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Caarapó

TRE investiga eleição na aldeia de Caarapó

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) está investigando denúncias de tráfico de influência na Aldeia Indígena de Caarapó.

| DOURADOSAGORA


 O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) está investigando denúncias de tráfico de influência na Aldeia Indígena de Caarapó. O assunto gerou polêmica porque os indígenas acreditam que perderam o direito das duas urnas eleitorais, que todo pleito é instalada na Tey Kue.

 O boato levou mais de 500 indígenas a fechar ontem a estrada vicinal MS 280, de acesso entre Laguna Carapã e aquele município, utilizada para a escoar a safra. O manifesto gerou transtornos especialmente para os caminhoneiros que conduziam caminhões carregados com soja.

 Na manhã de quinta, o cacique Zenildo Isnardi disse  que o protesto só terminaria com a presença do presidente do TRE no Mato Grosso do Sul, o desembargador Oswaldo Rodrigues de Mello. No entanto, segundo a Polícia Rodoviária Estadual, no final da tarde eles desistiram e retornaram para a aldeia.

 A polêmica começou depois que as lideranças receberam do Conselho Tutelar um edital de convocação para as eleições de conselheiros, marcadas para 22 de abril. Isnardi disse que ficou preocupado com a locomoção dos cerca de 1.500 eleitores, que teriam de se deslocar para votar em Caarapó, inclusive nas próximas eleições gerais, em 2008.De acordo com o juiz Waldir Peixoto Barbosa, a denúncia de "compra de votos" chegou ao TRE ano passado, após as eleições para presidente, governador, senador e deputados.

 À época, o então corregedor, desembargador Oswaldo Rodrigues de Mello, hoje presidente do TRE, teria apurado que mais de 90% dos votos eram para um único candidato de determinado partido político.

 "O fato vem se repetindo nas últimas eleições".No entanto, o juiz assegura que até agora não há nenhum procedimento na Justiça Eleitoral sobre a suspensão da seção na aldeia Tey Kue. Segundo ele, pode estar ocorrendo um mal entendido, já que o TRE costuma emprestar urnas para eleições de entidades, como é o caso do Conselho.Ontem, no momento em que o Douradosagora e O PROGRESSO estavam no local do protesto, os índios detiveram o oficial de Justiça Eládio Freitas, não índio e que fala guarani.

 Ele estava em serviço quando foi impedido de sair. Fato comunicado ao jornal pelo cacique Isnardi, que está disposto a manter fechada a estrada. Horas depois, o oficial conseguiu escapar do cerco e contou ao juiz Waldir que não foi agredido pelos índios desarmados.

CONSELHO

A presidente do Conselho Municipal da Criança e Adolescente, de Caarapó, Evinei Arce da Silva, disse ao Douradosagora e O PROGRESSO que a instituição terá uma reunião na próxima segunda-feira para avaliar a viabilidade de levar as urnas para os índios participarem na eleição do Conselho Tutelar. No entanto, ela adianta que as chances são mínimas, já que a instituição trabalha com voluntários e possivelmente vai preferir enviar ônibus em dois períodos para o transporte dos eleitores das aldeias e dos distritos de Nova América e Cristalina, que desejarem votar.


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