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Site investigado pelo MP atua como porta-voz da Prefeitura de Caarapó e reforça suspeitas sobre uso de verba pública

Blog Alô Caarapó é de propriedade do afilhado de casamento da prefeita Lurdes e recebe volumosa quantia de verba publicitária da Prefeitura

| CAARAPONEWS


O comportamento editorial do portal Alô Caarapó tem levantado questionamentos cada vez mais graves sobre sua real função enquanto veículo de comunicação. De propriedade de Paulo Eduardo Martins, conhecido como Paulo da Vale Verde — afilhado de casamento da prefeita Maria de Lurdes Portugal (PL) — o site é alvo de investigação do Ministério Público Estadual por suspeitas de eventual favorecimento no recebimento de verbas publicitárias custeadas com recursos públicos da Prefeitura de Caarapó.

Ainda assim, o portal não apenas desdenha das apurações como adota postura editorial alinhada à Administração Municipal, atuando, na prática, como se fosse um veículo institucional do Executivo. (Ver postagem no final da matéria)

Mesmo sendo formalmente um portal privado, o Alô Caarapó utiliza suas redes sociais para falar em nome da gestão municipal, exaltando ações do governo local e atacando adversários políticos da prefeita. Essa conduta reforça os indícios de que sua atuação editorial não se pauta pelo interesse público ou pelos princípios do jornalismo independente, mas sim pela promoção pessoal da atual gestora e pela defesa política de seu grupo.

Em publicação recente, o portal chegou a agradecer publicamente o Governo do Estado “em nome” da Prefeitura de Caarapó, utilizando frases típicas de comunicados oficiais, como: “A Prefeitura de Caarapó expressa seu profundo agradecimento ao Governo do Estado pelo olhar atento à nossa educação”. O conteúdo, apresentado como se fosse uma nota institucional, evidencia o grau de confusão entre comunicação pública e atuação privada de um veículo que, teoricamente, deveria exercer papel fiscalizador e crítico.

Esse alinhamento se torna ainda mais sensível diante do fato de que, desde a reativação do site — ocorrida já durante a atual gestão — o Alô Caarapó passou a receber valores significativos de publicidade institucional, apesar de seu alcance limitado no próprio município. Essa é uma das principais frentes da investigação já noticiada pelo CaarapoNews.

Relembre o caso

Foi protocolada recentemente no Ministério Público Estadual, por meio de um vereador, denúncia para apurar suspeitas de favorecimento da Prefeitura de Caarapó a veículos de comunicação recém-criados e ligados a pessoas com vínculos próximos à atual gestão municipal. A representação foi analisada pelo Procurador-Geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior, que, em despacho datado de 10 de dezembro, determinou o encaminhamento do caso à 1ª Promotoria de Justiça de Caarapó (Patrimônio Público e Social) para apuração preliminar dos fatos.

A denúncia trata da instauração de Notícia de Fato envolvendo o que foi denominado de “farra das mídias” em Caarapó. Conforme descrito, verbas de publicidade institucional estariam sendo direcionadas a um grupo restrito de empresas de comunicação que apresentariam vínculos societários, editoriais ou operacionais entre si, o que, em tese, poderia caracterizar ausência de concorrência efetiva e possível direcionamento contratual.

Entre os veículos citados estão Alô Mídia Conteúdo e Comunicações, Alô Caarapó, Portal da Cidade Caarapó e Real Mídia News. Segundo a representação, essas empresas funcionariam no mesmo endereço físico, manteriam relações cruzadas e apresentariam padrão repetitivo de pagamentos, com valores semelhantes em notas fiscais atribuídas a campanhas distintas, sem detalhamento público suficiente sobre entregas, métricas de alcance ou critérios técnicos.

A denúncia também aponta que parte desses veículos teria sido criada durante a atual gestão, com menos de um ano de existência, e que não estariam claros os critérios técnicos utilizados para sua contratação, especialmente diante do alcance limitado junto à população local. Soma-se a isso o vínculo pessoal público e notório entre a prefeita Maria de Lurdes Portugal e o empresário Paulo Eduardo Martins, circunstância que, segundo o denunciante, exigiria rigor redobrado na observância dos princípios da impessoalidade, moralidade e transparência.

Outro ponto levantado diz respeito ao Portal Real Mídia, atribuído ao jornalista Dilermano Alves, que teria passado a receber recursos públicos logo após sua criação. O fato de o mesmo profissional atuar como editor em mais de um dos veículos citados reforça suspeitas de concentração indevida de verbas públicas de publicidade. A representação ainda menciona a contratação de familiar do jornalista para cargo na área da saúde, com remuneração aproximada de R$ 6 mil mensais, em setor que conta com concurso público vigente.

Por fim, a denúncia aponta um padrão editorial semelhante entre os veículos beneficiados, com conteúdos frequentemente favoráveis à gestão municipal e críticos a opositores políticos, além de negativa de direito de resposta e possível confusão entre publicidade institucional e promoção pessoal, o que, se confirmado, pode violar o artigo 37, §1º, da Constituição Federal.

Segundo a fonte ouvida pelo CaarapoNews, os veículos citados teriam recebido, em conjunto, cerca de R$ 200 mil em recursos públicos. O Ministério Público ainda não emitiu juízo de valor sobre os fatos. As informações seguem em fase inicial de apuração e não implicam, neste momento, responsabilização, mas visam verificar a existência de elementos suficientes para eventual instauração de inquérito civil ou adoção de outras medidas legais.

Postagem feita na própria página do suposto site "privado" como se fosse institucional da Prefeitira

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