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Caarapó

Caarapoense é exemplo de superação

O deficiente visual Américo Ramos Barbosa (40), é exemplo de dedicação, superação e força de vontade.

| CAARAPONEWS


 

Por Silmara Diniz 

Quem diria que uma simples ida ao supermercado mudaria radicalmente uma vida? O deficiente visual Américo Ramos Barbosa (40) é testemunha de que a vida pode dar voltas, mesmo numa situação de rotina como a de fazer compras.

Américo foi abordado no supermercado, fazendo compras com sua mãe, pelo montador industrial Márcio Rildo (32), que percebeu sua necessidade e ofereceu um programa de voz sintetizada no computador para deficientes visuais para que ele estudasse. Márcio já havia trabalhado com deficientes visuais em Dourados. Desde então, Márcio é tutor e amigo de Américo e acompanha sua evolução no programa EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Américo já nasceu com deficiência e perdeu 100% da visão aos 13 anos. Estudou muito pouco quando criança, mas não esqueceu as primeiras lições e voltou para a escola na EJA no mês de junho deste ano cursando as 1ª e 2ª séries do ensino fundamental na escola estadual Arcênio Rojas. Ele estuda com todos os outros alunos e utiliza um notebook, sua principal ferramenta nos estudos.

No notebook de Américo existe um programa chamado Dosvox, desenvolvido na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) especialmente para deficientes visuais, que obedece a comandos de voz, além do programa Virtual Vision, para o sistema operacional Windows, doado pela Fundação Bradesco aos deficientes visuais.

Para Américo, a chegada à escola surpreendeu os professores: “Fui como um filho que eles não esperavam”, comenta. Para a diretora da escola, Cida Marques, a inclusão de Américo foi “um desafio muito grande”. “Mas estamos muito contentes com o resultado que estamos obtendo”, completa.

Américo tem duas professoras, uma na EJA da escola Arcênio Rojas e a outra na sala de recursos da escola estadual Joaquim Vianna, que ele freqüenta nas tardes de terça e quinta-feira. A professora Ilza Maria de Souza, da EJA, descreve Américo como sendo “um aluno dedicado, preocupado, com vontade de aprender”. A diretora complementa: “Ele ajuda os outros em sala de aula. Isso ele não contou, né? Ele ouve muito bem, se o colega não sabe, ele vai e ajuda”.

Apesar das alegrias, Américo conta que já viu o preconceito de perto: “Teve uma menina que entrou no meio do ano que falou que não adiantava eu me animar, que eu não ia passar de ano”. O voluntário Márcio concorda que o preconceito é uma realidade: “Às vezes as pessoas colocam obstáculos, complicam a vida do deficiente”, diz.

A diretora da escola onde Américo estuda diz que a presença do aluno no ambiente escolar está sendo uma experiência muito boa. “Só que ele tem um negócio. Tínhamos uma palestra fora da escola, ficamos preocupados com quem iria levar o Américo, quando o vimos indo para a palestra de braço dado com uma menina”. Américo ri: “A mais bonita da sala”.

A escola atende ainda outro aluno com deficiência visual (baixa visão), também com a ajuda de Márcio Rildo. Em sua opinião, a inclusão desses alunos na escola conscientiza alunos e professores. O voluntário está em busca de apoio da prefeitura, para ser remunerado pelo trabalho de tecnologia assistida com os deficientes visuais. “Há dois deficientes visuais jovens na aldeia e estão fora da escola por falta de apoio”, conta. Segundo a diretora Cida Marques, “as escolas devem enfrentar o desafio”.

Quanto ao futuro de Américo, parece que vai ser bem próximo ao seu notebook, pois ele pretende continuar os estudos. Quer estudar jornalismo. Oportunidades não vão faltar para um exemplo de força de vontade como esse.


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