PUBLICIDADE

Após morte de Maykelly, ‘muambeiros’ denunciam truculência nas estradas de MS

| MIDIAMAX


Nos últimos meses, ‘muambeiros’ procuraram a polícia para denunciar abordagens truculentas nas estradas de Mato Grosso do Sul. Em parte, as equipes envolvidas seriam da Polícia Militar Rodoviária Estadual e do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário).

O TOR pertence ao BPMRv (Batalhão de Polícia Militar Rodoviária), composto por policiais militares responsáveis por fiscalizar as rodovias estaduais de MS. As equipes do Tático Ostensivo são responsáveis também por boa parte das rodovias que cortam as fronteiras e pelas chamadas “cabriteiras” — rotas vicinais clandestinas usadas por criminosos para desviar de postos de fiscalização.

Em Mato Grosso do Sul, região considerada de fronteira seca do Brasil, elas servem como principal via para o tráfico de drogas e armas, além do contrabando e do descaminho. Assim, os contrabandistas acabam utilizando as rotas fiscalizadas por esses policiais para o desvio das mercadorias.

Abordagens truculentas
Desde o ano passado, o Jornal Midiamax vem noticiando casos de abordagens truculentas envolvendo tais policiais.

Em setembro do ano passado, uma mulher, de 34 anos, registrou um boletim de ocorrência na Corregedoria da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) após relatar ter sido vítima de agressões e ameaças na rodovia MS-164, próxima ao trevo de Antônio João.

Na ocasião, a mulher e sua irmã traziam celulares do Paraguai, os quais seriam produtos de descaminho. Na abordagem, o policial a teria chutado na região do estômago, pegando-a pelo cabelo e gritando: “Sua vagabunda, conta aqui quantos celulares tem”. E continuou: “Isso é pra você aprender que com a TOR [Tático Ostensivo Rodoviário] não se brinca, que TOR é TOR, pra TOR não se mente”.

Já em abril deste ano, mais um caso de abordagem truculenta veio à tona, após a prisão de um sargento de ‘bigode’ suspeito de participar de uma abordagem na região de Ponta Porã. O caso também foi parar na Corregedoria da Polícia Militar após o servidor público de Brasília (DF) denunciar a equipe.

Na ocasião, o servidor teria vindo a Mato Grosso do Sul na tentativa de “recuperar um maquinário que havia sido furtado no DF”. No entanto, durante o retorno, foi abordado pela equipe.

Ele relata que os policiais o teriam mandado sair do veículo e se ajoelhar, inclusive colocando uma arma em sua cabeça. Além disso, eles teriam dito para o homem abrir os braços e disparado na direção da mão dele.

Caso Maykelly
O caso mais recente inclui a morte de Maykelly Araújo Points, de 30 anos, quando o carro no qual ela estava com drogas caiu dentro de uma piscina durante uma perseguição dos militares do BPMRv. Vale lembrar que essa abordagem foi realizada por policiais do Batalhão Rodoviário, sem participação da especializada TOR.

A perseguição policial começou em Ponta Porã e terminou após o motorista, namorado de Maykelly, invadir uma propriedade rural em Pedro Juan Caballero. Ele perdeu o controle do veículo e caiu na piscina.

 Dentro do carro, os policiais encontraram cerca de cinco quilos de maconha e um revólver com a numeração raspada. O motorista do veículo foi preso em flagrante.

O carro em que o casal estava apresentava diversas marcas provocadas por disparos de arma de fogo. Maykelly estava no banco do passageiro. Ela sofreu ferimentos, foi socorrida e encaminhada ao Hospital Regional de Ponta Porã, mas não resistiu. A morte foi confirmada minutos depois.


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE