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Crise financeira do Hospital São Mateus pauta reunião entre Direção, Prefeitura, Câmara, MP e Governo

| CAARAPONEWS


Uma reunião realizada sexta-feira (6) na sede da Prefeitura Municipal de Caarapó reuniu autoridades do Poder Executivo, Legislativo, representantes do hospital São Mateus, do Governo do Estado e do Ministério Público para discutir a grave situação financeira enfrentada pela unidade hospitalar do município.

O encontro ocorreu na sala de reuniões da Secretaria Municipal de Educação e contou com a presença da prefeita Maria Lurdes Portugal, do secretário de Finanças Rafael Sabino, da secretária de Saúde Beatriz Romeiro, do procurador-geral do município Thales Diniz, do chefe de gabinete Jean Ribeiro e do coordenador do PAM Samuel Bach.

Também participaram da reunião o presidente da Câmara Municipal, João Paulo Farias, acompanhado de outros nove vereadores e da controladora da Câmara.

Representando o Ministério Público esteve presente o promotor de Justiça Dr. Alexandre Estuqui Junior.

A reunião também contou com representantes do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, incluindo duas auditoras estaduais e Gerson Schwartz, coordenador regional do Estado.

Pelo hospital participaram o presidente da instituição Olavo Canepelle, acompanhado da advogada do hospital Alcione Martins, do responsável técnico Dr. Vitor, além de outros membros da diretoria.

*Dívida ultrapassa R$ 800 mil*

Durante o encontro foi apresentado um panorama da situação financeira do hospital, que atualmente acumula uma dívida superior a R$ 800 mil, referente principalmente ao período de dezembro, quando diversos profissionais, incluindo médicos, ficaram sem receber pelos serviços prestados.

Um dos pontos centrais discutidos foi a situação de uma prestação de contas do hospital que permanece com status de pendente. O documento deverá passar por análise da Secretaria Municipal de Saúde e também da Procuradoria-Geral do Município, que irão avaliar se a prestação será aprovada ou reprovada.

Segundo foi relatado durante a reunião, essa pendência impede neste momento a formalização de um termo de colaboração ou convênio entre o município e o hospital para o ano de 2026, modelo de parceria que vinha sendo adotado há vários anos para garantir os repasses financeiros necessários à manutenção dos atendimentos.

*Redução de recursos pode afetar cirurgias*

Diante da impossibilidade de firmar o convênio neste momento, o município informou que optou por adotar uma inexigibilidade de licitação, mecanismo que permitirá a continuidade do atendimento hospitalar.

O novo instrumento, no entanto, terá validade de seis meses e prevê uma redução de aproximadamente R$ 90 mil mensais em relação ao contrato anterior.

De acordo com as informações apresentadas, essa redução impacta diretamente especialidades importantes oferecidas à população, especialmente cirurgias de pequena e média complexidade, incluindo procedimentos ortopédicos.

*Prefeitura diz não ter condições de ampliar repasses*

Durante a reunião, a prefeita Maria Lurdes Portugal afirmou que o município enfrenta limitações orçamentárias e destacou os custos com o funcionamento do PAM e com a atenção básica em saúde.

Segundo ela, neste momento a administração municipal não teria condições financeiras de assumir novos repasses para ajudar na quitação das dívidas do hospital.

*Hospital afirma que já adotou medidas de contenção*

Por outro lado, a diretoria do hospital afirmou que, desde o início do ano, vem adotando medidas de contingenciamento de gastos para tentar equilibrar as contas da instituição.

De acordo com os dirigentes, diversas ações administrativas foram implementadas para reduzir despesas e, recentemente, foi contratada uma consultoria técnica especializada, com o objetivo de revisar processos internos e buscar a máxima redução possível de custos sem comprometer o atendimento à população.

Mesmo com essas medidas, a direção do hospital afirmou que as ações internas são insuficientes para resolver o passivo financeiro acumulado, que já ultrapassa R$ 800 mil.

*Direção alerta para possível fechamento*

Outro ponto levantado pela diretoria foi a dificuldade em continuar recorrendo a empréstimos para manter as atividades. Segundo os dirigentes, essa prática estaria transformando a dívida em uma “bola de neve”, comprometendo cada vez mais a sustentabilidade financeira da instituição.

Diante desse cenário, a direção do hospital informou que poderá avaliar, dentro da legalidade, a possibilidade de um eventual fechamento da unidade, caso não haja solução para a crise financeira.

*Ampliação do hospital pode agravar cenário*

Outro fator de preocupação destacado durante a reunião é que o hospital está na reta final das obras de ampliação da estrutura física, o que deverá aumentar os custos operacionais da instituição.

Sem uma recomposição de recursos, a ampliação da estrutura pode acabar agravando ainda mais a situação financeira da unidade.

Caso o problema não seja solucionado, existe o risco de que o hospital passe a limitar ou até mesmo suspender determinados atendimentos, afetando diretamente a população de Caarapó.

A reunião terminou sem uma solução imediata para o problema. A expectativa agora é pela análise da prestação de contas pendente, que poderá influenciar diretamente na continuidade da parceria entre o município e o hospital.


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