Luiz Alfredo Magalhães
Elaine Valdez
“Não tem nada de anormal ver um escritor se refugiar no alto de uma montanha"
Ele já foi professor de história, é jornalista, advogado e fotógrafo. Como se não bastasse, ainda arrumou tempo para transformar a paixão pelas letras em mais uma de suas atividades. Autor do livro “Rio Paraguay” e “Fazendas MS”, está agora em processo de pesquisa para o próximo livro e está auxiliando em outro como colaborador. Estou falando do ponta-poranense, Luiz Alfredo Marques Magalhães, 56 anos, um dos primeiros a integrar a lista dos autores da Editora Alvorada. Conheça mais sobre o escritor:
Luiz Alfredo, em que momento se interessou em escrever livros?
Luiz Alfredo – Poema todo mundo fez e eu fazia os meus desde pequeno. Eu lia muito. Depois, com o tempo, lá na década de 80, comecei contribuindo para o jornal da universidade e cheguei a ser editor de um jornal por um tempo. Acredito que foi neste período que despertou meu interesse. Cronologicamente, foi na década de 80. No entanto, foi somente em 2002 que publiquei meu primeiro livro “Fazendas MS” já pela Editora Alvorada.
Em seus livros você realiza todas as etapas sozinho, desde pesquisa, produção à fotografia. Não é um trabalho muito solitário escrever um livro?
LA – Aparentemente é solitário. Mas é tanta gente repassando informação que acaba sendo um trabalho de muita gente. Apesar de fazer a pesquisa sozinho, as fontes e os depoimentos vêm de pessoas que viveram aquele momento. Grande parte do meu trabalho é feito de fotografias antigas que busco de acervos pessoais. Ou seja, é o tempo todo conhecendo pessoas e trocando ideias. Agora, escrever não tem outra maneira, é preciso silêncio. Não tem nada de anormal ver um escritor se refugiar no alto de uma montanha, é preciso o silêncio para se concentrar.
O livro Fazendas MS fez tanto sucesso que já está esgotado e agora será feita uma reedição. Como definiu estas propriedades rurais? Afinal, são tantas em Mato Grosso do Sul.
LA – Como moramos numa região essencialmente agropecuária, tudo que é voltado neste sentido tem repercussão. Agora, é inegável que o tema é bom e o livro é repleto de lindas fotos. Elas são o meio da mensagem. E fazer a garimpagem não foi muito difícil, pois também nasci em fazenda. Não é um assunto estranho. Escolhi as mais antigas, tradicionais e que ajudaram a compor nossa história. Aliás, depois das guardas avançadas (militares), e da igreja, foram os colonizadores (fazendeiros) que contribuíram para a formação das cidades. E como o sul de Mato Grosso é relativamente novo, são 200 e poucos anos de colonização, tive a sorte de conviver com pessoas historicamente importantes que me auxiliaram neste processo, como por exemplo, Dr. Wilson Barbosa Martins.
Outra boa notícia é que o Fazendas MS vai ser relançado agora em agosto na Bienal Internacional do livro de São Paulo. Qual a expectativa para o evento?
LA – Isso mesmo! Tive a confirmação faz pouco tempo. Será dia 13 de agosto na Bienal. Serão compiladas as três edições num livro só. O resultado é um belo livro grande com quase 300 páginas. Agrupei as mais representativas, infelizmente tive que tirar algumas e acrescentei umas três ou quatro. Quem sabe, mais uma oportunidade para lançar outro. Quem não conseguiu comprar, por ter sido uma edição pequena, pode ficar tranquilo que agora teremos livros para todos.
Na semana passada você foi um dos entrevistados do Programa Globo Rural, onde teve um bate papo com o lendário jornalista José Amilton Ribeiro. O seu livro, “Rio Paraguay”, segundo eles, está servindo de guia para as duas equipes que estão fazendo a matéria especial sobre o “rio mais internacional do Brasil”. Como se sente tendo este reconhecimento?
LA – Em primeiro lugar quero destacar que visto pelo José Amilton Ribeiro, um ícone do jornalismo brasileiro, que admiro, com toda modéstia é bastante enriquecedora para mim. O fato é que o Rio Paraguai é maravilhoso e é preciso cuidá-lo. Afinal, é um organismo vivo que já está há um tempo sobrevivendo. Tão poderoso, tão majestoso, até quando vai aguentar tudo que tiram dele e não é reposto? Agora, quem sabe, as pessoas comecem a dar seu devido valor. E uma das formas de se valorizar é justamente através de um veículo fabuloso como é a Rede Globo. Então, já me sinto bem pelo reconhecimento. Foram dois anos trabalhando e confesso que foi apenas uma pequena parte. E mesmo sendo regional, está vendendo muito bem em várias capitais brasileiras. Muita gente pedindo, mesmo estando esgotado, e tenho recebido felicitações por ter feito este registro.
E realmente, é o rio mais internacional do Brasil?
LA – Sim. Ele atravessa cinco países: Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. É o mais longo de todos e o de maior importância histórica.
Como você analisa o fato de fazer parte de uma editora que valoriza o conteúdo regional?
LA – Tive o merecimento de ter sido o primeiro autor a trabalhar com a Editora Alvorada. Tenho acompanhado esta nova fase da empresa e me sinto grato por fazer parte desta equipe. Vejo que a editoração está sendo pautada pela seriedade e profissionalismo. Usando as palavras do mestre José Amilton Ribeiro, a empresa está me dando tratamento vip, pois nem ele possui uma assessoria para acompanhá-lo junto à imprensa, e eu estou tendo este suporte.
Sorte nossa que tem esta empresa de tamanho gabarito. E coisa boa não se esconde muito tempo não.
E qual o seu próximo livro?
LA – Estou preparando um material sobre a Cia Matte Laranjeira. Estou na fase de pesquisa, juntando documentos, fotografias. Apesar de ser uma encomenda, tem um alcance diferente. Será baseado em fatos históricos, repleto de fotografias antigas e com tamanha importância histórica. Farei pesquisa de campo no Brasil, no Paraguai e na argentina, pois foi uma multinacional de seu tempo. Acho que vai ser um ótimo livro, com tema maravilhoso. Muita gente escreveu a respeito, mas para minha sorte, usarei um material fotográfico que ninguém tem.



