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Caarapó

Confira o bate papo com Nicolas Karnaks, o "Grego"

CaarapoNews realizou um bate papo sobre política com o senhor Nicolas Karnaks, o "Grego", como é conhecido em Caarapó.

| CAARAPONEWS


 

Neste tempo de eleições para Prefeitos e vereadores, candidatos de todos os partidos e ideologias prometem o possível e o impossível na busca pelos votos que o garantam em um cargo que já ocupa ou permitam que cheguem lá desbancando o adversário de sua posição na Câmara ou no Executivo municipal.

Chama-se isso de processo democrático, ou governo da maioria, sem que na verdade se saiba exatamente o que é, para que serve, como funciona e de que forma poder impedir distorções éticas ou abusos de poder.

Para irmos mais fundo na questão, nada melhor do que entrevistar alguém ligado já de berço à cultura que possibilitou o desenvolvimento do sistema e conhece o porquê da idéia e de sua evolução até os dias de hoje. Por isso convidamos para uma conversa informal Nicolas Karnakis, 74 anos, nascido na região do Peloponeso, e faz mais de 30 anos trabalhando como madeireiro aqui na região, onde ficou conhecido, como O Grego.

CaarapoNews – Nicolas, todos sabem de seu interesse e participação na discussão do que é necessário para um governo justo e realmente efetivo para Caarapó e cercanias, bem, como de sua preocupação com a manutenção do espírito democrático e da transparência dos governos e das chamadas “atividades políticas”. Explique para nós a razão desta visão e procedimento.

NICOLAS – A democracia, quando real, é o sistema mais adequado para a justiça social de um povo, equilibrando de forma racional conflitos de classes e visões diferentes. Quando surgiu em Atenas, na Grécia cerca de 2.500 anos atrás, permitiu o equilíbrio dando direitos iguais para a aristocracia agrária, dona das melhores terras e rebanhos, os pequenos proprietários rurais, os artesãos urbanos e até aos tetas - trabalhadores que tinham perdido suas terras e ganhavam a vida como assalariados na cidade ou em atividades marítimas.

CaarapoNews - Como isso era possível?

NICOLAS – Na realidade, a fórmula era bem simples: diversos Tribunais especializados, compostos de representantes eleitos entre os cidadãos, julgavam e fiscalizavam tanto as ações particulares como as do Estado, garantindo que as leis fossem obedecidas por todos, e os infratores, uma vez flagrados e condenados, acabassem punidos sem distinção de classe social, cargo ou força política!

CaarapoNews – E a corrupção, não existia?

NICOLAS – Claro que sim. Os gregos são seres humanos, sujeitos às mesmas tentações de ganância, vaidade, necessidade de auto-afirmação e fome de aplausos. No entanto, estava sujeitos a um esquema jurídico fortíssimo, justo e praticamente incorruptível, o que fazia corruptores e corruptos em potencial pensarem duas vezes antes de praticarem atos indevidos, já que, caso fossem descobertos, a punição severa era certeza.

CaarapoNews – E a democracia tupiniquim, com o famoso jeitinho brasileiro, tem alguma chance de ser mesmo atuante e criar chances de trazer benefícios autênticos para o povo?

NICOLAS – Depende de algumas coisas. O segredo do equilíbrio em democracias representativas como a nossa está na independência de seus três poderes básicos – Executivo, Legislativo e Judiciário. É a fiscalização permanente de quem administra as ações do País e de quem cria as Leis que regem estas ações, fazendo com que não haja impunidade nos casos de abuso e de irresponsabilidade, que vai manter tudo nos eixos. Em outras palavras, a lisura, a transparência e a ética têm que estar sempre presentes nas ações do Poder Judiciário, caso contrário a democracia será somente uma farsa, uma comédia sem nenhuma graça que pode a qualquer momento se transformar em tragédia para a nação inteira.

CaarapoNews - Então, Nicolas, se isso estiver comprometido, tornando impunes aqueles que mentem, desviam verbas e compram votos, a luta está perdida?

NICOLAS – De forma nenhuma. A consciência política pode dar lições definitivas para gente deste tipo. Sem citar nomes e nem locais, um bom exemplo foi o que aconteceu numa cidadezinha paulista, cerca de 3 décadas atrás. Um candidato ofereceu dinheiro pelos votos de diversos cidadãos, eles aceitaram o valor, fizerem uso da quantia dada, mas votaram em quem queriam de fato, não no pretenso corruptor. Evidente que ações assim desestimulam qualquer ação desonesta do tipo, até porque o resultado se torna incerto demais para ser considerado um investimento eficiente.

CaarapoNews – Mas justamente por não acreditar mais na justiça é que muitos eleitores hoje pensam em anular seu voto, julgando que todos os candidatos são iguais e pretendem apenas satisfazer o interesse próprio.

NICOLAS – Na verdade, não podemos pensar assim. Este mundo composto só de bandidos, ladrões e egoístas não é real. A integridade está presente em muitos seres humanos, não escolhe classe social nem profissão.  Portanto, existem também políticos corretos, íntegros e bem intencionados. Na cidade de São Paulo, aquela imensidão, onde os interesses econômicos poderiam falar mais alto do que tudo, temos exemplos claros de competência e honestidade administrativa, bem como de responsabilidade e seriedade com a coisa pública. Carvalho Pinto, Prestes Maia e Olavo Setúbal são exemplos. Este último, um banqueiro, separou com transparência sua missão política de seus interesses empresariais.

CaarapoNews – Para encerrar, uma pergunta pessoal: como deve ser o candidato ideal para administrar Caarapó?

 

NICOLAS – No meu entender, o candidato tem que colocar o bem-estar social, as necessidades do ser humano, em primeiro lugar na pauta de compromissos. Deve ter compromisso com o povo sem fazer distinção de classe social, ser desprovido de ganância financeira e principalmente ser honesto.

 


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