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Defesa de vereador contesta boletim de ocorrência e questiona menor sem habilitação

| INVESTIGAMS/WENDELL REIS


A defesa do vereador de Ponta Porã, Dionaldo Morinigo, divulgou uma nota questionando o que foi divulgado até o momento sobre a prisão ocorrida no fim de semana passada, quando o cliente se envolveu em um acidente com um carro dirigido por um adolescente de 17 anos.

“Desde logo, há uma circunstância relevante que deve ser conhecida: o outro veículo envolvido na colisão era conduzido por um adolescente de 17 anos de idade e, portanto, sem habilitação para conduzir veículo automotor. A idade do condutor consta do próprio procedimento policial', alega o advogado Elvis Preslei.

O advogado alega que o episódio que levou o vereador à prisão, onde está até hoje, é mais complexo do que algumas versões divulgadas inicialmente, recomendando cautela antes da atribuição definitiva de responsabilidade.

A defesa contesta a informação de que o menor estaria desacordado e em estado grave, justificando que o documento oficial produzido pelo Corpo de Bombeiros atestou que ele estava consciente e orientado, com possível fratura de membro inferior direito.

“A defesa não pretende, com isso, minimizar qualquer lesão efetivamente sofrida pelo adolescente. Tampouco afirma, neste momento, qual será a classificação médico-legal definitiva dessas lesões, matéria que depende da documentação médica e da prova pericial pertinente. O que a defesa considera indispensável é que a informação pública seja precisa'.

Elvis Preslei também cita o vídeo do momento do acidente, questionando as ações do menor. Ele afirma que o vídeo mostra o adolescente chegando ao cruzamento, interrompendo sua movimentação, aparentemente iniciando uma marcha à ré e, posteriormente, avançando para atravessar a via justamente quando o veículo conduzido por Dionaldo se aproximava, ingressando em sua trajetória e ocorrendo, então, a colisão durante essa manobra.

“A sequência das imagens evidencia, portanto, que a manobra realizada pelo outro veículo imediatamente antes do impacto constitui elemento relevante para a reconstrução da dinâmica do acidente e para a apuração das respectivas responsabilidades. A existência de uma colisão e de uma vítima não autoriza, por si só, que se estabeleça antecipadamente e sem exame técnico toda a responsabilidade pela ocorrência', pontua,

O advogado alega que vai procurar esclarecer, em quais circunstâncias o adolescente teve acesso ao veículo, quem autorizou ou permitiu sua condução e quais providências foram adotadas pelas autoridades em relação a essa circunstância.

“Não se trata de transferir antecipadamente responsabilidade para o adolescente. Trata-se de exigir que todos os fatores potencialmente relacionados à ocorrência sejam examinados com o mesmo rigor, sem selecionar previamente apenas aqueles desfavoráveis a um dos envolvidos'.

Questionamento sobre ameaça, desacato e tentativa de oferecimento de vantagem

A defesa alega que as afirmações relacionadas a ameaça, desacato e suposta tentativa de oferecimento de vantagem a agente público devem ser examinadas no devido processo, com contraditório, produção de provas e possibilidade de apresentação da versão do vereador.

O registro de uma acusação em boletim de ocorrência ou auto de prisão não equivale, por si só, à comprovação definitiva do fato narrado como verdadeiro. Por essa razão, a defesa não pretende realizar pela imprensa a discussão probatória, a qual deverá ocorrer perante as autoridades competentes. Cada uma dessas imputações será enfrentada no momento e pela via adequados, a partir das provas existentes.

O Caso

Segundo boletim de ocorrência, Dionaldo foi preso em flagrante após passar em alta velocidade com uma Hilux por uma lombada e bater na lateral de uma Saveiro dirigida pelo jovem.

Ainda segundo o relatado pela polícia, o vereador fugiu sem prestar socorro. Ele foi abordado por um escrivão da polícia que presenciou o acidente e lhe perseguiu por dois quilômetros. O policial contou que ao descer do carro ele nem acionou o freio de mão, colidindo o veículo com o do escrivão.  

O policial relatou ainda que o vereador se apresentou como militar e político, indagando se teria uma forma de resolver o caso ali. O policial interpretou a fala como tentativa de suborno.

Ao ser abordado, o autuado identificou-se como militar e vereador, afirmando ostensivamente estar armado com uma pistola na cintura. Recusando-se a entregar o armamento sob a alegação de que o policial ‘não era nada’, passou a invocar sua condição política e parentesco com figura pública local, oferecendo vantagem indevida para que os policiais ‘resolvessem ali’', diz o registro.

Dionaldo se recusou a fazer o teste de bafômetro, mas foi descrito pelos policiais com hálito etílico, agressividade e desordem nas vestes. Latas de cerveja foram encontradas no carro.

“Com a chegada de guarnições o autuado passou a desacatar o policial civil na presença de todos os demais agentes públicos, chamando-o de ‘filho da puta’ e ‘policial de merda’, bem como proferiu ameaça direta e ostensiva de morte, bradando que ‘iria pegá-lo depois’.

O boletim de ocorrência foi registrado por lesão corporal, qualificada pela influência de álcool e majorada por omissão de socorro; corrupção ativa, desacato e ameaça. A justiça acatou pedido do MPE e passou a prisão de flagrante para preventiva.

“A conduta de ameaçar diretamente o policial responsável pelo flagrante, aliada à influência decorrente de seu cargo parlamentar e ao porte habitual de arma de fogo de grosso calibre, evidencia o risco concreto e palpável de intimidação sobre os agentes de segurança pública que testemunharam o fato, bem como sobre à vítima e seus familiares. A liberdade do investigado comprometeria a lisura da instrução penal', defendeu o promotor André Luiz de Godoy.


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