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Caarapó

Estudante caarapoense faz desabafo por conta do tumulto no vestibular

| DENYSE BARBOSA


Domingo foi um dia que eu nunca esquecerei na minha vida.


Perdi a prova como muitos jovens, fiquei triste, chorei... Cheguei a me perguntar em um gesto egoísta: porque eu?


Quando cheguei em casa após a frustração de um domingo perdido, comecei a lembrar das pessoas e de suas ações naquele instante.


Pouco antes das 7h30 quando chegamos próximos a UFGD, percebemos que havia acontecido um acidente... Em instante outro acidente... E os jovens que estavam dentro daquele ônibus, começaram a se preocupar... Confesso que me deu aperto no meu coração, lembrei-me da minha filha e disse pra mim mesmo vai dar certo... Eu vou conseguir...


Os minutos pareciam correr e a distância parecia ficar maior, me recordo de uma senhora que já havia deixado seu filho na UFGD e estava retornando, quando ela gritou: “Desçam do ônibus, corre! Não vai dar tempo!!!”. Essa senhora eu acredito que ela tenha se colocado no lugar de muitos pais, pais que ficaram em casa torcendo por seus filhos. Nesse momento sem pensar em mais nada 48 pessoas saíram correndo, quando olhei para o lado não era só nós, eram vários que estavam correndo também... Foi uma loucura, garotas correndo descalças, jovens abandonando veículos no meio do caminho, pessoas gritando, vi algumas caindo... Me deu uma sensação de medo, de decepção, parecia que estávamos correndo de balas perdidas, correndo de bandidos, fugindo de uma guerra, algo parecido. Mas não! Eram pessoas: homens e mulheres que estavam correndo atrás de educação, jovens adolescentes que buscavam um futuro melhor.


Todos os dias vemos notícias em jornais, pesquisas na internet sempre falando e mostrando a rebeldia juvenil, mas será que algum desses comentaristas estavam presentes naquela hora? Será que realmente falta juízo para os jovens? Ou será que falta educação? Falta de faculdades públicas? Falta de oportunidade?


Estou me sentindo fracassada, estou me sentindo a pior das pessoas, porque quando você tenta e não consegue fica aquele sentimento de que fez o melhor. E quando você levanta às 5h, tira dinheiro de onde não pode para pagar inscrição, fotografia, xerox, sedex, passagem, além de correr, correr e correr e se deparar com uma porta trancada.


Aquela porta fechada não significa só não poder entrar, significa pra muitos, menos um ano ou um ano perdido, quantas pessoas chorando, quantos filhos lembrando-se de seus pais, na decepção de chegar em casa e falar “não consegui chegar”, haviam pais também que estavam ali buscando uma nova vida pra sua família. Portas fechadas para o futuro, portas fechadas para a dignidade, portas fechadas para uma nova chance... Portas fechadas para uma tentativa.

(Denyse Barbosa)


 


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