PUBLICIDADE

Felipe Andreoli do CQC


Todo espectador do Custe o Que Custar (CQC) que se preze sabe que, entre a equipe de reportagem, Felipe Andreoli é o homem para as missões espinhosas dentro do esporte. O jornalista é figurinha fácil em coberturas de jogos de futebol no país e no exterior e goza da simpatia da elite da classe boleira, como Robinho e Ronaldo. No entanto, o humorista acusa um certo desgaste a respeito de seu conhecido trabalho ombro a ombro no meio das torcidas.
 

Felipe Andreoli visitou a redação do UOL na última terça-feira para participar de um bate-papo com os internautas do portal. Na saída, conversou com a equipe de Esporte sobre as encrencas já experimentadas em estádios e deu detalhes sobre o lançamento de seu primeiro livro, “O pior futebol do mundo”, sobre as façanhas negativas de times perdedores nos campos do planeta.
  Confira a seguir a conversa com Felipe Andreoli com o UOL Esporte:
UOL Esporte: Nestes quatro anos de CQC, você ficou marcado como a cara boleira do programa. Isso aconteceu naturalmente, pela sua origem no jornalismo esportivo?
Felipe Andreoli: Não tem como lá, não é que sou o mais boleiro do programa, eu sou o único. Foi por extrema falta de opção. Eu sempre trabalhei com isso. Se eu não faço é porque estou viajando ou fazendo outra coisa. Se aparecer uma bola lá na redação, os caras pegam com a mão. Eles têm zero intimidade com bola, posições e etc.
  UOL Esporte: No bate-papo com os internautas você revelou uma certa desilusão com as coberturas em estádio, em razão de alguns incidentes mais violentos com torcedores. Vocês do CQC estão marcados, está complicado trabalhar em estádios?
Felipe Andreoli: Eu gosto muito de fazer o jogo, 80% do público é bacana, elogia o programa. É muito menor tem a parcela de caras mais agressivos, quem vai para estádio sabe como é que é. Então toda vez eu tenho que descer pertinho da entrada, eu tenho que sair depois de todo mundo, não posso fazer a matéria no meio da arquibancada. A gente sabe que são lugares que corre risco de acontecer alguma coisa. A gente vai com uma equipe de um repórter, um câmera e um produtor, não vai para o estádio com um monte de segurança, até para poder entrevistar de igual para igual. Mas a gente quer que elas (pessoas) respeitem. A gente não está lá para tripudiar ninguém, estamos lá para brincar, não para sair na porrada com ninguém.
  No bate-papo com os internautas do UOL, Andreoli afirmou que recentemente vem até preferindo ser destacado para pautas de outra natureza.
UOL Esporte: Já aconteceu algum incidente mais desagradável neste sentido?
Felipe Andreoli: Aconteceu o que todo mundo sabe. Foi na final da Copa do Brasil entre Inter e Corinthians [em 2009, em Porto Alegre], os caras tentaram agarra, dar porrada, a segurança do Inter até ajudou. Agora na Vila Belmiro, a gente desceu da van muito longe do estádio, passamos no meio da organizada, aí o cara chuta, puxa seu cabelo, puxa sua camisa. E você tem que sair andando reto, não olha, se parar para argumentar é pior. O negócio é ignorar e lamentar. Todos são muito machos quando estão em bando. Quando estão sozinhos, pedem para tirar foto com você.
  UOL Esporte: Você se assume na TV como torcedor da Portuguesa. É pra valer ou uma estratégia para ficar mais isento (na torcida de outros clubes)?
Felipe Andreoli: Sou torcedor da Portuguesa, torço muito mesmo. Acho que ajuda, mas eu torço para o time.
  UOL Esporte: Você está para lançar um livro com temática esportiva. Fale um pouco sobre essa experiência.
Felipe Andreoli: É o “O pior futebol do mundo”, conta um pouco a história de times muito ruins, como o Íbis, goleadas incríveis de mais de 30 gols, como um jogo da Samoa Ocidental. É mais uma reunião dessas curiosidades, desses vexames. Recebi esse estudo do Marcelo Duarte [editor da Panda Books] e escrevi uma história em cima desses números, criando um personagem fictício que vasculha os arquivos da Fifa atrás desses piores do futebol.
  UOL Esporte: Qual foi a influência do seu pai, que atuou como jornalista esportivo, na sua decisão profissional?
Felipe Andreoli: Com certeza foi a inspiração para eu escolher o jornalismo esportivo. Só que eu sempre fui muito mais fanático do que ele [Luiz Andreoli, ex-apresentador da Globo e da Bandeirantes]. Ele nunca foi de chegar do trabalho e ver três jogos seguidos em casa. Ele gosta dos cavalinhos do jóquei. Já eu sempre gostei. Uma vez, o teleprompter caiu numa transmissão ao vivo e eu fiquei no estúdio soprando para ele os resultados, porque eu sabia de cor.
  UOL Esporte: Vocês do CQC mesclam humorismo com padrões convencionais do jornalismo. E tem gente, do outro lado, que também tem apostado em recursos de entretenimento na cobertura esportiva na TV. O que você acha disso?
Felipe Andreoli: Acho interessante, por exemplo um cara como Tiago Leifert usar o poder que a Globo tem para fazer uma coisa mais leve, mais jovem. Acho que é bem possível mesclar informação com esse lado. Muitas vezes o torcedor não quer saber só quem levou cartão amarelo, onde nasceu o lateral reserva do Bahia. A gente da Band tem um outro estilo. Tem o Neto que é um comentarista mais incisivo, tem o Denílson que faz uma graça, a Renata Fan que sabe bem mesclar esses dois lados.  

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE