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Caarapó

Homem que matou 2 no trânsito se diz ‘perturbado’ e quer ‘perdão’ das famílias

| MIDIAMAX


 O empresário dono de um balneário no município de Rio Verde, Evaldo Fernando Maciel, de 52 anos, que confessara ter matado este mês dois ocupantes de uma motocicleta num acidente de trânsito em Campo Grande, disse que tem “pesadelos”, quer pedir “perdão” às famílias das vítimas e a vida sua perdeu o sentido por ele ser hoje um “homem perturbado”.

Ele conversou nesta manhã pela primeira vez desde a tragédia com a imprensa, durante evento promovido pela Fiems (Federação da Indústria) em seu balneário, em Rio Verde, distante 250 quilômetros de Campo Grande.

Ao Midiamax, ele disse que gostaria de ficar na prisão por “cinco anos ou quanto tempo fosse necessário” se as vítimas ressuscitassem, mas como isso não vai acontecer, prefere implorar por “desculpas” que promete pedir às famílias das vítimas, além de responder judicialmente pelos crimes.

Rastro de sangue

O acidente envolvendo o empresário ocorreu na madrugada do dia 9 deste mês no cruzamento da Avenida Eduardo Elias Zahran com a Rui Barbosa.

Versão do empresário narrada à polícia diz que ele conduzia sua camionete quando fora abordado por um motociclista que teria batido com as mãos numa das portas do veículo.

Ele teria se assustado e achado que se tratava de um assalto e acelerado o veículo. Logo em seguida, atropelou um motociclista.

Para o empresário, o impacto causou-lhe a “impressão” de que alguém teria disparado um tiro de calibre 12 em sua camionete.

Fernando Maciel narra ainda que a partir daí, teria acelerado mais o veículo, indo em direção a rua Rui Barbosa.

Ele seguia pela Avenida Calógeras e teria sido abordado antes na altura da Avenida Fernando Corrêa da Costa.

No cruzamento da Elias Zahran com a Rui Barbosa, o empresário fez uma manobra proibida e atingiu o motociclista Anderson André de Souza, de 26 anos, que conduzia uma Suzuki de 125 cilindradas.

Na garupa, seguia Carlos Alberto Souza e Silva, de 21 anos.

Anderson André morreu no local e Carlos Alberto, três dias depois no hospital.

O empresário não prestou socorro e fugiu dali. Ele disse que na segunda batida pensou que era alvo de outro tiro de espingarda.

“Percebi que não eram tiros quando cheguei em casa”, disse ele. Uma semana depois, o empresário se apresentou à polícia, prestou depoimento e levou sua camionete para a casa com apenas arranhões na lataria.

O delegado que cuidou do caso, Fernando Ruiz Gastaldi, do 1º Distrito Policial, indiciou o empresário por duplo homicídio culposo e dupla lesão corporal. Contudo, o próprio policial admitiu em entrevista ao Midiamax que “dificilmente” o empresário será condenado pelos crimes.

É que o homicídio culposo, tido como sem intenção de matar, é um crime que motiva de um a três anos de pena.

Casos iguais já sentenciados no país provocam ao culpado castigos alternativos, como prestação de serviços em asilos ou hospitais.

Desculpas

O empresário disse ter procurado às famílias das vítimas, mas apenas uma delas quis conversar. Ele pagou pela motocicleta destruída no acidente e prometera mais ajuda.

Fernando Maciel pensa em procurar as famílias de novo e gostaria de conversar com elas juntas. “Se eu estou sentindo-me mal imagino que as famílias também estão, e bem mais”, previu.

Ele confessou também que sua “perturbação” aumenta quando sai na rua e vê uma motocicleta. “Lembro-se da tragédia”.

Ele contou ainda, que preparava projetos pessoais, mas agora, após os acidentes, “não quer saber mais de nada”. “Penso em pedir desculpas às famílias, só isso”. 

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