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Caarapó

Caarapó pode virar pólo de agroenergia

Nova usina de biodiesel será lançada no dia 28 na Câmara Municipal, esse será o segundo grande empreendimento em menos de 6 meses.

| CORREIO DO ESTADO


  

O município de Caarapó será um dos três no País a receber investimentos em projetos de bioenergia do Grupo Agrenco, sediado na Holanda, que se uniu à japonesa Marubeni Corporation para investir em energia limpa de fontes renováveis no Brasil. No total o investimento do grupo será de US$ 190 milhões em todo o País.

Os entendimentos para os investimentos conjuntos vinham sendo tratados de forma reservada e, com o acordo firmado, o lançamento da planta industrial nesta cidade de Mato Grosso do Sul ocorrerá no próximo dia 28, às 19h, na Câmara Municipal, confirmou ontem ao Correio do Estado o prefeito Mateus Palma de Farias.

Em Caarapó, a Agrenco Bioenergia construirá uma esmagadora de soja para a extração de óleo voltado ao biodiesel, à produção de farelo para exportação e plantio de capim napier para produção de biomassa, que será queimada para a geração de energia elétrica. A estimativa é de que a usina comece a operar no próximo ano.

Os investidores estrangeiros já adquiriram uma área de 25 hectares para a instalação de todo o complexo, às margens da BR-163, entre Caarapó e o distrito de Nova América. As outras duas usinas serão construídas nas cidades de Alto Araguaia, em Mato Grosso, e em Céu Azul, no Paraná.

O prefeito explicou que esse projeto será detalhado na próxima semana, quando diretores da Agrenco Bioenergia estarão na cidade para um contato com autoridades locais, produtores rurais e outros setores do agronegócio.

No mês de janeiro, os representantes da Agrenco estiveram conversando com o governador de MS, confirmando a instalação de uma usina de biodiesel.

Usinas

No acordo acertado, a Marubeni investirá US$ 40 milhões na Agrenco Bioenergia, que é totalmente dedicada à produção de bioenergia. O grupo japonês terá participação de 33% da Agrenco Bioenergia e o holandês, 67%. As duas empresas deverão subscrever e integralizar o capital de US$ 120 milhões, de um investimento total de US$ 190 milhões em ativo fixo e capital de giro, segundo a Agência Estado.

As duas multinacionais construirão três parques de bioenergia no Brasil, sendo três usinas de biodiesel, duas usinas de co-geração de energia elétrica e duas indústrias de esmagamento de soja. Serão cultivados cerca de 10 mil hectares de napier para produção de biomassa, que será queimada para a geração de energia elétrica. A soja será comprada de agricultores e cooperativas.

"Nosso projeto está totalmente integrado, o que significa que produziremos não apenas biodiesel, mas também energia elétrica para nossas instalações e para venda no mercado à vista", afirmou o CEO do Grupo Agrenco, Antonio Iafelice. Este é o primeiro investimento da Marubeni em bioenergia no mundo.

Os parques de bioenergia deverão produzir B-100, o biodiesel puro que pode ser utilizado em qualquer veículo sem adaptação. "Desde o início, decidimos produzir conforme as regulamentações européias, americanas e japonesas, a fim de atender às necessidades de nossos clientes em potencial", explicou Iafelice.

As indústrias de esmagamento de soja serão responsáveis pela produção, em larga escala, de farelo de soja com maior teor protéico que a média hoje produzida no Brasil, destinado ao mercado de rações, por exemplo, para peixes. Devido a seu alto teor protéico, sua capacidade de digestão é mais alta em relação ao farelo normal.

Em menos de seis meses, esse é o segundo grande empreendimento que está se instalando em Caarapó: em setembro, o Grupo Nova América apresentou o projeto da sua usina de açúcar e álcool, com investimentos totais de R$ 900 milhões nas áreas agrícola e industrial, para a moagem em 2017 de quatro milhões de toneladas de cana por ano, quando o empreendimento atingir a sua capacidade plena.

Esse será um dos maiores projetos sucroalcooleiros do Estado, devendo entrar em operação – em sua primeira fase, em 2009, com o processamento de um milhão de toneladas de cana. Uma área de 8.000 hectares foi arrendada na MS-156, onde está sendo feito o plantio de mudas e para a futura produção de cana.

A capacitação de funcionários residentes em Caarapó está sendo feita no interior de São Paulo, onde o grupo possui duas outras unidades de produção de açúcar e álcool em Tarumã e Maracaí, no oeste paulista. (CF)


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