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Juti realiza Feira de Sementes Nativas e Crioulas

O evento é organizado pela Comissão Pastoral da Terra dias 14 15 deste mês


A cidade de Juti será sede no período de 14 a 15 deste mês, da 8ª edição da  Feira de Sementes Nativas e Crioulas e de Produtos Agroecológicos. O evento será realizado pela Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso do Sul, o qual  busca multiplicar experiências, reproduzir as sementes crioulas, garantir a soberania alimentar e resgatar esse patrimônio da humanidade da beira da extinção. Os trabalhos serão realizados no salão paroquial.

 

A Feira de Juti, segundo estudo realizado pela tecnóloga em agroecología Rosangela Pedrosa, agente da CPT/MS, é uma idéia que surgiu a partir de um curso de formação sobre Experiências Agroecológicas organizada pela CPT/MS. Desde seu inicio a temática fundamental da Feira gira em volta da questão da troca de experiências entre pequenos agricultores familiares. A primeira feira aconteceu no Dia do Agricultor, em 25 de julho de 2005.

 

O estudo em questão assinala que a CPT no seu trabalho pastoral no Estado sempre se manifestou com preocupação pelo acelerado processo de dependência que o modelo de agricultura agro-empresarial conseguiu impor sobre a pequena unidade camponesa. O primeiro, baseado no alto consumo de insumos e produtos químicos, incluindo as sementes híbridas e transgênicas, ao ser imposto ou incorporado pelo segundo modelo colocou em risco até a própria soberania alimentar das famílias camponesas. A tecnóloga revela que a CPT, no seu trabalho pastoral junto aos camponeses, encontrou que o novo modelo tecnológico de agricultura produzia uma acelerada deterioração das comunidades. Como exemplos são citados a “degradação do solo, erosão, compactação, destruição ambiental, redução da biodiversidade, dependência econômica, diminuição da renda, aumento dos custos de produção, descapitalização, êxodo rural e graves problemas de saúde”.

 

Objetivos

Um dos principais objetivos e desafios da Feira de Juti, desde seu inicio, é o resgate de uma ancestral tradição camponesa: cuidar, conservar, proteger e reproduzir as sementes crioulas. Este patrimônio da humanidade já vinha sendo objeto de um violento processo de subtração por parte do projeto agro-empresarial (agronegócio), nacional e internacional. A Feira de Juti se insere somando-se à reação, cada vez mais abrangente, de defesa das sementes crioulas. A ação de defesa já vinha crescendo em muitas partes do planeta, sobre tudo por conta das mobilizações dos movimentos sociais, em particular do campo. No aludido processo de saque as sementes passaram ser geneticamente modificadas, concentradas pelas multinacionais, e usadas para gerar exclusivamente lucro e, conseqüentemente, destruição no campo através do uso intensivo de venenos e “aproveitamento” extensivo da terra com o monocultivo.

 

Com os argumentos de uma suposta “segurança alimentar no mundo” e o “desenvolvimento” a qualquer custo, as sementes crioulas ficam expostas à beira da extinção. Focada em mostrar as experiências da agricultura orgânica-agroecológica, e as formas de diversificação e produção das próprias sementes, a Feira de Juti se constitui, já a partir da primeira experiência, num importante espaço alternativo de comercialização solidária e troca de sementes crioulas e produtos da agricultura familiar, segundo Rosangela Pedrosa.

 

“Uma das grandes preocupações era tornar o agricultor e a agricultora no grande protagonista da Feira. Eram eles os que iriam contribuir com a apresentação de seus produtos e suas sementes. E era com a troca sementes e de experiências que o objetivo estaria sendo atingido. A Feira sai para buscar e despertar o interesse de outros pequenos agricultores e assim consegue multiplicar as experiências parecidas em outras unidades de produção”; refere à agente da CPT/MS no seu trabalho.

 

 

 


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