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A América dos idosos é Latina - Por Silmara Diniz

| CAARAPONEWS


Silmara Diniz

Para quem está no auge dos 20 anos, chegar aos 60 parece levar uma eternidade. No país dos idosos, esta afirmação não deixa de ser verdadeira, mas traz reticências. O tempo não tem pressa e esculpe a velhice numa paisagem de prédios antigos e roupas de frio sem grife, que formam um lugar inesquecível e apaixonante: o Uruguai.

A população do Uruguai passa de 3 milhões e 200 mil pessoas. Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística do Uruguai), 13,4% desse total são idosos, com 65 anos ou mais. Mais ainda: metade desse percentual vive na capital, Montevidéu.

Para valorizar essa grande parcela da população, foi aprovado, em junho do ano passado, um projeto de lei para a criação de um órgão que defenda os interesses dos idosos uruguaios. Segundo o governo, essa lei atenderá a terceira idade no sentido de controlar as casas de saúde, promover a participação em atividades sociais e a relação com os jovens.

Para o senador que apresentou o projeto, Julio Lara, a discriminação com estas pessoas é uma realidade: “Lamentavelmente [os idosos] estão desprotegidos. A família os abandona e esta falta de atenção familiar envolve o serviço, que também se deteriora”, conclui.

O Ministério da Educação e Cultura do país possui programas voltados para a terceira idade em Direitos Humanos, pela defesa e promoção dos direitos dos idosos, ambos visando velar pelo cumprimento dos princípios das Nações Unidas.

Outro ponto a destacar é a seguridade social destas pessoas: o Banco de Previsión Social (BPS) registra 366.839 aposentadorias. Destas, quase 70 mil são aposentadorias e pensões por idade. Este instituto também promove cuidados aos idosos através de programas de apoio a organizações que beneficiam pessoas mais velhas, de ampliação da oferta de centros recreativos e de incentivo a atividades físicas, este último em convênio com o Ministério do Turismo e Esporte.

Mesmo com todo o tipo de promoção a favor dos idosos uruguaios, apenas 11% deles participam ou estão vinculados a organizações sociais.  A investigadora do Programa de População da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade, Mariana Paredes, comenta as deficiências dos programas sociais destinados aos velhinhos: “Não se dá a devida importância aos problemas dos anciãos no Uruguai. As políticas sociais vinculadas a este grupo são escassas e setoriais e não obtiveram uma coordenação geral a nível estatal”.

O grande número de idosos não se concentra apenas neste país da América do Sul. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a OMS, no ano 2000 havia 600 milhões de pessoas acima de 60 anos no mundo e a previsão é de que serão 2 bilhões em 2050.

No Brasil, os idosos representam 8,6% da população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e estima-se que em 2025 o país seja 0 6º em população acima de 65 anos no mundo.

Na Europa, onde também existe uma grande parte da população composta por pessoas com 60 anos ou mais, já existem diversas iniciativas para inserção da terceira idade nos segmentos sociais. Na Suécia, por exemplo, há quase um idoso para cada pessoa economicamente ativa e para driblar a discriminação – os impostos pagos são parte do pagamento dos seguros sociais – o governo cria programas para recolocar os idosos no mercado de trabalho.

Uma curiosidade sobre a terceira idade é a de que a economia dos países europeus está nas mãos dos que têm mais de 60 anos: 60% dos imóveis são de sua propriedade; 65% têm casas próprias e 75% de todas as ações do mercado estão em suas mãos. Às pessoas acima de 50 anos está o mérito de serem responsáveis por 80% das vendas dos carros mais caros e de cruzeiros marítimos, 50% dos cosméticos e 35% das viagens em geral.

Para receber uma população, digamos, deste porte, a hora de planejar e investir em qualidade de vida, saúde e previdência social para estas pessoas é agora. Não importa a nacionalidade, se é latino ou europeu, se o idioma é inglês ou espanhol. Acima de todas as diferenças, todos buscam um mesmo objetivo: deixar o tempo correr como uma tartaruga.

 

 


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