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Hospital Beneficente São Mateus divulga nota e pede apoio urgente para evitar fechamento

| CAARAPONEWS


O Hospital Beneficente São Mateus divulgou, na noite desta quinta-feira (26), um comunicado público solicitando apoio emergencial das autoridades e da sociedade para garantir a continuidade de suas atividades em Caarapó.

De acordo com a nota, a instituição enfrenta uma das mais graves crises financeiras de sua história, resultado da dependência de repasses municipais, estaduais e federais, que, segundo a direção, não têm sido suficientes para cobrir os custos operacionais. O hospital afirma que a situação chegou a um nível crítico, com falta de recursos inclusive para a aquisição de alimentos, comprometendo o funcionamento da unidade e o atendimento à população.

No comunicado, a direção ressalta a importância da instituição, que há anos presta serviços essenciais à comunidade, e reforça o apelo por medidas urgentes que evitem a interrupção dos atendimentos. “A instituição que salva vidas diariamente agora precisa ser salva”, destaca um trecho da nota.

A direção também esclareceu que a atual crise financeira não está relacionada às obras de reforma da unidade, que se encontram em fase final. Segundo os gestores, trata-se de um convênio distinto, sendo que as dificuldades estão concentradas no custeio da unidade, incluindo pagamento de salários, aquisição de medicamentos e materiais hospitalares. Ainda conforme o hospital, não houve reajuste nos repasses por parte das esferas municipal, estadual e federal.
Reunião recente terminou sem solução

Conforme já divulgado pelo CaarapoNews, uma reunião realizada recentemente na sede da Prefeitura de Caarapó reuniu representantes do Executivo e Legislativo municipal, além de membros do hospital, do Governo do Estado e do Ministério Público, para discutir a situação financeira da unidade.

Durante o encontro, foi apresentado um panorama que aponta uma dívida superior a R$ 800 mil, acumulada principalmente no mês de dezembro, período em que diversos profissionais, incluindo médicos, ficaram sem receber pelos serviços prestados.

Um dos entraves apontados é a pendência na prestação de contas do hospital, que ainda será analisada pela Secretaria Municipal de Saúde e pela Procuradoria-Geral do Município. Segundo informado, essa situação impede, no momento, a formalização de um novo convênio ou termo de colaboração com o município para o ano de 2026, modelo que vinha sendo adotado para garantir os repasses financeiros.

Diante disso, a Prefeitura optou por utilizar o mecanismo de inexigibilidade de licitação para manter os atendimentos. No entanto, o novo instrumento tem validade de seis meses e prevê uma redução de aproximadamente R$ 90 mil mensais em relação ao contrato anterior.

De acordo com as informações apresentadas, a redução de recursos já impacta diretamente serviços importantes, especialmente cirurgias de pequena e média complexidade, incluindo procedimentos ortopédicos.

Durante a reunião, a prefeita Maria Lurdes Portugal afirmou que o município enfrenta limitações orçamentárias e destacou os custos com o funcionamento do Pronto Atendimento Municipal (PAM) e com a atenção básica. Segundo ela, não há, neste momento, condições financeiras para ampliar os repasses ao hospital.

Por sua vez, a direção do hospital informou que vem adotando medidas de contenção de gastos desde o início do ano, incluindo ações administrativas para redução de despesas e a contratação de uma consultoria técnica especializada para revisão de processos internos. Ainda assim, segundo os gestores, as medidas são insuficientes para equacionar o passivo financeiro.

Outro ponto de preocupação é a dificuldade de manter empréstimos para sustentar as atividades, o que, segundo a direção, tem transformado a dívida em uma “bola de neve”. Diante desse cenário, não está descartada, dentro da legalidade, a possibilidade de fechamento da unidade, caso não haja solução para a crise.

A situação pode se agravar com a conclusão das obras de ampliação do hospital, que devem aumentar os custos operacionais. Sem a recomposição de recursos, há risco de limitação ou até suspensão de atendimentos, afetando diretamente a população.

A reunião terminou sem uma solução imediata. A reportagem entrou em contato com o setor de comunicação da Prefeitura e aguarda um posicionamento oficial sobre o caso.
 


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