cada vez mais do quarteto emergente Brasil, Rússia, Índia e China. Sob a sigla Bric, essas nações vêm puxando a recuperação econômica global.


Os países europeus mais fortes têm de estimular sua demanda doméstica e contribuir para a retomada do comércio internacional, segundo Mantega, para não deixar o trabalho nas mãos dos países emergentes.


Para o ministro, é prematuro eliminar estímulos e seguir na linha do aperto severo, sob o risco de comprometer parte central da engrenagem econômica mundial. Para ele, é possível encontrar equilíbrio entre crescimento e ajuste fiscal, desde que se tenha metas razoáveis de redução de gastos aplicadas gradualmente.
 


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