De olho em 2026, Caiado preferiu faltar a evento de Rose para não irritar direita
Nesse sentido, a equipe de Caiado avaliou como sendo de alto risco a presença dele em Campo Grande para participar do ato político de Rose Modesto
| DANIEL PEDRA/CORREIO DO ESTADO
Figura mais esperada para o ato político de lançamento da pré-candidatura da ex-deputado federal Rose Modesto a prefeita de Campo Grande (MS) pelo União Brasil, realizada na noite da última sexta-feira, o governador Ronaldo Caiado não compareceu ao evento e a justificativa oficial foi de que apareceu um imprevisto na agenda do presidenciável em Goiânia (GO).
No entanto, conforme fontes ouvidas pelo Correio do Estado, o motivo teria sido uma estratégia de Caiado, que é o provável pré-candidato do União Brasil a presidente da República em 2026, como único representante da direita, na eventualidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continuar inelegível.
Para se manter como principal substituto de Bolsonaro nas eleições gerais, o governador de Goiás está se policiando mais e selecionando a dedo agendas públicas, com destaque às políticas, para não ser “cancelado” pelos bolsonaristas.
Nesse sentido, a equipe de Caiado avaliou como sendo de alto risco a presença dele em Campo Grande para participar do ato político de Rose Modesto, pois ela fazia parte da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e há grandes chances de fazer aliança com a esquerda em um eventual segundo turno no pleito deste ano.
POSSÍVEIS ALIADOS
Além disso, conforme apurado pela reportagem, o presidenciável foi informado que a pré-candidata a prefeita de Campo Grande pelo União Brasil vai enfrentar dois pré-candidatos da direita – a prefeita Adriane Lopes (PP) e talvez alguém do PL -, bem como um pré-candidato do centro – o deputado federal Beto Pereira (PSDB) -, partidos que Caiado espera ter na sua alça de alianças em 2026.
Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, em Mato Grosso do Sul, os três partidos têm lideranças muito próximas do presidenciável, como o governador Eduardo Riedel (PSDB), a senadora Tereza Cristina (PP) e os deputados Coronel David, Rodolfo Nogueira e Marcos Pollon, todos do PL, portanto, ele ficaria em maus lençóis com amigos de primeira hora e prováveis aliados em 2026.
TEREZA VICE
No caso da senadora sul-mato-grossense, a situação ficaria ainda pior, pois, além de amigos, Caiado tem a pretensão de convidá-la para ser a vice dele na provável chapa para 2026.
O primeiro-vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, que esteve em Campo Grande para o evento de Rose, disse, ao ser questionado se a senadora Tereza Cristina, seria uma boa vice na chapa encabeçada por Ronaldo Caiado, que ela é uma figura importante na política nacional.
“Olha, Tereza é um grande quadro, nós já fomos colegas de partido. Ela era do Democratas (DEM) e tenho um carinho enorme por ela. Para mim, é uma das melhores senadoras do Brasil. Penso que a Tereza contribui muito na construção desse projeto de fazer o Caiado presidente da República”, garantiu.
PESQUISAS
Como já se declarou pré-candidato a presidente da República nas eleições de 2026, Ronaldo Caiado é um dos mais bem avaliados entre os principais nomes de gestores estaduais identificados com o bolsonarismo.
No levantamento divulgado na sexta-feira passada pelo Instituto Paraná Pesquisa, o governador de Goiás teria 10,9%, ficando à frente dos governadores Eduardo Leite (RS), que teve 5,6%, e Hélder Barbalho (PA), com 1,7%, porém, atrás dos governadores Tarcísio de Freitas (SP), com 25,6%, Ratinho Júnior (PR), com 17,6%, e Romeu Zema (MG), com 14,9%.
Já no caso da pesquisa da Genial/Quaest, divulgada no dia 13 de maio, Caiado também está bem avaliado, com 5%, ficando atrás somente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 33%, e do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), com 7%.



