Perto de assumir o PL, Reinaldo passa longe de tarifaço e tornozeleira em Bolsonaro
| INVESTIGAMS/WENDELL REIS
O ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) ainda não assumiu oficialmente, mas já dá mostra de que não será mais um “defensor contumaz' do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
Nos últimos dias, o núcleo mais próximo de Bolsonaro tem atuado fortemente no assunto “tarifaço de Donald Trump' e, posteriormente, nas restrições impostas ao ex-presidente. Já Reinaldo, nem tocou no assunto.
O silêncio do ex-governador sinaliza o comportamento que ele terá no partido. Na conversa para ir para o PL, inclusive, Reinaldo deixou claro para o presidente nacional, Valdemar da Costa Neto, e para o senador Rogério Marinho (PL), que só iria para o partido se tivesse autonomia nas decisões.
Um dos desdobramentos desta autonomia, por exemplo, é o PL não ter outro candidato ao Senado. Com a ida para o PL, Reinaldo será o único candidato do partido, enterrando a candidatura de Gianni Nogueira (PL), lançada pelo próprio Bolsonaro como pré-candidata.
Reinaldo e Riedel avaliam que não precisam de Bolsonaro para serem eleitos, mas consideram que uma candidatura própria do PL, com apoio do ex-presidente, poderia trazer problemas. Foi essa a justificativa dada por Reinaldo aos deputados do PSDB, classificando o ato de filiação como “um sacrifício' pelo grupo.
Reinaldo se comprometeu a ir para o PL no ano passado, na tentativa de convencer Bolsonaro a apoiar Beto Pereira (PSDB) em Campo Grande. Bolsonaro aceitou e cobrou a promessa.
O ex-governador demorou para se filiar e deve formalizar no próximo mês, com oito meses de atraso. Ele tentou empurrar o senador Nelsinho Trad (PSD) para o partido, mas Bolsonaro insistiu no combinado.
Uma ala do PL em Mato Grosso do Sul é contra, mas não teve voz na decisão. Eles chegaram a propor o nome do deputado João Henrique Catan (PL) para o Governo, caso Reinaldo não se filiasse, mas a candidatura não foi levada a sério pelo ex-presidente, que considera o grupo de Reinaldo e Riedel imbatível no Estado.
A expectativa é de que o ex-governador se filie ao partido no próximo dia 15, mas o atual presidente do partido, Tenente Portela, já começou o processo de transição de comando para ele.



