MS está entre os estados mais afetados pelo tarifaço de Trump, aponta BC
Queda das exportações para os Estados Unidos foi equivalente a 0,35% do PIB estadual no ano passado
| CORREIO DO ESTADO / SÚZAN BENITES
Mato Grosso do Sul está entre os estados brasileiros mais impactados pela política tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2025.
Levantamento divulgado ontem pelo Banco Central (BC) mostra que a redução das exportações sul-mato-grossenses para o mercado norte-americano representou perda equivalente a 0,35% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Conforme o Boletim Regional 2025, MS teve o quarto maior impacto registrado no País, atrás apenas de Espírito Santo (-0,55%), Maranhão (-0,42%) e Rio de Janeiro (-0,35%).
O boletim divulgado pela autoridade monetária analisou os efeitos da elevação das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o estudo, o tarifaço reduziu em US$ 2,7 bilhões as exportações brasileiras para o mercado norte-americano no ano passado, uma retração de 6,7% em relação a 2024.
Embora o impacto agregado tenha sido considerado moderado para a economia nacional, sendo equivalente a 0,1% do PIB brasileiro e a 0,8% das exportações totais do País, o Banco Central concluiu que os efeitos foram distribuídos de forma desigual entre estados e regiões, atingindo com maior intensidade economias mais dependentes das vendas para os Estados Unidos.
No caso de Mato Grosso do Sul, o resultado chama atenção porque ocorre em meio a um ciclo de forte expansão econômica. O Estado encerrou 2025 com crescimento de 4,4%, acima da média nacional de 2,5%, impulsionado principalmente pela agropecuária e o setor de serviços. A
inda assim, a retração das exportações para os Estados Unidos colocou MS entre os mais vulneráveis aos efeitos da guerra comercial iniciada pelo país norte-americano.
VOLUME
O relatório mostra que a redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos ocorreu principalmente pela queda do volume embarcado, característica típica de choques tarifários. A situação se agravou entre agosto e novembro de 2025, período em que as tarifas adicionais atingiram os níveis mais elevados.
Nesse intervalo, as exportações do Centro-Oeste para os Estados Unidos recuaram 40,5% em valor e 36,8% em volume, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A retração foi uma das maiores entre as regiões brasileiras e evidencia o peso das barreiras comerciais sobre as cadeias exportadoras da região.
“O impacto tarifário foi severo em termos de volume embarcado no período mais crítico”, destaca o BC no documento. Os efeitos do tarifaço atingiram produtos relevantes para a pauta exportadora de MS. Entre as maiores quedas registradas no Centro-Oeste estão as exportações de celulose e metais preciosos.
Segundo o levantamento, as vendas de celulose para os Estados Unidos recuaram 36,2% em 2025, passando de US$ 213,5 milhões para US$ 136,3 milhões. Já as exportações de metais preciosos registraram queda de 69,1% no mesmo período.
O desempenho preocupa porque MS se consolidou nos últimos anos como um dos principais polos mundiais de produção de celulose.
Um dos aspectos destacados pelo BC é que parte das perdas ocorreu justamente em produtos que não estavam diretamente sujeitos às tarifas adicionais impostas pelos EUA.
A própria celulose aparece entre os itens isentos das novas alíquotas, mas, mesmo assim, registrou forte retração nas vendas.
AGRO
Em Mato Grosso do Sul, o desempenho do agronegócio foi determinante para compensar parte dos efeitos negativos da guerra comercial. O Estado foi beneficiado pela forte recuperação da produção agrícola, que impulsionou o crescimento regional.
O BC destaca que o Centro-Oeste foi a única região brasileira a acelerar o ritmo de expansão econômica em relação a 2024. O crescimento regional passou de 2,7% para 5% em 2025.
Além disso, MS figurou entre os destaques nacionais no setor de serviços, contribuindo para manter a atividade econômica aquecida mesmo em um cenário internacional mais adverso.
Neste ano, esse quadro pode sofrer novas mudanças. Brasil e Estados Unidos caminham para um acordo sobre o tarifaço, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Ele afirmou que a negociação avança para um entendimento “parcial e progressivo”.




