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Caarapó e região lideram áreas irregulares de soja em MS e vê saca desvalorizar

Região sul concentra os piores índices de desenvolvimento das lavouras, enquanto preços recuam e produtores reduzem negociaçõe

| GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Plantação de soja se desenvolve mais devagar com redução de chuvas, informa a Aprosoja. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Produtores de soja do sul de Mato Grosso do Sul enfrentaram, até o dia 26 de janeiro de 2026, um cenário marcado pela maior concentração de lavouras em condição regular, queda no preço da saca e ritmo mais lento de comercialização da safra 2025/2026. O levantamento foi divulgado pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), com base em dados de campo e de mercado coletados ao longo do mês.

Entre as regiões acompanhadas, o sul do Estado apresentou o quadro mais desfavorável, com reflexos diretos em municípios como Caarapó, um dos principais polos produtores da região. No município e em cidades vizinhas, apenas 51,2% das lavouras foram classificadas como boas, enquanto 42,9% ficaram na condição regular e 5,9% foram avaliadas como ruins.

De acordo com técnicos da Aprosoja, o desempenho inferior observado em Caarapó, assim como em Dourados, Deodápolis, Douradina e Ivinhema, está relacionado a fatores como solos mais arenosos, irregularidade das chuvas ao longo do ciclo, temperaturas elevadas e baixa população final de plantas, o que comprometeu o desenvolvimento das lavouras em parte das áreas.

No cenário estadual, a condição das lavouras ainda é majoritariamente positiva, com 72,1% das áreas classificadas como boas. Mesmo assim, o contraste regional chama atenção, já que o sul — onde Caarapó se destaca pela expressiva área cultivada com soja — apresenta índices inferiores aos registrados no norte, oeste e centro de Mato Grosso do Sul.

Além das dificuldades no campo, o mercado também trouxe desafios aos produtores da região. Entre os dias 19 e 26 de janeiro de 2026, o preço médio da saca de 60 quilos de soja em Mato Grosso do Sul recuou 2,9%, fechando o período cotado a R$ 113,00. Em praças de comercialização que influenciam diretamente produtores de Caarapó, como Dourados e Maracaju, os preços também registraram queda.

Mesmo com uma valorização nominal de 2,24% em relação ao mesmo período do ano passado, a recente desvalorização reforçou a cautela nas negociações. Esse cenário refletiu no ritmo de comercialização da safra 2025/2026, que segue mais lento.

 

Até 26 de janeiro, apenas 27% da produção estadual havia sido comercializada, índice 6,3 pontos percentuais inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. Em municípios produtores como Caarapó, a combinação entre lavouras em condição regular e preços menos atrativos tem levado produtores a adotar uma postura mais conservadora na venda da soja.


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