PUBLICIDADE

Lista de Flávio Bolsonaro distancia Reinaldo de bolsonaristas em MS

| MIDIAMAX


O vazamento de documento com anotações do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, com indicações do cenário eleitoral do PL em Mato Grosso do Sul aprofunda o racha no partido e distancia o presidente do partido em MS, ex-governador Reinaldo Azambuja, mais ainda do núcleo bolsonarista “raiz”.

As anotações estariam em um documento intitulado “Situação nos Estados”, feitas à mão. Elas são atribuídas ao 01 do clã Bolsonaro, feitas durante reunião da cúpula do PL em Brasília, para tratar sobre os cenários das eleições nos estados.

No que se refere a Mato Grosso do Sul, constam nas anotações de Flávio um suposto pedido do deputado Marcos Pollon de R$ 15 milhões para abandonar sua pré-candidatura ao Governo do Estado — ou Senado, já que ele também se colocou à disposição ao cargo.

No mesmo dia, durante depoimento de Pollon ao Conselho de Ética da Câmara, Pollon denunciou atuação do PSDB de MS no PL: “O PSDB tentou tomar o PL para seu próprio interesse. Mas não se trata de cor partidária, trata-se de liberdade, princípios e honestidade. Eu ofereci a presidência do partido a terceiros, mas mesmo assim espalham mentiras sobre mim”.

Também citada nas anotações de Flávio por supostamente estar pedindo R$ 5 milhões para abrir mão da pré-candidatura ao Senado, a vice-prefeita de Dourados e também pré-candidata ao Senado, Gianni Nogueira — esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira — também sugere boicote interno.

Gianni diz que esse suposto pedido é uma “mentira levada de maneira cruel e rasteira até o pré-candidato à Presidência do PL [Flávio]”.

Parte do grupo bolsonarista “raiz” em MS, Gianni foi sacramentada publicamente por Jair Bolsonaro para ser candidata pelo PL ao Senado. Porém, ela diz que estariam buscando desgastar a imagem dela “para beneficiar candidaturas de centro-esquerda”.

Gianni sugere que alguém dentro do partido teria levado fake news à cúpula do PL. Sem citar quem seriam essas pessoas, diz que “quando percebem que não vou recuar, partem para a velha estratégia, inventam e distorcem para tentar desgastar a minha imagem”.

Pollon e Gianni são representantes da ala “raiz” da direita, que resiste em aceitar Reinaldo no grupo bolsonarista, haja vista que o ex-governador militou por três décadas no PSDB.

O Jornal Midiamax já mostrou que o ex-tucano, Reinaldo Azambuja, enfrenta resistência bolsonarista em MS após assumir o comando do PL e se posicionar “à direita”.

Em entrevista, o ex-governador disse que o eleitor bolsonarista ‘raiz’ “não pode ser burro”. Para o pré-candidato ao Senado, a direita só vai atingir seus objetivos se aceitar quem acredita nos ideais de centro em sua base.

Em entrevista recente ao Jornal Midiamax, a vice-prefeita de Dourados disse ter tido uma única conversa com o atual presidente do diretório em MS, Reinaldo Azambuja. Ela disse que pontuou ao ex-governador que era pré-candidata ao Senado e teria aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ele “não garantiu a vaga”, disse.

Ela chegou a cogitar deixar o PL, diante da falta de espaço ocupado pelo novo grupo. “Se eu tiver que encerrar o meu ciclo dentro do PL, vou encerrar se for necessário. Muito triste, mas eu preciso dar um passo em torno daquilo que me foi solicitado pelo presidente Bolsonaro”, disse Gianni.

Flávio confirma autoria de anotações, mas nega veracidade de informações
Em entrevista concedida à imprensa, Flávio Bolsonaro confirmou ter feito as anotações.

No entanto, ele disse que apenas anotou o que passaram para ele que estaria circulando internamente no partido. “Pessoas iam conversando, indicavam nos estados e fui anotando num papel”, disse. E continuou dizendo que não se tratavam de fatos ou opiniões dele.

Então, citou o caso de Pollon. “Pessoa que conversou comigo disse que estavam dizendo isso do Pollon. Anotei para não esquecer de avisar a ele que estavam falsamente divulgando isso para ele tomar as providências que julgasse necessárias”, informou.

Sem dar detalhes, disse que as conversas “estão adiantadas” sobre o palanque que o partido vai dar em MS. Tudo teria sido tratado em reunião com o deputado federal Guilherme Derrite e outros integrantes da cúpula do PL, em Brasília.

Reinaldo limitou-se a dizer que “o próprio senador [Flávio Bolsonaro] já se manifestou sobre o assunto”.


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE