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Caarapó

Consumo de crack avança entre usuários da classe média

O consumo de crack, droga antes associada apenas à pobreza e que agora alcançou a classe média, vem subindo em Caarapó e em todo o país.

| CAARAPONEWS


 

Por André Nezzi e Silmara Diniz 

O consumo de crack, droga antes associada apenas à pobreza e que agora alcançou a classe média, vem subindo em todo país. Isso levou o Ministério da Saúde a criar um grupo de trabalho para elaborar um programa específico de tratamento do vício no SUS.

Em Caarapó, segundo o comandante da Polícia Militar Capitão Carlos Magno da Silva, o consumo da droga vem aumentando assustadoramente no município. “Por ser feita de sobras do refinamento da cocaína, é uma droga mais barata, uma pedra custa em torno de R$ 5 em Caarapó, porém, com os mesmos efeitos do uso desta por meio de injeções intravenosas. Justamente por ser mais barata e por ter efeitos imediatos vem crescendo o número de usuários tanto em Caarapó, como em toda a região” afirmou Magno.

O Comandante da PM em Caarapó disse ainda, que está havendo um número muito grande de pessoas com problemas mentais na cidade, devido ao uso da droga, “o crack afeta o cérebro e deixa as pessoas com alucinações e psicoses. Em diversas ocorrências que fomos solicitados encontramos usuários com esses sintomas, o que dificulta ainda mais o serviço da polícia”, disse o comandante, que também credita o aumento no número de assaltos e furtos na cidade aos usuários que praticam esses delitos para fazerem uso da droga.

"Já cheguei a fumar 40 pedras num dia", diz X (nome fictício), 21, filho de pais de classe média, que moram no centro da cidade de Caarapó. O jovem já foi internado por diversas vezes e diz que ainda está tentando se livrar totalmente do vicio, mas a tarefa é árdua e às vezes ele ainda sofre recaídas. “Com o crack, não existe o chamado uso social ou recreativo, ele é avassalador”, afirmou o jovem a reportagem do CaarapoNews.  

A psiquiatra Sandra Scivoletto, diz que “todos os pacientes que fazem uso regular de crack praticam roubos ou furtos e mais da metade deles são expulsos da escola”. Ela afirmou ainda que “os usuários do crack se envolvem em atividades ilegais duas vezes mais do que os usuários de outras drogas. Como a evolução da dependência com relação a esta droga é muito rápida, quando os familiares descobrem o usuário, na maioria das vezes, já está completamente dependente”, finalizou

Os sintomas - O comportamento do usuário de crack, segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, especializado em drogas pela Universidade de Londres, muda rápido e intensamente. Ele vai mal na escola (ou a abandona), tem um sono altamente perturbado, emagrece muito, isola-se dos outros e começa a apresentar sintomas de paranóia. Acha que está sendo seguido ou que caiu alguma pedra de crack no chão. Também fica apático, introvertido. A cocaína age ainda sobre as pupilas dos olhos, podendo dilatá-las.

O tratamento - Depende do estado de cada paciente. Vai do tratamento ambulatorial até a internação domiciliar ou em clínicas especializadas. A sua principal dificuldade, segundo o dr. Ronaldo Laranjeira, é a “fissura”, a vontade que o usuário sente de usar a droga. A fase inicial é a mais difícil, e dura, geralmente, a primeira semana. O jovem só é considerado totalmente reabilitado depois de dois anos de abstinência.


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