Em manifesto, comunidade defende mulher indígena na chefia do Polo da Sesai em Caarapó
| CAARAPONEWS
Em manifesto realizado nesta terça-feira (24), representantes de seis Terras Indígenas (TIs) reafirmaram a defesa de que a chefia do Polo Base da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em Caarapó (MS), seja ocupada por uma mulher indígena indicada pelas próprias comunidades.
A mobilização ocorreu na sede do Polo Base e reuniu lideranças e conselheiros das TIs Te’yikue e Guyra Roka, em Caarapó; Taquara e Jarará, em Juti; além de Rancho Jacaré e Guaimbê, em Laguna Caarapã — todas atendidas pela unidade de saúde. O grupo cobrou diálogo e respeito à decisão coletiva das aldeias quanto à condução da saúde indígena na região.
O ato foi motivado pela cessão do servidor municipal Roberson Luiz Candado para a função de chefe do Polo. Segundo as lideranças, não houve consulta prévia às comunidades, o que gerou insatisfação. Para os manifestantes, a principal reivindicação é que o cargo seja ocupado por uma representante indígena, fortalecendo a autonomia e a participação direta dos povos Guarani-Kaiowá na gestão da saúde.
A indicação defendida pelas comunidades é o nome da professora Elizabete Fernandes, que possui mais de 29 anos de atuação na educação escolar indígena e atualmente exerce a função de coordenadora pedagógica no município. Ela também integra o movimento Kuña Aty Guasu – Grande Assembleia das Mulheres Indígenas Guarani-Kaiowá e é reconhecida como liderança feminina na região.
“Tenho uma história voltada para o interesse da comunidade indígena Guarani-Kaiowá, não só na Te’yikue, mas também em outras cinco aldeias da nossa região”, afirmou Elizabete.
De acordo com o coordenador substituto interino do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) de Mato Grosso do Sul, Genilson Duarte, o servidor cedido ainda não foi oficialmente nomeado para o cargo, e o órgão busca entendimento com a Prefeitura e as lideranças para construir uma solução consensual.
O nome de Elizabete será encaminhado à prefeita de Caarapó, Maria de Lourdes Portugal (PL), que deverá decidir sobre a indicação.
Enquanto as negociações seguem, os atendimentos nas aldeias continuam sendo realizados normalmente, segundo o DSEI.



