Eleição consolidada ou voto silencioso? Campanha atípica entra na reta final em MS
| INVESTIGAMS/WENDELL REIS
A palavra “estranha' é a mais ouvida quando a reportagem conversa com lideranças, cabos eleitorais e população em geral sobre a eleição em Mato Grosso do Sul, mas que também passa pela Presidência da República.
Neste ano, até a briga entre lulistas e bolsonaristas tem menos paixão. Ainda que os dois polarizem a disputa, a eleição não é tão acalorada nas rodas de conversa e aponta para um voto mais silencioso.
É justamente neste silêncio, onde a maioria nem tem dado muita bola para a eleição, que muitos candidatos se apegam nesta reta final, apostando que tudo pode mudar.
Sem tempo na televisão, com pouco debate e uma rede social com restrição de alcance, os candidatos que estão atrás tentam a difícil missão de chegar até o eleitor menos interessado em política. Esse é o principal desafio de quem está atrás e sem estrutura para campanha.
É justamente por onde passa a expectativa vitória de quem está na frente e tem que defender os quatro anos que administrou o Estado, somado aos oito anos do grupo (se levar em conta a gestão Reinaldo Azambuja). Os 12 anos trazem um peso, mas também a força de uma máquina que fala em “construção'.
Riedel torce para o tempo correr
Até aqui, pouca movimentação que possa mudar os rumos da eleição, o que é de extrema importância para quem aparece na frente nas pesquisas. É o caso do governador Eduardo Riedel (PP). Para o grupo, seria ótimo se a eleição (ou o jogo) acabasse neste fim de semana.
O atual governador tem o maior tempo na propaganda e aparece a todo momento no intervalo da programação da televisão. Tem maioria de favoritos para a Assembleia e Câmara e ainda o apoio de 79 prefeitos.
Nesta semana, durante encontro com Flavio Bolsonaro (PL), Riedel deixou a ponderação de lado e falou que a expectativa é vencer no primeiro turno.
Adversários correm contra o tempo
Já para os adversários o clima é de decisão. Eles ainda apostam em uma arrancada final, que garanta um segundo turno. Esse sonho está justamente no chamado “voto silencioso ou de chegada'.
Sem grandes eventos para uma virada, a expectativa hoje reside em uma torcida para que alguma operação policial na reta final possa fazer uma parte da população decidir por um segundo turno para refletir um pouco mais sobre o que deseja para o Estado.
Nas redes sociais, o principal tema escolhido é corrupção e descuido com estradas, saúde e os mais necessitados, mas o medo é de que essa insatisfação não fure a bolha e chegue à população.
O medo maior está justamente neste apatia que tende a favorecer quem já está no governo. Isso foi demonstrado na última eleição para prefeituras em todo o Brasil, onde houve uma tendência de reeleição, independentemente do resultado apresentado por quem administrava.
Diante do cenário nebuloso, candidatos entram na reta final em uma briga do todos contra Riedel, mas também pela segunda posição, que garantiria um segundo turno, embora distante nas pesquisas divulgadas até o momento.
O que dizem as pesquisas?
As pesquisas já divulgadas apontam para liderança e possibilidade de vitória de Riedel no primeiro turno. Fábio Trad (PT) aparece em segundo em todas.
A terceira posição é disputada por Delcídio do Amaral (PRD) e João Henrique Catan (Novo). Mais atrás aparecem Economista Renato (DC), Lucien Rezende (PSOL), Jeferson Bezerra (Agir) e Daniel Lemes (PCO).



