Do medo de acampar ao rapel, Bonito salvou rotina chata de casal
Laís e André fizeram das folgas em turismo de aventura e das águas da cidade um novo lar
| NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS
Se dissessem para Laís Brandão Nunes Peralta, de 32 anos, que ela deixaria Bom Jesus do Itabapoana (RJ), no interior do Rio de Janeiro, e que, anos depois, seu destino seria fincar raízes no interior de Mato Grosso do Sul, ela provavelmente duvidaria. Foi em Bonito que a vida com o marido, André Luís da Silva Peralta, de 31 anos, tomou outro rumo, e foram as águas de lá que “salvaram' a rotina do casal.
André é enfermeiro e atua no hospital local. A conexão do casal com o mato não era novidade. Anos antes, uma trilha em Furnas do Dionísio já havia mostrado a eles que o esporte de aventura era o oxigênio da relação e que as águas daqui eram potentes.
'Percebemos que esse tipo de atividade conectava muito a gente'. Enquanto muitos casais enfrentam o tédio de não encontrar programas que fujam do óbvio, eles transformaram as folgas em laboratório. 'Eu vejo que um casal tem dificuldade de fazer algo sem sair para comer e beber. A gente gosta muito de natureza'.
Antes de chegar à pequena cidade turística, a jornada foi longa. Ela passou por Minas Gerais para cursar a primeira faculdade e, já formada em Química, decidiu arriscar a vida em Campo Grande.
'Escolhi o Estado justamente por não conhecer a cultura. Não pensamos em nos mudar daqui, queremos ficar porque é um lugar muito maravilhoso, tem a tranquilidade que só o interior tem e a gente consegue escapar da rotina e correria do dia a dia. Sinto que é um estado pouco conhecido e as pessoas merecem conhecer'.
Sem saber que a melhor opção estava próxima e com saudades do mar, eles arrumaram as malas e partiram para Florianópolis (SC). Passaram 2 anos na calmaria do litoral, até que, em 2024, o pai de André faleceu.
'Foi bem difícil a morte dele para todo mundo. Queríamos ficar mais perto, estávamos longe das duas famílias. A minha no Rio, a dele aqui. Eu não cogitava morar em Bonito por ser uma cidade pequena. Quando a gente morava em Campo Grande, a gente também estava longe, eu também não tinha amigos porque a maioria tinha se mudado', relembra.
Aquela menina que antes se dizia 'medrosa' para o camping foi perdendo o medo de desbravar a natureza e os esportes. Recentemente, eles encararam o rapel, já andaram de quadriciclo nas dunas e passaram a explorar o turismo local. Eles compartilham essas experiências nas redes sociais.
“Quando a gente se mudou para cá, eu passei a trabalhar em uma agência de turismo e conhecer outros lugares também. Com base nisso, pensamos em compartilhar essas experiências. A gente sempre gostou de cachoeira. Aqui, essa região é linda demais e conseguimos fazer muita coisa, sem contar a gastronomia.'
Laís é formada em Química, mas não atua mais na área. Hoje, trabalha com Marketing de Conteúdo e está terminando a segunda graduação em Gestão de Mídias Sociais.



