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Geral

Clima é de tensão na fronteira entre o Brasil e o Paraguai

| DOURADOSNEWS


O clima está “quente” e tenso entre brasileiros e paraguaios no Departamento (Estado) paraguaio de Canindeyú. De um lado estão produtores brasileiros que não querem perder as terras que compraram há mais de 30 anos e do outro, movimentos paraguaios campesinos, semelhantes ao sem terras do Brasil que não aceitam que estrangeiros tenham terras, enquanto eles paraguaios vivem em acampamentos à margem de rodovias na miséria.

 

"Eu quero que tentem entrar na minha propriedade, se fizerem eu lhes mato ou me levam morto daqui”, desafiou um dos colonos brasileiros, no bairro colonial San Juan Kijhá Bridge, onde campesinos paraguaios tentaram entrar na última quarta-feira (14).

 

Canindeyú é um Estado paraguaio que faz fronteira com o sul do Mato Grosso do Sul e tem como capital Salto del Guairá, que faz fronteira com Mundo Novo aqui no Estado.

 

Os colonos estão com medo dos campesinos e montaram, segundo o Jornal Última Hora, patrulhas que percorrem as propriedades da região, nas proximidades da escola San Roque Gonzalez na terceira linha, onde estão os membros da Federação Nacional Camponesa (FNC), que espera desapropriação de 154 lotes pela reforma agrária anunciada pelo presidente Fernando Lugo.

 

Enquanto isso a polícia também faz patrulhas, porém para escoltar os membros do órgão governamental paraguaio que estuda as possíveis desocupações na região e que pelo trabalho que realizam são ameaçados pelos produtores rurais.

 

Governos

 

No Brasil, o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a situação é preocupante e que o Governo estuda meios pacíficos de solucionar possíveis conflitos pela terra.

 

Já do lado paraguaio, a assessoria da Presidência da República disse que “O presidente Fernando Lugo Méndez, estabeleceu claramente que o Estado Paraguaio vai proteger vidas e bens de todos os habitantes do território.

 

Não pode haver dúvidas sobre o esforço feito para o governo em devolver a estabilidade da segurança para áreas que durante muitos anos, têm sido negligenciadas e descontroladas em coincidência com os interesses ilegais e irregulares. Esta situação começa a ser revertida", alerta o documento oficial, que disse que quem estiver com a situação legal, não tem o que temer.

 

O governo paraguaio desafiou o Brasil a apresentar situações concretas, com os nomes de quem está sendo ameaçado no Paraguai, sem generalizar os fatos como vem fazendo.

 

Fatos

 

Segundo o jornal francês, “Le monde”, cerca de 300 mil "brasiguaios" vivem hoje na fronteira comum entre os dois países, 80% deles dedicados à lavoura da soja. Ainda segundo o Le Monde, em um país essencialmente agrícola, 1% da população controla 77% das terras cultiváveis. Fontes ouvidas pelo diário afirmam que um milhão de hectares de terras está nas mãos do brasileiro Tranqüilo Fávero, conhecido na região como o "rei da soja".

 

Jéssica Ausier da Costa, aluna do curso de Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e vinculada ao projeto Grupo de Acompanhamento e Análise do Terrorismo Internacional no Laboratório de Estudos do Tempo Presente / IFCS / UFRJ, explica no trabalho “Identidade e conflito na fronteira Brasil-Paraguai: o caso dos brasiguaios”, que a região de fronteira foi palco de um intenso fluxo migratório brasileiro nas décadas de 1960 e 1970.

 

“As primeiras migrações para o Paraguai ocorreram em 1954, com uma imigração  preponderantemente composta por grandes proprietários de terras. Durante as décadas de 1960 e 1970, a imigração para o leste paraguaio foi estimulada pelo Instituto de Bienestar Rural (IBR), órgão latifundista paraguaio, que ofereceu terras férteis (solo roxo) e a baixo custo aos agricultores que desejassem migrar para esta região. Para o Estado brasileiro, a imigração para o país vizinho apresentava-se como positiva na medida em que era uma maneira de diminuir os conflitos internos existentes no meio rural”, afirma ela.

 

Ela conta também que o general e ditador paraguaio, Alfredo Stroessner retirou a proibição da compra de terras por estrangeiros em 1967, o que facilitou a entrada de brasileiros na região, inclusive com a ajuda de funcionários do governo, que teriam vendido as terras em benefício próprio, porém, hoje esses mesmos brasileiros que foram para lá, dependem dos dois governos, pois há casos que não são considerados cidadãos de nenhum dos dois países.

 

“A situação dos brasiguaios ainda é um tema atual, muito de sua situação e seus problemas ainda não foram solucionados. Depois dos Estados Unidos, o Paraguai é o país que mais recebe imigrantes brasileiros.

 

Segundo o Departamento de Imigração paraguaio, são mais de 360 mil brasileiros vivendo ilegalmente no país. A situação traz problemas graves para os brasiguaios à medida que, em alguns casos, eles não são considerados nem cidadãos brasileiros nem paraguaios e, por isso, não têm direito a voto nem acesso a serviços básicos”, comenta ela.

Para ler mais sobre o assunto, clique aqui, ou aqui.


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