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Zé Teixeira: 'Quem tem contas a pagar aos índios é o governo federal'

| FOLHA DE DOURADOS


O deputado estadual Zé Teixeira é agropecuarista, nascido em Guanambi/BA, em 06 de março de 1940. Morou em Ribeirão dos Índios/SP e chegou a Dourados, no Mato Grosso do Sul, em 22 de junho de 1962. Na política, iniciou como presidente do Diretório Municipal do PFL, em Dourados. Em 1994, foi eleito deputado estadual, reeleito em 1998 para o 2º mandato e para um 3º, em 2002.
 

O quarto mandato veio em 2006 e agora ele cumpre o 5º desde 2010. É ainda presidente do Diretório Regional do Democratas - DEM. Nesta entrevista exclusiva à folha de dourados ele fala sobre sua carreira política, opina sobre temas atuais da Assembleia Legislativa e sobre os fatos que vem se desenrolando em Dourados.
 

Deputado, outro dia o senhor disse que essa é sua última participação na política enquanto legislador. O senhor irá mesmo se aposentar?

Zé Teixeira: A política só me deu prazer e satisfação. Estou cumprindo com meu dever junto ao eleitor. Terminarei meu mandato com 74 anos de idade, se Deus permitir. Acho que é o momento de dar lugar a novas lideranças, apesar da escassez destas novas lideranças políticas comprometidas com a ética, determinação e dedicação como eu tenho feito no exercício destes mandatos.
 

Nesses anos todos militando, qual o projeto que o senhor considera mais importante da sua trajetória política?

Tenho vários projetos importantes, alguns que são do agronegócio, pois é o setor que mais contribui para o crescimento do Brasil, setor que atuo profissionalmente. Através destes projetos consegui mecanismos de proteção em especial aos pequenos produtores, principalmente no tocante a injustiças fiscais, amparados pelo código tributário, como a diferença de estoque no rebanho inicial, abertura de inscrição para o pequeno produtor, renovação de DAPs, diferenças de rebanho, assim por diante. Também tenho destacada atuação nas questões ambientais e tenho fiscalizado com veemência o dinheiro arrecadado para investimentos em rodovias e pontes, como exemplo a construção da ponte de concreto sobre o Rio Dourados. Também exemplifico o projeto que possibilita muita economia a população, como a instalação de eliminador de ar em hidrômetros da rede de água. O projeto foi aprovado, mas ainda não foi regulamentado pelo governo do Estado, pois a economia chega a cerca de 40% na conta de água.
 

Nessa legislatura atual, qual projeto o Sr. destaca como sendo o mais importante?

Na área social, tenho um projeto que torna obrigatório e de forma gratuita o exame de ecocardiograma para crianças que nasçam com Síndrome de Dwon. Também foi aprovado recentemente projeto que autoriza a transformação de bicicletas apreendidas em cadeiras de rodas, pois 70% da matéria prima para fabricar uma cadeira de rodas estão nas bicicletas. Isso evita desperdício e ainda ajuda na ressocialização dos presos. Também sou autor de emenda no projeto de lei do colega deputado Paulo Durante sobre a ficha limpa para secretários de Estado. Em parceria com Marquinhos Trad, colocamos que todo funcionário publico que detém cargo de confiança tem que ter a ficha limpa, sem passagens obscuras.
 

Falando em Assembleia, está havendo uma discussão lá em torno da mudança de nome do Estado. Qual a posição do Sr. em relação ao assunto?

Sou totalmente contra. Na minha visão não traz benefício ao Estado, aliás, trará transtorno às pessoas que aqui moram. Mato Grosso do Sul existe há mais de trinta anos e isso hoje em nada mudaria. Outra coisa é o custo dessa consulta, deste plebiscito, quem vai pagar a conta? Vejo que isso tinha que ser discutido lá atrás, quando o Estado foi criado, não agora.
 

Outra discussão muito forte lá também é em relação à abertura das contas da Casa de Leis, o Sr. concorda ou não concorda com essa abertura?

Não posso opinar, não faço parte da Mesa Diretora. Sei que todo dinheiro que recebo da Assembléia Legislativa tenho que comprovar através de notas fiscais. Quanto a isso as contas da Assembléia sempre foram abertas. Estão no portal da transparência, conforme preconiza a Lei de Responsabilidade Fiscal.
 

Falando agora de política local. Como ficará o DEM com o prefeito Murilo ingressando em outro partido. O senhor previa que isso um dia iria acontecer. Quais os próximos passos para a reorganização do DEM a partir de agora?

 

A saída do Murilo é uma opção pessoal dele. Na minha visão ele busca melhores dias para administração de Dourados. Hoje o dinheiro é centralizado no governo federal. Se os aliados da presidente Dilma têm dificuldades para conseguir verbas, imagine quem é opositor. Mas a ida dele para o PSB não muda em nada em seu perfil ou procedimento. Ele vai continuar sendo sempre o mesmo Murilo. Ele deu credibilidade a Dourados, tirando o tráfico de influência, proporcionando uma maior e melhor eficiência no serviço público e busca atender a população de forma igual. Quanto ao DEM não muda nada, tenho a expectativa de continuar presidindo o partido. Em Dourados temos quatro vereadores, vamos nos fortalecer para nas próximas eleições tentar, no mínimo, aumentar nossa bancada na Câmara. Mas o futuro do partido deverá ser discutido junto ao diretório local. Minha amizade com o Murilo é grande e a intenção é caminharmos juntos, mas isso será decidido pelo Democratas através de seus membros.
 

Com sua experiência política, qual o quadro que o Sr. visualiza para as próximas eleições municipais em Dourados O DEM apoiaria Murilo em um novo partido (aliado de Dilma) ou iria para o embate, contra o atual administrador se aliando com os adversários dele?

O Murilo, volto a dizer, continua sendo a mesma pessoa, o mesmo administrador, independente de partido. Ele não vai mudar seu perfil saindo do DEM e entrando no PSB. Em Mato Grosso do Sul o DEM está com o PT em vários municípios. Cito como exemplo Bataguassu, Laguna Carapã, Amambai. Mas vejo que não é a hora de discutirmos o embate eleitoral. Temos que estar atentos e convergir para uma administração eficiente. Dourados, na verdade precisa de uma grande união para podermos recuperar mais de 10 anos perdidos. Dourados, na verdade está em busca de uma eficiência administrativa e vejo que o Murilo está no caminho certo.
 

Aquela disputa que deu muito o que falar com um secretário da prefeitura (Antônio Nogueira), aquilo foi superado. Está tudo em paz entre vocês dois hoje em dia?

Não tive nenhuma disputa com o Antonio Nogueira. Não concorri a nada com ele. Apenas eu o aconselhei a medir as palavras, fiz isso como amigo que sou dele. Esclareci meu ponto de vista. Jamais o ameacei. Ele não me fez nada de mal. Mas se ele quiser chamar alguém de safado ou sem vergonha, problema dele. Também como muitos dizem na cidade não tenho nenhum pupilo na prefeitura, referido-me ao engenheiro Jorge De Lúcia que muitos julgam ser ele meu protegido. Inclusive nem sei onde é a sala do Jorge, que aliás o considero muito competente, até que se prove o contrário.
 

Não tem como ence rrarmos essa entrevista sem tocarmos em um assunto que o Sr. acompanha há muito tempo, inclusive com algumas declarações polêmicas a respeito, que é o assunto da questão indígena. Qual a solução para agradar indígenas e produtores rurais que o Sr. acredita ser a ideal para acabar com esses conflitos?

Não existe polêmica em questões indígenas. Vejo que a lei tem que ser cumprida, notadamente a Constituição Federal. Sou contra uma pessoa que está na terra, com todos os direitos legais há mais de 50 anos ter que deixá-la só porque alguém afirma ser terra indígena. A Funai não tem estrutura, nem condições de atender o índio. Outra coisa, o silvícola tem que ser separado do aculturado e eles têm que ter a opção de viver como querem. Na minha visão a tutela ao índio é descriminação. O Judiciário tem que cumprir com o que preconiza a Constituição Federal, dando direito a quem tem direito. Se o índio tem direito, quem tem que proporcionar isso a ele é a União, não uma pequena parcela de produtores pagarem à conta. Se existe dívida, todos têm que pagar. Quem tem contas a pagar aos índios é o governo federal.
 

A última pergunta, talvez a mais polêmica de todas que o Sr. pode escolher responder ou apenas não comentar: Como o Sr. se sentiu ao ver seu sobrinho Júnior e até seu irmão Humberto, expostos na mídia acusados de cometer irregularidades. No caso do Júnior, o senhor acredita na inocência dele na Owari, Uragano e Câmara Secreta? Por quê?

Somos iguais perante a lei. O que aconteceu com meu irmão foi uma injustiça. Já com o Junior ele deve responder por seus atos. Para isso existe o Judiciário e ele tem o direito assegurado a se defender.
 

Qual recado o Sr. deixa para seus eleitores, amigos e população em geral?

Otimismo e responsabilidade com nossa cidade. Continuarei trabalhando pela população de meu Estado. Sou o segundo deputado estadual mais votado em Mato Grosso do Sul. Pertenço ao setor do agronegócio, mas defendo a todos os segmentos da nossa sociedade. Com responsabilidade sempre estarei vigilante, honrando a confiança dos sul-mato-grossenses, principalmente aqueles mais de 40 mil eleitores que me confiaram o voto.

 


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